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Homeschooling frente ao antigo regime escolar

Cabe aos pais a formação correta de seus filhos. Mas, só a eles?

 

Redação (02/09/2020 10:06, Gaudium Press) A perspectiva do ensino está sendo adaptada às condições impostas pelo atual confinamento, e a opção homeschooling tem sido, segundo alguns, a mais viável para o “novo normal” entrante.

Constante crescimento

A Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED)[1] diz que 7500 famílias já adotaram homeschooling em seus lares e cerca 15000 estudantes entre 4 e 17 anos já cursam seu ano letivo sob esse regime. A taxa de crescimento costuma aumentar 55% ao ano, fazendo com que, entre 2011 e 2018, o resultado alcançasse a porcentagem de 2000% no Brasil. Com o confinamento esse resultado só tende a aumentar e a assistência presencial às aulas ameaça diminuir. Frente a essa constatação, homeschooling será uma opção viável ao país?

Diferença entre homeschooling e aula online

A contrario sensu, não se deve confundir as aulas online nesse período de reclusão com homeschooling. Com efeito, o especialista em Gestão Escolar, mestre em Educação e supervisor pedagógico da Editora Aprende Brasil, Pedro Lino[2], ressalta que o sistema atual das aulas à distância adaptado às circunstâncias do confinamento não é homeschooling. A diferença, segundo ele, é essencial.

Esclarece que, no caso das aulas à distância, estas são lecionadas e dirigidas pelos professores e o material didático é fornecido pela escola. O aprendizado do aluno, portanto, continua dependendo da Direção do colégio por mais que sofra um distanciamento físico inerente às necessidades da pandemia atual. Continua havendo escola mesmo à distância e sem comparecimento presencial.

Muitos pais, por causa disso, estão optando por um novo modo de estudo em casa para seus filhos. O “estudo domiciliar” veio à tona e o homeschooling acabou sendo confundido com essa adaptação do ensino nesses últimos meses.

Homeschooling

Homeschooling, por outro lado, trata-se de um modo de aprendizado lecionado pelos pais ou por um(a) professor(a) particular, tendo por base um material didático específico, fornecido pelos órgãos competentes e entendidos no assunto. O regime homeschooling, acrescenta Pedro Lino, ainda não está amplamente legalizado no Brasil, por isso, deve ser entendido, por enquanto, como um meio adjacente e não oficial da educação[3].

Nem por isso esta opção de “estudo domiciliar” perde sua credibilidade. O aproveitamento da matéria e a proteção do aluno aos males de nosso século[4] têm provado que homeschooling é um meio confiável e aplicável à realidade do atual sistema de reclusão em casa.

Em uma “sinopse do novo modo de aprendizado, com adultos que receberam educação domiciliar”[5], da autoria do Dr. Brian Ray, consta que o aproveitamento acadêmico das pessoas adultas que passaram por homeschooling é simplesmente excelente. Em quase todos os casos, o resultado dos examinados diferia entre ótimo, para os que fizeram estudo domiciliar, e médio-baixo, para os que não o fizeram…   

Desafio aos responsáveis

Discute-se agora sobre o tema do ensino domiciliar, e o que era visto antigamente, como uma ferramenta pouco eficaz na formação de menores, parece estar agora no pedestal da credibilidade frente ao antigo regime escolar.

Os bons resultados desse regime saltam aos olhos, e a necessidade de reclusão em casa se faz cada vez maior por causa das novas “ondas” da Covid-19. Será essa uma opção viável? A mais apropriada? A mais eficaz?

Caberá às autoridades responder. O certo é que, se tal medida for aplicada, o bom andamento da formação dos filhos dependerá da educação que seus pais lhes proporcionarão. Ficando assim nas mãos dos progenitores a base da formação do caráter de seus filhos para o bem ou para o mal.

Com efeito, a família não é mera transmissora de dotes biológicos e psicológicos. Ela é uma instituição educativa, e, na ordem natural das coisas, a primeira das instituições pedagógicas e formativas. Assim, quem for educado por pais altamente dotados do ponto de vista do talento, da cultura, das maneiras ou – o que é capital – da moralidade, terá sempre um ponto de partida melhor.

Por conseguinte, homeschooling será um desafio para todos, e a decisão dependerá agora, em larga medida, da “célula mater” da sociedade, a família. Não está em jogo apenas uma questão econômica ou de igualdade de pontos de partida educacional, mas igualar e “despersonificar” o estudo que será a causa da falência educativa de nossa nação brasileira.

 

Por Gabriel Ferreira

[1] Cf. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DOMICILIAR (ANED). Educação domiciliar no Brasil. Disponível em: <www.aned.org.br>. Acesso em: 25 ago. 2020.

[2] Cf. TROIANO, Vicente. Brasil não experimenta homeschooling durante isolamento. Disponível em: <www.segs.com.br>. Acesso em: 25 ago. 2020.

[3] Cf. Ibidem.

[4] Cf. NOVA ESCOLA. Veja perguntas e respostas sobre o homeschooling, ou educação familiar. Folha de São Paulo. Disponível em: <www.folha.oul.com.br>. Acesso em: 25 ago. 2020.

[5] Cf. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DOMICILIAR (ANED). Sinopse de um estudo da HSLDA com adultos que receberam a educação domiciliar, conduzido pelo Dr. Brian D. Ray.  Disponível em: <www.aned.org.br>. Acesso em: 25 ago. 2020.

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