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Extraterrestres e demônios

Discos voadores, vida em outros planetas, o que pensar?

Redação (22/01/2021 11:46, Gaudium Press) O tema discos voadores, vida extraterrestre, ou simplesmente a vida além da Terra está de volta aos holofotes da grande mídia nestes últimos dias.

O assunto desperta também o renovado interesse dos estudiosos cristãos. Por exemplo, a Sociedade de Cientistas Católicos nos EUA prepara, para junho, um simpósio em Washington sobre quais seriam as relações de possíveis seres extraterrestres com Deus e como a humanidade é chamada a se relacionar com eles. O título do simpósio é “Extraterrestres, IA e Mentes Além do Humano”.

A partir do resumo sobre o congresso feito pela CNA, tiramos várias conclusões e, entre elas, a de que vários cientistas foram contagiados pela “moda” extraterrestre:

“Acho que se você fizer uma pesquisa com os cientistas, a grande maioria diria que é muito provável que exista vida em outros lugares do universo e talvez de forma muito abundante”, diz Karinb Oberg, professora associada do departamento de astronomia de Harvard, uma convertida ao catolicismo. Ela não se refere especificamente aos cientistas católicos, mas pode-se esperar que isso também ocorra neste digno grêmio, e se assim for, explicaremos como esta moda os contagiou.

Alguns clérigos parecem ter sido também contagiados, por exemplo, o ex-diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, o jesuíta argentino José Gabriel Funes, que disse há alguns anos que se pode “acreditar em Deus e nos alienígenas”. Ele também disse que “o extraterrestre é meu irmão.” Claro, uma moda não é necessariamente uma heresia. Com frequência é, mas nem sempre.

Mas vamos aos dados católicos.

Não há doutrina católica direta estabelecida a esse respeito.

No entanto, é claro que se houvesse vida inteligente em outros lugares do universo, esta estaria sujeita ao único Deus verdadeiro, que é Uno e Trino, cuja Segunda Pessoa se encarnou em Jesus Cristo. Isso não pode ser mudado por qualquer descoberta científica. Como também nenhuma descoberta científica pode mudar qualquer ponto da fé católica. Muitos já quiseram fazê-lo no passado, com esperanças vãs e resultados ineficazes.

Em um universo tão grande, como pensar que somos os únicos?

Mas, (e eu uso aqui um argumento do Jesuíta Funes) tendo cem bilhões de galáxias, cada uma com cem bilhões de estrelas, “como se pode excluir que a vida também não tenha se desenvolvido em outro lugar?”

Esse mero raciocínio é muito simplório e pode revelar certa causalidade não inteligente, portanto não católica.

Que deveria haver vida em outro lugar pelo mero fato do universo ser gigantesco, é não pensar que Deus pudesse ter outros fins para este grandioso universo além de abrigar vida, como, por exemplo, servir de distração para os anjos ou bem-aventurados, agora ou durante a eternidade.

Quando dissemos que o mero argumento pode revelar uma causalidade não católica, pareceria pressupor que a vida é o resultado de um mero acaso e, assim, quanto maior o universo, maior a chance de gerar vida e, posteriormente, vida inteligente. No entanto, no universo não há nada ao acaso, mas sim a Providência de Deus.

Contudo, por que Deus não poderia ter querido com sua vontade positiva que houvesse vida inteligente em galáxias distantes? Nada parece ser categoricamente oposto a essa possibilidade.

Entretanto, não parece plausível.

Porque a Segunda Pessoa Divina não Se encarnou em um extraterrestre, mas na humanidade divina de Cristo, que é Rei e Senhor de todo o Universo, não só do planeta Terra ou do sistema solar. E essa Encarnação dignificou o gênero humano e elevou sua condição a uma estatura que beira a dignidade natural da “vida inteligente” angélica e pode até superá-la pelos dons da graça, conquistados por Jesus Cristo.

Esta dignificação incluiu a exaltação de Nossa Senhora, canal de todas as graças. Se imaginarmos “vida inteligente” em outras galáxias, teríamos que imaginar que seria uma vida inteligente chamada a participar da graça divina, da qual Nossa Senhora é Medianeira. Nossa Senhora, Mãe de Deus, seria a mãe da graça para esses extraterrestres, mas uma mãe um tanto alheia, que não pertenceria ao seu gênero, e que eles poderiam sentir como um canal necessário forçado para alcançar seu fim.

Inevitavelmente, se fossem seres inteligentes, teriam que ter liberdade, e essa liberdade teria sido posta à prova, assim como a liberdade de Adão e Eva. E nessa prova, poderiam ter triunfado ou não.

Se eles tivessem vencido a prova, seriam uma comunidade tão perfeita que normalmente teriam alcançado um altíssimo grau de civilização e técnica, que não se entende o porquê de não ter se manifestado antes aos homens, por exemplo, para “nos ajudar” em nossos problemas.

E se eles não tivessem sucesso, é forçoso pensar em um redentor deles que tivesse natureza humana, pois é precisamente a natureza humana de Cristo que estabelece essa ponte restauradora entre o homem e a Divindade. Um redentor com a natureza humana de uma criatura não-humana é como imaginar um gato xadrez. É apelar muita à imaginação.

Mas continuemos a imaginar uma comunidade perfeita, de seres inteligentes também com composto material, uma comunidade não humana que não teria “precisado” da Redenção de Cristo. Essa sociedade “perfeita” não estaria longe do argumento central da história – não só da Terra, mas de todo o Universo – que é a Encarnação de Deus, e a ação dos anjos – maus e bons –, alguns para perder homens e outros para salvá-los e levá-los a ocupar no céu os tronos dos caídos no inferno? Eles seriam como atores coadjuvantes, excelentes atores, mas que apenas merecem aparecer fugazmente no filme.

É como se Deus lhes dissesse algo assim: Eu me encarnarei, farei as coisas mais maravilhosas do Universo, mas tudo isso vai acontecer em um cenário diferente do seu, não se incomodem com isso.

Não, não faz sentido.

É claro que no campo da imaginação, das possibilidades e das tramas, podemos nos perder quase para o infinito. Além disso, muitas das coisas que circulam hoje sobre a possibilidade de vida extraterrestre, quando analisadas, não passam de desejos de ‘moda’ até mesmo para cientistas, sem sustento na realidade.

Cuidado em abrir a porta para o preternatural

Mas há uma coisa que é muito real: a possibilidade da ação do demônio sob a roupagem de “extraterrestre”. Disso sim ainda não se tem falado o suficiente…

Lembremos que o poder do demônio “é simplesmente formidável. Não nos esqueçamos de que demônios são anjos, embora maus: eles conservam íntegra sua natureza angélica com todo o seu imenso poder”.[1] Entre outras coisas, se Deus permitir, o demônio pode “mover nossos sentidos externos ou impressionar nossa imaginação com fantasmas ou representações”.[2] “Essa impressão pode ocorrer devido ao movimento local de coisas externas ou de nossos humores corporais, e a natureza corporal obedece ao anjo enquanto seu movimento local, como explica São Tomás (Cf. I, 110, 3; 111,3)”.[3]

Ou seja, os demônios conservam o poder dos anjos sobre a matéria corporal, e podem montar ‘bonecos’ de diferentes formas: dar forma a extraterrestres, dar vida e outras coisas do gênero.

Abundam histórias de aparições alienígenas – e hoje mais no ciberespaço – por exemplo, para comunidades meio hippies ou avançadas, comumente situadas em áreas longe das grandes cidades. Deus pode perfeitamente permitir ao demônio agir sobre certas pessoas, que, não tendo atendido aos apelos da graça, se abrem para a ação diabólica que pode vir sob as roupagens de “alienígenas”.

Algo análogo pode ser dito de um mundo que, caminhando há tempos pelas vias do paganismo e da rejeição à tradição cristã, está cada vez mais flertando com o preternatural.

De fato, ateu em estado ‘puro’ normalmente não existe, mas sim o homem que, ou se abre a Deus ou acaba se tornando um escravo do demônio.

Muitas das representações que circulam por aí com alienígenas de formas horrendas ou grotescas dão indícios de que, no fenômeno OVNI, o que se oculta é o inimigo de sempre, o inimigo do homem, o inimigo de Deus.

Vamos ver como esse fenômeno evolui. De qualquer forma, Deus nunca vai desamparar seus fiéis e acabará esclarecendo-os.

Por Saul Castiblanco


[1] Royo Marín, A. Teologia da Salvação. Bac. Madrid. 1997. p. 74.

[2] Ibid.

[3] Royo Marín, A. Teologia da Perfeição Cristã. BAC Madrid. 1994. 7ª edição. p. 905.

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