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Filho, eu te amo tanto!

Tudo o que precisamos compreender para evitar o mal e trilhar a senda do bem é que Deus nos ama tanto, tanto, tanto que, mesmo que não consigamos nos livrar do pecado e pedir perdão, até o último momento Ele esperará por nós.

Redação (13/11/2022 09:32, Gaudium Press) Podemos dizer muitas coisas a respeito da Sagrada Escritura e, sem dúvida, uma delas é que se trata de uma obra que atravessou milênios, provocando controvérsias. Embora tenha o formato de um livro, a Bíblia é uma coleção de livros, com os quais culturas e pessoas oscilam, indo de uma relação de amor a uma relação de ódio, passando pelo temor, pela admiração, pela fruição da leitura e pela Redenção.

Ao longo do tempo, muitas tentativas foram feitas para destruir esta obra ou ao menos para desacreditá-la. Atribuir a sua origem aos homens, tirando dela o caráter de revelação divina, foi – e continua sendo – uma dessas infrutíferas tentativas.

O filho pródigo

Muitas pessoas gostariam que a Bíblia não dissesse muitas coisas que diz. Teme-se aquilo que se compreende e mais ainda aquilo que é velado e que não se compreende.

E de todo o conjunto das Escrituras Sagradas, nenhuma parte causa tanto escândalo quanto o Novo Testamento, o Evangelho pregado e vivido por Nosso Senhor Jesus Cristo. O Evangelho é revelador e libertador, mas é também indigesto e incômodo e, para muitos, seria um alívio se algumas passagens fossem suprimidas, como por exemplo, a do filho pródigo.

Entra ano e sai ano, entra século e sai século e continuamos nos comportando como o irmão do filho pródigo, demonstrando indignação e descontentamento diante do perdão oferecido pelo pai ao filho que dilapidou a sua parte da herança e não teve outra alternativa senão voltar para casa.

Dentro da nossa visão limitada, o pai até poderia ter aceitado o filho de volta, mas não sem antes ter-lhe jogado na cara todo o mal que ele causou a si mesmo e aos outros com a sua irresponsabilidade. É certo que, se tivéssemos que escolher entre os dois irmãos, escolheríamos aquele que ficou ao lado do pai, trabalhador e bem-comportado. Por isso, se torna difícil aceitar que a aparente escolha do pai, tenha recaído sobre o filho “mau”.

Essa parábola é uma das maiores demonstrações do poder do arrependimento e do perdão, e deveria não só nos incentivar a abrir a nossa alma para Deus ao menor pecado que cometemos, mas também a não termos vergonha de voltar para Ele depois dos grandes pecados cometidos, verdadeiramente arrependidos.

Nós continuamos trazendo a força dessa parábola para os nossos dias, quando saímos por aí julgando as pessoas e nos revoltando com Deus por tê-las perdoado, acolhido e por lhes ter dado novas chances. Mas quem somos nós para condenar nossos irmãos? Quem somos nós para acreditar que podemos julgar os juízos de Deus?

Arrependimento sincero

Na semana passada, escrevi sobre a existência do inferno e sobre o fato apregoado por alguns sacerdotes e outros religiosos de que, se o inferno existe, ele deve estar vazio, porque Deus é misericordioso e bom e não quer que os seus filhos vão para a danação eterna.

Até uma importante autoridade constituída deu entrevista falando sobre isso, embasando seus argumentos na opinião de um grande santo católico, que teria dito, numa frase tirada do contexto, que o inferno está vazio.

O desejo de Deus, certamente, é o de que nós evitemos o caminho da perdição e a precipitação de nossas almas no inferno, e a única maneira de evitar que isso aconteça, segundo os ensinamentos de Jesus, transmitidos pelos Evangelhos, é através do arrependimento sincero e da contrição verdadeira. Deus só pode perdoar quem a Ele pede perdão e só Ele conhece o estado de alma de quem lhe faz esse pedido. E, além de pedir perdão a Deus, precisamos ter a disposição de permitir que Ele nos perdoe e aceitar que Ele perdoará também a muitos outros, dentre os quais alguns que nós mesmos não perdoamos.

Há algum tempo, ouvi uma música que me chamou a atenção e que volta à memória com certa frequência, principalmente quando me recolho para fazer as minhas orações.

Embora tenha sido gravada por cantores católicos, seu compositor professa outra religião. Na gravação original, antes de iniciar a canção, ele narra alguns fatos de sua vida, relatando o seu envolvimento com o pecado e confessando que demorou para entender por que Deus o escolheu, a despeito de todas as suas falhas. No refrão da música, ele pergunta “Deus, por que me queres tanto assim?” e a resposta de Deus é “Filho, eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto…”

Podemos até não nos dar conta disso, contudo, muitas vezes, igual ao irmão do filho pródigo, nós nos ressentimos e nos afastamos de Deus apenas pela sua infinita capacidade de perdoar e amar àqueles que não admiramos e não gostamos.

Acreditar que, por ser justo, Deus não perdoa a quem se arrepende sinceramente, sobretudo, quando se trata de pessoas que nos fizeram sofrer, é a mesma coisa que acreditar que, por Ele ser misericordioso, o inferno está vazio.

Tudo o que precisamos saber está na Bíblia, gostemos ou não, e tudo o que precisamos compreender para evitar o mal e trilhar a senda do bem é que Deus nos ama tanto, tanto, tanto que, mesmo que não consigamos nos livrar do pecado e pedir perdão, até o último momento Ele esperará por nós. Mas esperará e estará disposto a perdoar também os nossos desafetos, porque os desígnios do Pai, nossa ciência jamais conseguirá alcançar.

Por Afonso Pessoa

 

 

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