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Igreja Católica no Malawi celebra 125 anos de evangelização com ordenações sacerdotais

Os frutos colhidos hoje — novas vocações, comunidades vivas e presença social — são testemunho da semeadura generosa de outrora.

Foto: Diocese of Dedza

Foto: Diocese of Dedza

Redação (26/09/2026 09:29, Gaudium Press) A Igreja Católica no Malawi celebrou, no dia 19 de setembro, os 125 anos de sua presença permanente no país com uma Eucaristia solene na paróquia de Santa Maria de Nzama, na Diocese de Dedza. O local histórico é considerado o berço da evangelização católica no Malawi: foi ali, em 1901, que os Missionários Montfortianos fundaram a primeira missão permanente. A celebração, realizada sob o tema “Enraizados em Cristo, Enviados para a Missão: Celebrando 125 Anos de Evangelização no Malawi”, reuniu bispos, sacerdotes, religiosos, fiéis leigos, líderes tradicionais e representantes do governo.

Presidiu a liturgia o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização e delegado especial da Santa Sé, nomeado pelo Papa Leão XIV. O prelado nigeriano transmitiu a bênção e as saudações do Papa aos fiéis malauianos, bem como as Co cardeal Luis Antonio Tagle, pro-prefeito do mesmo dicastério. Durante a Missa, foram ordenados sacerdotes os diáconos Timothy Tendai Chimbiya e Peter Bengo, da Diocese de Dedza, um gesto simbólico que uniu a memória missionária do passado à continuidade da missão no presente.

Raízes históricas e o sacrifício dos pioneiros

A história da Igreja Católica no Malawi começa de forma sofrida. Os Missionários da África (Padres Brancos) tentaram estabelecer uma presença em 1889, na região de Mponda (hoje Mangochi), mas enfrentaram doenças, conflitos tribais e disputas coloniais entre britânicos e portugueses, sendo obrigados a se retirar. Em 1901, os Missionários Montfortianos chegaram a Nzama, acolhidos pelo chefe tradicional Jacob Njovuyalema (também referido como Njobvuyalema), que lhes cedeu terras. Os Padres Brancos retornaram pouco depois e fundaram outras missões, como Mua, Likuni e Kachebere. Juntos, esses missionários — e muitos outros que os seguiram — lançaram as bases de uma Igreja hoje viva.

Na homilia, o arcebispo Nwachukwu destacou o radicalismo desse sacrifício. “A maioria deles partiu sem saber se algum dia poderia voltar para casa. Sua partida foi como morrer. E muitos deles morreram”, afirmou, referindo-se aos primeiros missionários. Citando o Salmo 126,6, ele vinculou aquela semeadura dolorosa à fecundidade atual: “Hoje celebramos os frutos do seu sacrifício. Hoje somos nós os frutos do que eles semearam”. As duas novas ordenações, segundo o prelado, são “um tributo apropriado à memória de seus esforços e de seu sacrifício”.

Identidade missionária e advertências pastorais

Aos novos sacerdotes, Nwachukwu lembrou sua identidade essencial: “Recordem que, como qualquer outro cristão, vocês são antes de tudo missionários”. Ele alertou sobre a fidelidade à Palavra de Deus: “A Palavra de Deus não é propriedade de vocês… não deve ser substituída pela sua palavra ou pela sua imaginação”. Sobre a obediência eclesial, citando João 21,18, afirmou que “ser pastor significa abandonar por completo a própria vontade, os próprios caprichos e as próprias obstinações”. O modelo proposto foi Melquisedeque, “Rei de justiça” e “Rei de paz”, figura que aponta para um sacerdócio a serviço da unidade, acima de divisões políticas e tribais.

Ele lembrou aos sacerdotes recém-ordenados que seu ministério não se trata deles mesmos, mas de servir a Cristo e ao Seu povo — pregar o Evangelho, pastorear o povo de Deus e celebrara sagrada Liturgia, seguindo o exemplo de Cristo, o Bom Pastor, que veio não para ser servido, mas para servir.

O arcebispo também destacou a necessidade de o clero e dos religiosos viverem a missão com desprendimento, encontro e sacrifício — temas que já havia reforçado em encontros anteriores com o presbitério e a vida religiosa em Lilongwe.

Uma Igreja florescente e presente na sociedade

Os números atuais mostram a força alcançada. Segundo dados da Conferência dos Bispos Católicos do Malawi (MCCB), há cerca de 5,65 milhões de católicos no país (mais de um quarto da população estimada em cerca de 20 milhões), organizados em 220 paróquias e 15.875 Pequenas Comunidades Cristãs. A Igreja conta com 12 bispos, 675 sacerdotes, 72 irmãos religiosos, 1.299 irmãs religiosas e 638 catequistas. Sua contribuição social é expressiva: 1.806 instituições educacionais, 93 unidades de saúde e 22 instituições sociais.

O presidente da MCCB, bispo Martin Anwel Mtumbuka, descreveu o jubileu como “um marco sagrado” e “um profundo momento de ação de graças”. Ele lembrou o papel da Igreja na transição democrática de 1992, quando a carta pastoral Living Our Faith contribuiu para o fim do regime de partido único, mas também advertiu que “ainda temos um longo caminho a percorrer” e que a Igreja local agora carrega a responsabilidade de manter viva a chama recebida dos missionários.

O governo malauiano também se fez presente: o presidente Arthur Peter Mutharika enviou o ministro das Finanças, Joseph Mwanamvekha, como representante. A Universidade Católica do Malawi doou um salas de aula à escola primária de Santa Maria de Nzama, reforçando o compromisso com a educação.

Com informações Agência Fides

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