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Exorcistas destacam o papel de Nossa Senhora e da música sacra nos exorcismos

“Quanto mais sacra for a música, mais intimamente ela estará ligada à ação litúrgica, pois prefigura a liturgia na Jerusalém celestial: desde os salmos até o canto gregoriano e os cantos populares em honra da Virgem”.

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Redação (09/10/2026 09:35, Gaudium Press) De 21 a 25 de setembro de 2026, realizou-se no centro de conferências “Fraterna Domus”, em Sacrofano, localidade próxima a Roma, a XV Conferência Nacional Italiana da Associação Internacional de Exorcistas (AIE). O evento reuniu cerca de 120 sacerdotes exorcistas e auxiliares, que analisaram a importância da Virgem Maria e da música sacra nos exorcismos, além de apresentarem casos concretos de possessão.

Os trabalhos foram abertos pelo presidente da AIE, Dom Karel Orlita, pelo vice-presidente, padre Francesco Bamonte, e pelo coordenador da secretaria de língua italiana, padre Piermario Burgo. A associação, que presta serviço à Igreja, apoia a formação inicial e permanente dos exorcistas, o discernimento, o uso do ritual vigente e o acompanhamento pastoral de pessoas que sofrem por ação extraordinária do maligno, para que recuperem liberdade, dignidade e esperança em Cristo, o Senhor que liberta.

Maria, essencial na vida da Igreja

O mariólogo padre Salvatore Perrella, sacerdote dos Servos de Maria e ex-decano da Faculdade Teológica Pontifícia Marianum, de Roma, destacou a importância da Mãe de Deus nos exorcismos. Ele ressaltou sua presença e “constante enraizamento na Palavra de Deus, já que Maria está intimamente envolvida no coração do mistério da Encarnação”.

A Virgem, continuou o sacerdote, “viveu e serviu com fidelidade, inteligência e sobriedade o papel de colaboradora da Trindade na salvação e na glorificação escatológica dos ‘filhos dispersos de Deus’”. Maria, essencial na vida da Igreja, é quem intercede e roga para que o bem triunfe sobre o mal.

Salmos, canto gregoriano e cânticos marianos

Sobre o papel da música nos exorcismos, falou o Pe. Giuseppe Grassi, exorcista e diretor do Escritório de Música Sacra da Arquidiocese de Brindisi-Ostuni. “A música e o canto sagrados estão profundamente vinculados às alturas do ministério angélico e, portanto, podem ser utilizados proveitosamente no ministério do exorcismo”, sublinhou o sacerdote.

“Quanto mais sacra for a música, mais estreitamente estará conectada à ação litúrgica, pois prefigura a liturgia na Jerusalém celestial: desde os salmos até o canto gregoriano e os cânticos populares em honra da Virgem”, precisou.

Formação contínua e devoção a Maria

Na conferência, foram apresentados casos concretos de libertação. Frei Benigno Palilla, exorcista da Arquidiocese de Palermo, relatou o caso de uma jovem possuída pelo demônio, libertada após dois anos e meio. “Seu sofrimento é comum entre as gerações mais jovens, muitas vezes causado pelo afastamento dos sacramentos, pelo ateísmo, por sessões espíritas e práticas ocultistas. As tribulações da jovem alimentaram uma profunda agressividade nas relações com os outros e um ódio a si mesma que culminou em pensamentos suicidas”, informou a AIE.

“Frei Benigno enfatizou que a libertação definitiva da mulher ocorreu na memória litúrgica de São Pio de Pietrelcina, e seu coração se encheu de grande paz interior depois de ter entregado completamente sua vida a Deus. Sua felicidade era tão transbordante que tudo parecia renovado por seu recém-descoberto amor à vida”, acrescentou.

O Pe. Angelo Barra, exorcista da Diocese de Salerno, compartilhou o caso de uma jovem vítima de violência doméstica que, ao voltar de uma viagem, começou a se queixar de fortes dores iniciadas durante uma Missa. “A simples leitura, pelo sacerdote, de trechos do capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos revelou a extraordinária obra do demônio, desencadeando um terremoto interior nela”, indicou a AIE. “As bênçãos, junto com o apoio espiritual de duas comunidades católicas na África, propiciaram a libertação da jovem, que revelou ter sido vítima de uma consagração ritual por uma seita no local que havia visitado”.

Já o padre Michele Tenzon, antigo exorcista da Diocese de Sanremo-Ventimiglia, recordou o caso de uma mulher sul-americana “oferecida aos espíritos” por seus familiares. Nesse episódio e na vida dos exorcistas, frisou o sacerdote, é fundamental manter uma vida cristã autêntica, a formação contínua no ministério e a intercessão da Virgem Maria na oração.

União com Cristo para derrotar o demônio

Vários dos exorcistas presentes recordaram o Pe. Gabriele Amorth, famoso exorcista da Diocese de Roma e fundador da AIE, falecido em 16 de setembro de 2016, que realizou dezenas de milhares de exorcismos. O encontro coincidiu com o décimo aniversário de sua morte.

O Pe. Francesco Bamonte, vice-presidente da AIE, lembrou seu legado e seus primórdios ao lado do Servo de Deus padre Candido Amantini, exorcista da Escada Santa. Com ele, disse Bamonte, “o Pe. Amorth compreendeu que, para um exorcista iniciante, simplesmente ser nomeado pelo bispo e receber o ritual não era suficiente. Era como um cirurgião inexperiente. Daí a necessidade das conferências, cursos e sessões de formação periódicas promovidas pela Associação”.

O Pe. Aldo Buonaiuto, exorcista da Diocese de Roma, recordou as advertências de Amorth sobre decisões e atitudes que expõem a pessoa à ação extraordinária do demônio: situações perigosas do ocultismo, desde a fascinação pelo sobrenatural até a ambição pessoal; desde uma possível predisposição interna até a desvalorização dos afetos.

Por fim, o Pe. Marcello Lanza, da Diocese de Acerra, ressaltou “o componente místico na vida, vocação e ensinamentos do Pe. Amorth, entendido como um processo de conformidade com Cristo. Isso tem grande importância na prática exorcista, pois se o ministério se une misticamente ao Libertador, que é Cristo, o demônio é ainda mais derrotado”.

A conferência reforçou, assim, que o combate ao mal exige não apenas o ritual, mas uma vida profundamente unida a Cristo, com o auxílio indispensável de Maria e da oração da Igreja.

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