Gaudium news > Forças Armadas do Canadá proíbem menção a Deus em cerimônias oficiais

Forças Armadas do Canadá proíbem menção a Deus em cerimônias oficiais

Nova instrução determina que capelães e participantes substituam preces por “reflexões espirituais” laicas; Ordinariato Militar reage e aponta violação da liberdade religiosa.

Forcas Armadas do Canada proibem mencao a Deus em cerimonias oficiais

Foto: Pixabay/Jude Joshua.

Ottawa – Canadá (10/09/2026 10:42, Gaudium Press) Deus não será mencionado em cerimônias oficiais das Forças Armadas Canadenses. É o que determina uma instrução publicada no final de julho, na qual se exige que capelães de todas as religiões, e qualquer outra pessoa que participe de eventos institucionais, substituam a oração por uma “reflexão espiritual” isenta de linguagem religiosa.

Igreja reage à proibição de Deus e aponta contradição em diretriz militar

A nova norma define reflexão espiritual como “discursos públicos inclusivos dirigidos a um grupo de pessoas que fomentam a resiliência, promovendo significado, propósito e bem-estar espiritual” e especifica que “reflexões espirituais não empregam linguagem religiosa específica, incluindo referências a Deus, etc”. A determinação afeta desfiles militares, cerimônias de troca de comando, comemorações históricas e outros eventos oficiais.

Importante ressaltar que esta proibição se estende a capelães de qualquer denominação, voluntários, estudantes, trabalhadores temporários, contratados e funcionários do Ministério da Defesa Nacional. Fora desses eventos, a prática religiosa permanece irrestrita: os capelães continuam a servir e as orações confessionais são permitidas em serviços religiosos voluntários e funerais.

Proibição afeta de desfiles a funerais e alcança voluntários da Defesa

Através de uma declaração assinada por Dom Scott Cal McCaig, o Bispo do Ordinariato Militar do Canadá anunciou que precisa de tempo para estudar o texto final antes de tomar uma posição formal, mas já prevê algumas objeções. A primeira é que o documento impõe aos capelães que omitam referências religiosas, exigência tida como contrária a convicções e à consciência sinceras, pois, segundo Dom McCaig, “não se pode separar ‘significado, propósito e bem-estar espiritual’ de ‘Deus’”.

Outra objeção apresentada pelo Ordinário é que a instrução se baseia numa premissa falsa: “o fato de alguns sistemas de crenças não professarem a existência de Deus, ou de qualquer outra fonte divina, não os torna neutros”. De acordo com o religioso, “não existe reflexão sobre significado, propósito e bem-estar espiritual sem pressupostos filosóficos e religiosos. Não cabe ao Governo arbitrar entre eles. Isso é o oposto da neutralidade do Estado”. O Bispo conclui afirmando que a instrução “não é neutra nem inclusiva”.

Resgate do Iluminismo e o renovado interesse pela fé entre os militares

Declarando-se disposto a continuar negociando, por acreditar que ainda existem pessoas em instituições estatais dispostas a ouvir e reexaminar a diretriz, Dom McCaig recorda que “o Iluminismo fez promessas: livre-se de Deus e você terá mais liberdade, mais alegria e mais realização. O oposto aconteceu”. Destacando perceber entre os militares canadenses um renovado interesse em Deus e na prática da Fé, o prelado concluiu citando G.K. Chesterton que dizia que: “a Igreja morreu muitas vezes, mas tem um fundador que sabe como ressurgir das cinzas”. (EPC)

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas