Homens jovens nos EUA se tornam mais religiosos que as mulheres
Jovens americanos do sexo masculino estão ficando mais religiosos e já superam as mulheres ao considerar a religião “muito importante” em suas vidas, segundo pesquisa da Gallup.
Foto: STMA Catholic Youth Ministry/ Facebook
Redação (20/04/2026 10:11, Gaudium Press) Em uma inversão surpreendente de uma tendência histórica, os jovens homens nos Estados Unidos estão se tornando mais religiosos do que as mulheres da mesma idade. Segundo dados recentes da Gallup, divulgados em abril de 2026, 42% dos homens entre 18 e 29 anos afirmam que a religião é “muito importante” em suas vidas — um salto significativo em relação aos 28% registrados em 2022-2023. Já entre as jovens mulheres da mesma faixa etária, o percentual se mantém estável em torno de 29-30%.
Essa é a primeira vez, em pelo menos 25 anos de medições da Gallup, que os homens jovens superam as mulheres em um dos principais indicadores de religiosidade: a importância pessoal atribuída à fé.
O que os números mostram
A pesquisa da Gallup, baseada em entrevistas realizadas entre 2024 e 2025, revela outros sinais de recuperação da religiosidade entre os rapazes:
– Frequência a cultos: 40% dos jovens homens dizem frequentar serviços religiosos pelo menos uma vez por mês, contra 33% no período anterior. Esse número agora empata estatisticamente com o das jovens mulheres.
– Afiliação religiosa: os homens jovens também apresentam uma ligeira vantagem na proporção que se declara afiliado a alguma religião.
Historicamente, as mulheres americanas sempre foram mais religiosas que os homens em praticamente todas as faixas etárias. Esse padrão se manteve por décadas, inclusive entre os jovens. No entanto, a partir de 2024-2025, o quadro mudou de forma clara entre a geração mais nova.
Enquanto os jovens homens voltaram aos níveis de religiosidade observados há 25 anos, as jovens mulheres aparecem como o grupo feminino menos religioso de todos: estão 18 pontos percentuais abaixo das mulheres de 30 a 49 anos e menos da metade do índice das idosas.
Por que isso está acontecendo?
A Gallup ainda não apresenta uma explicação definitiva, mas analistas apontam possíveis fatores:
– Busca por significado e estrutura: em um mundo marcado por incertezas econômicas, redes sociais e mudanças culturais rápidas, muitos jovens homens podem estar encontrando na religião um senso de propósito, comunidade e disciplina.
– Reação cultural: parte dos observadores associa o movimento a uma resposta masculina a tendências como o declínio do casamento e a busca por valores tradicionais.
– Diferença de trajetória: enquanto a religiosidade das jovens mulheres se estabilizou em patamares baixos (ou até caiu em alguns indicadores), os homens jovens mostraram um crescimento acentuado em pouco tempo.
Especialistas como Frank Newport e Lydia Saad, da Gallup, destacam que se trata de uma “quebra clara” na tendência de longo prazo.
É importante notar que, no geral, os Estados Unidos continuam se tornando menos religiosos. O número de “nones” (nenhuma – pessoas sem afiliação religiosa) cresce em todas as idades, especialmente entre os mais jovens. No entanto, os dados recentes mostram que os rapazes de 18 a 29 anos estão, pelo menos por enquanto, nadando contra a corrente.
Outras pesquisas, como as do PRRI, às vezes mostram padrões um pouco diferentes, mas a Gallup — uma das instituições mais respeitadas em pesquisas de opinião nos EUA — trouxe números consistentes e baseados em amostras amplas.
O que isso pode significar para o futuro?
Essa virada de gênero na religiosidade entre os jovens pode ter impactos interessantes:
– Nas igrejas e comunidades religiosas, que há anos lidam com o envelhecimento dos fiéis e a saída de jovens.
– Nas dinâmicas de casamento, já que diferenças religiosas costumam influenciar escolhas de parceiros.
– No debate cultural mais amplo sobre valores e o papel da fé na sociedade moderna.
Por enquanto, é cedo para dizer se esse aumento entre os jovens homens representa um “renascimento religioso” mais amplo ou apenas uma flutuação temporária. O que os números da Gallup deixam claro é que, pela primeira vez em uma geração, os rapazes americanos estão à frente das moças quando o assunto é a importância da religião em suas vidas.






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