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Faleceu Irmã Eva, a religiosa que curava com fé e improvisação

A Igreja e povo filipino choram a morte da Irmã Eva Fidela Maamo, a religiosa cirurgiã que operava à luz de uma lanterna, substituindo dextrose por água de coco.

Foto: Our Lady of Peace Hospital/ Facebook

Foto: Our Lady of Peace Hospital/ Facebook

Redação (18/04/2026 09:24, Gaudium Press) A Igreja Católica e todo o povo das Filipinas estão de luto pela morte da Irmã Eva Fidela Maamo, religiosa e cirurgiã que dedicou sua vida aos mais pobres e excluídos. A missionária faleceu no dia 14 de abril de 2026, aos 85 anos, deixando um legado de compaixão, coragem e serviço incansável que marcou profundamente o país.

Missionária incansável, comprometida com o sofrimento humano, Irmã Eva era uma figura querida não apenas dentro da Igreja, mas em toda a sociedade filipina. A Fundação Ramon Magsaysay, que lhe concedeu em 1997 o prestigioso prêmio considerado o “Nobel asiático”, destacou que a nação perde um de seus maiores exemplos de serviço aos pobres. “Sua vida foi um testemunho extraordinário de assistência humanitária e atenção médica criativa, corajosa e total, mesmo nas circunstâncias mais difíceis”, afirmou a instituição.

A cirurgiã que improvisava para salvar vidas

Uma das imagens mais marcantes de sua trajetória foi a capacidade de improvisar em regiões rurais sem qualquer infraestrutura médica. Em várias ocasiões, a irmã Eva realizou cirurgias à luz de uma lanterna e substituía dextrose por água de coco — um gesto simples, mas poderoso, que se tornou símbolo de sua dedicação aos mais necessitados.

Membro da Congregação das Irmãs de São Paulo de Chartres, ela se ofereceu como voluntária em 1974 para fundar uma missão médica às margens do lago Sebu, em Mindanao, no sul das Filipinas. Ali, atendeu comunidades indígenas como os t’boli, manobo e outros povos das montanhas, que não tinham acesso a nenhum serviço de saúde básico.

Em 1986, fundou a Missão de Nossa Senhora da Paz (Our Lady of Peace Mission), da qual partiu uma ampla rede de atendimento. A religiosa criou clínicas gratuitas em dez comunidades carentes, alimentou crianças desnutridas, abrigou jovens de rua e mulheres vítimas de violência, e implantou programas de sustento que devolveram dignidade a milhares de pessoas.

Além da medicina: liderança que transformava vidas

Sua atuação ia muito além da medicina. A Irmã Eva promoveu programas de microcrédito e geração de renda para famílias pobres, criou refúgios para mulheres vítimas de abuso e meninos de rua e implantou bolsas de estudo que permitiram a centenas de jovens acessar a educação.

Quem trabalhou com ela lembra de seu caráter firme e de uma liderança baseada no exemplo. “Ela não mandava: ela ia na frente”, relatam voluntários que, inspirados por sua energia, conseguiam realizar cirurgias exaustivas em condições precárias. A Fundação Ramon Magsaysay ressaltou que sua vida provou que “a compaixão, quando se torna concreta e corajosa, é uma forma de construir a nação”.

Uma vida marcada pelo serviço em meio a desastres

Nascida em 17 de setembro de 1940 em Liloan, na província de Leyte do Sul, Eva estudou medicina na Faculdade Vélez, em Cebu, e inicialmente trabalhou na clínica da família. Porém, sua vocação missionária a levou a atender emergências e desastres naturais por todo o país.

Nos anos 1990, coordenou equipes médicas em áreas devastadas por terremotos e inundações. Após a erupção do Monte Pinatubo em 1991, liderou um projeto de reassentamento integral para centenas de famílias deslocadas, ajudando-as a reconstruir não apenas casas, mas suas vidas.

Quatro vezes por ano, organizava missões médicas em regiões remotas do país. Nessas jornadas, ela e sua equipe atendiam gratuitamente cerca de 40 mil pacientes. Realizavam cirurgias complexas — remoção de tumores, correção de lábio leporino, operações de catarata e tratamento de diversas doenças — em salas de cirurgia improvisadas, trabalhando do amanhecer ao anoitecer.

Um legado que continua vivo

A Irmã Eva Fidela Maamo deixa um belo testemunho de que a fé, quando unida à ação concreta, pode transformar realidades e levar esperança aos lugares mais esquecidos. Sua vida de serviço aos “menores dos meus irmãos” foi, nas palavras da própria fundação que a premiou, uma forma autêntica de construção nacional.

Nas Filipinas, sua memória já é celebrada como exemplo de santidade cotidiana: uma mulher pequena em estatura, mas imensa em espírito, que curava corpos e, sobretudo, encarnava plenamente o valor da misericórdia cristã.

Com informações asianews

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