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Filosofia, Catecismo, Eleições

Em vésperas de eleições, um desabafo público.

Redação (01/10/2022 10:23, Gaudium Press): “Futebol, religião e política não se discutem”. Há alguém no Brasil que desconheça essa “convenção social”? Pois bem, diante do tabu, eu pretendo rompê-lo.

Campanhas políticas

Nestes dias que antecedem as eleições, quem tomasse a deliberação de abster-se da situação política nacional faria o papel de excêntrico. Não serei um deles.

As televisões e os rádios nos saturam com seus horários de propaganda eleitoral obrigatória; periódicos parecem não achar outra matéria; nas redes sociais, chego a pensar que todos meus contatos estão enriquecendo enquanto cabos eleitorais. Mas, para piorar, recebo uma mensagem de minha tia, Amélia, que continha todo o projeto de governo de seu candidato preferido, do qual – tenho certeza – ela sequer sabe o significado da metade.

Paro por aqui, pois todo brasileiro já tem sentido na pele esse quadro.

É-nos, portanto, impossível a indiferença. Mas então, qual posição tomar?

Uma reflexão

Advirto o leitor de que meu objetivo está longe de ser um jogo de bingo, indicando números de chapas sem fim. Pelo contrário, a meta é questionar o que há de errado nesse quadro da política nacional.

Nesta esteira, lembro-me das longínquas aulas de filosofia do ensino médio – elas de fato podem servir para alguma coisa… O que pensariam os antigos gregos diante de tudo isso que vivemos? Indubitavelmente rotulariam: demagogia. É o que verificamos nas reivindicações febricitantes e ululantes que inundam estas campanhas. Algumas delas mais voltadas à quimera da liberdade absoluta, desleixam o bem comum em prol do bem de uns pouco, mas quase todas são de um conteúdo espantosamente vazio.

Diante desse desolador cenário, foi então que resolvi passear em meio aos livros para diluir um pouco a amargura. E tão logo, atinei-me com aquele vade-mécum de capa amarela rútila a brilhar na prateleira da biblioteca: o Catecismo da Igreja Católica. A sabedoria de seus ensinamentos nunca decepciona, e como um “clic”, acendeu-se uma lâmpada para minhas elucubrações.

O real problema

Abrindo-o, deparo-me com um valoroso preceito: sem as luzes do Evangelho a respeito de Deus e do Homem, as sociedades facilmente se corrompem (cf. CIC 2257).

Assim, pois, esboçou-se a questão: de todas as tentativas para cativar o público votante, qual delas tem como cerne a doutrina de Cristo? E o que mais impressiona: por que os cristãos – esmagadora maioria nos votos – não exigem que isso seja feito?

Onde está a Igreja diante disso? Longe de querer misturar o poder espiritual com o político, só não quero desacreditar o papel de influência (e condução) que essa sagrada Instituição possui. Aquele fervor católico que contagiava os pleitos da infância da República parece ter adormecido… E sem as diretrizes dos dignos representantes do próprio Corpo Místico de Cristo, resta-nos, com os olhos turvados, lamentarmos com Leão XIII: “tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados”. [1]

Entretanto, nunca perderemos as esperanças. Há ainda tempo para repensar as escolhas.

Rezemos para que a Graça Divina se digne iluminar o povo brasileiro a melhor eleger o futuro desta Pátria Amada, onde o Cruzeiro resplandece no mais alto do céu e no mais profundo dos corações.

Por Gabriel Lopes

[1] Encíclica Immortale Dei, de 1 de nov. de 1885. Bonne Presse, Paris, v. 2, p. 39.

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