Família denuncia eutanásia irregular de idosa cristã no Canadá
“Ela não deu consentimento final”. Brigitte Stegemann, de 83 anos, faleceu no dia 10 de julho por meio de eutanásia no Canadá. Mas a família afirma que tudo ocorreu de forma irregular.

Foto: Facebook
Redação (22/09/2026 10:45, Gaudium Press) Brigitte Stegemann, de 83 anos, conhecida carinhosamente pela família como “GG” ou “Oma”, morreu no dia 10 de julho passado, no asilo The Pearl, em Cannifton, Ontário, Canadá, após receber a Assistência Médica para Morrer (MAiD, na sigla em inglês). Segundo o relato exclusivo da neta Brigitte Kranendonk ao Daily Mail e depoimentos públicos da família, a idosa — cristã devota de origem alemã, segunda mais nova de 14 irmãos — nunca deu um consentimento final claro e o processo esteve marcado por irregularidades graves. A família já denunciou o caso à Polícia de Belleville, as autoridades de saúde de Ontário.
Stegemann havia sido diagnosticada em fevereiro com câncer de estômago em estágio 4, considerado incurável. Meses antes da morte, ela rejeitou explicitamente a MAiD. Quando a neta, que cuidou dela por 12 anos e era sua representante legal para cuidados pessoais há seis anos, explicou o procedimento, a avó respondeu sem hesitar: “Não, não quero isso”. A decisão se baseava na fé cristã: ela considerava a eutanásia incompatível com suas crenças e desejava morrer naturalmente.
Em fevereiro, após a colocação de um acesso médico (dispositivo subcutâneo para administrar medicamentos), a idosa o arrancava repetidamente gritando: “Não quero a injeção da morte!”. Segundo a família, ela sofria de perda auditiva severa (surda de um ouvido e com audição muito limitada no outro), inglês não era sua língua materna e apresentava períodos de confusão e letargia.
Confusão antes do procedimento
No início de julho, enquanto Kranendonk estava de viagem, a equipe do asilo reiniciou conversas sobre MAiD com Stegemann sem informar a representante legal. Em 3 de julho, a neta recebeu uma ligação inesperada: o asilo planejava uma avaliação de MAiD porque a saúde da avó teria se deteriorado rapidamente. Kranendonk questionou uma enfermeira sobre quem iniciou o assunto. A resposta foi defensiva: “Só estou tentando defender os interesses dela. Só tento fazer o que é certo para ela”. A neta afirma que ninguém a consultou previamente, apesar de anos de cuidados diários.
Sobre a suposta deterioração da saúde da avó, Kranendonk discorda: “Quando voltei, ela ainda comia, ia ao banheiro andando, falava muito e fazia muitas brincadeiras. Nunca se queixou de dor na minha frente, a não ser quando pressionavam o estômago insistentemente”.
Na segunda avaliação de MAiD, Kranendonk esteve presente. O médico (identificado em relatos da família como a Dra. Catherine Louise Koester) usou termos vagos, evitando as palavras “morte” ou “morrer”. Explicou: “Vamos administrar medicamentos e a senhora se sentirá em paz. E só quero que saiba que não vai evacuar”. A neta interveio: “Ela não está entendendo o que a senhora está dizendo”. Mesmo assim, a idosa foi considerada apta. Em um teste cognitivo, segundo a família, Stegemann errou todas as perguntas — inclusive afirmando que seus dois irmãos ainda vivos estavam mortos (ela tinha 13 irmãos no total).
Dois dias antes do procedimento, Kranendonk falou diretamente: “A senhora sabe que vai morrer na sexta-feira?”. Stegemann reagiu com incredulidade, chorou inconsolavelmente por cerca de 45 minutos e repetiu: “Cometi um erro”. A família relata ainda que a data da morte foi marcada antes da conclusão da documentação oficial e que formulários foram preenchidos e testemunhados por funcionários do próprio asilo, sem a presença da representante legal.
A manhã da morte: relato dramático
Na manhã de 10 de julho, a família passou um momento tranquilo no jardim: comeram sorvete de morango (o favorito de Stegemann) enquanto um pastor orava. Noventa minutos antes do horário previsto, uma enfermeira — sem luvas, segundo o relato — não conseguiu encontrar a veia correta no braço direito para inserir o cateter intravenoso e passou para o esquerdo. A roupa da idosa ficou coberta de sangue, e também o travesseiro e os lençóis; a enfermeira chegou a entregar materiais para a família segurar.
Quando a médica chegou e perguntou se Stegemann concordava em receber “o medicamento”, a idosa não abriu os olhos, não assentiu e não pronunciou palavra alguma. As mãos permaneciam entrelaçadas em atitude de oração. Mesmo assim, o procedimento seguiu. Em menos de dez minutos, Stegemann estava morta, coberta com o seu próprio sangue.
Kranendonk afirma Kranendonk afirma que os profissionais envolvidos na MAiD poderiam ter agido por motivos ideológicos, aproveitando-se da vulnerabilidade de sua avó. “Era um ser humano vulnerável, e viram uma oportunidade”. Destaca que era a primeira vez que o The Pearl realizava um procedimento de MAiD, o que pode ter contribuído para falhas de protocolo. A família não conseguiu transferir a idosa para outro local por dependência de cuidados médicos constantes e dificuldade de acesso no sistema canadense. Até hoje, relatam dificuldades para obter os registros médicos completos.
Investigações em curso e a MAiD no Canadá
A Polícia de Belleville confirmou que o caso está aberto e sob investigação da Divisão de Investigações Criminais, sem dar mais detalhes. A família apresentou queixa formal ao Escritório forense de Ontário, pedindo revisão pela equipe de análise de mortes por MAiD sob três argumentos principais: falta de capacidade de consentir, desrespeito ao poder notarial médico e ausência de consentimento final expresso.
Nem o asilo The Pearl nem os profissionais envolvidos fizeram declarações públicas. Fontes próximas indicam que eles sustentam que Stegemann concedeu consentimento conforme a lei. É importante ressaltar que, até o momento, os detalhes do relato familiar não foram verificados de forma independente; a reconstrução dos fatos se baseia no testemunho dos parentes presentes e em denúncias apresentadas.
O Canadá legalizou a MAiD em 2016. Desde então, o programa se expandiu significativamente e tem gerado controvérsias internacionais, com relatos de casos envolvendo pessoas vulneráveis, deficiências ou dificuldades de acesso a cuidados paliativos. Críticos apontam riscos de pressão sutil sobre idosos e doentes. O caso de Brigitte Stegemann se junta a uma série de denúncias que questionam se as salvaguardas legais estão sendo aplicadas de forma rigorosa, especialmente em relação à capacidade mental, consentimento informado e participação de representantes legais.
A família de Stegemann continua buscando respostas e responsabilização. “Eu não pedi uma medida cautelar judicial a tempo porque não sabia que era possível”, lamenta Kranendonk. Enquanto as investigações seguem, o episódio reacende o debate global sobre os limites da eutanásia e a proteção dos mais vulneráveis.
Com informações Daily Mail





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