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Esclarecer, ouvir e julgar: encargos da Igreja e do Estado

Em face dos repetidos ataques contra os Arautos do Evangelho, serão ouvidas ambas as partes?

Redação (03/05/2022 08:26, Gaudium Press) Anos atrás, a TV Globo difundiu uma série de imponderadas notícias contra os Arautos do Evangelho. Em recentes publicações, tanto a Globo quanto a TV Record decidiram retomar temerárias e inconsequentes acusações contra a Associação.

Em concreto, o que tais veículos midiáticos fazem é sugerir a incompetência e (ou) a improbidade das autoridades constituídas que se dedicaram à elucidação do caso, postura que merece veemente censura.

Censura, de um lado, porque as reportagens agora propagadas pelas emissoras Globo e Record, – ambas ditas exclusivas sobre a mesma matéria, em dias diferentes fazem, uma vez mais, transpirar adversidade gratuita contra o apostolado que os Arautos do Evangelho prestam à Igreja.

Censura, por outro lado, porque não poucas informações foram transmitidas de maneira unilateral, ou ainda, tergiversadas.

Contudo, a Associação viu-se compelida pelas circunstâncias a ter de providenciar pareceres e respostas às investigações movidas pela Polícia e pelo Ministério Público, o que lhe valeu o meritório esforço de haver crescido em todos os quadrantes onde exerce seu labor evangélico, em especial no Brasil.

Novos ataques

Em se tratando das últimas reportagens, o alvo dos embustes gravita nos “colégios dos Arautos”. Conforme as divulgações, “o Vaticano teria obrigado o retorno das crianças e dos adolescentes – que vivem, segundo afirmam, sob o regime de internato – à casa dos pais”.

Ora, de acordo com o vídeo de esclarecimento divulgado pela Associação (30 de abril), na pessoa de seus representantes, o Pe. Alex Barbosa de Brito, EP, e, no tocante aos centros educacionais, o Dr. Marcelo Arruda (mediador extrajudicial e presidente da AMPARE[1]), “os colégios não são administrados pelos Arautos do Evangelho; são particulares. Ademais, não são internatos; mas sim entidades civis autônomas que, unicamente, fazem parte de um projeto educacional com a entidade, mediante matrícula feita pelos pais e/ou responsáveis dos mesmos adolescentes (e não crianças)”.

Além disso, ambas emissoras pretenderam ainda enfatizar – sem dúvida, à busca do sensacionalismo – certa liminar judicial, desfavorável aos “colégios dos Arautos”, pela qual os alunos, impossibilitados de retornarem diariamente para a casa, conforme declaram, devessem regressar aos seus domicílios até o final do semestre letivo (01 de julho).

No entanto, como explicado pelos advogados, em direito, liminar não se confunde com sentença de mérito. Nesta sim, o juiz analisa o cerne da questão, pelo que possui caráter de definitividade. Mas naquela não, ou seja, a liminar é uma medida temporária e provisória em que se garante o exercício de um direito, passível de perecimento; tal decisão liminar (do latim, liminares: relativo à soleira; inicial), pode ser revertida, visto que o juiz a verificou, ab initio, em seu convencimento particular.

Porém, os espectadores da TV Globo e da TV Record sabem disso? Tantum est tacere verum, quam et falsum dicere (Calar a verdade é o mesmo que mentir), reza o aforismo latino.

Todavia, segundo protesta o Dr. Marcelo Arruda, se não bastassem as mentiras contra a Associação católica, no que diz respeito aos colégios, nas mais variadas cidades em que os há, “não houve oitiva da outra parte: nenhum pai foi ouvido”.

Estariam calando a verdade?

Fato é que, seguindo a esteira da inconsequência, as reportagens reciclam depoimentos e argumentos desfavoráveis aos Arautos do Evangelho, já respondidos e explicados em anos anteriores.

Inconsistentes acusações

Por exemplo, dentre as confusas e desleais acusações que a Associação vem sofrendo, os difamadores sempre apontam para um suposto caso de abuso – explorado novamente pela Globo e pela Record.

Ora, há nota com citação de inquérito em que a delegada do caso e o Ministério Público investigaram e concluíram a absoluta inconsistência das acusações, tendo havido a determinação de arquivamento.[2]

Entrementes, a TV Record foi informada sobre tal documento e não quis divulgá-lo.

“Falta de matéria, ou falta de amor à verdade?! Ou as duas coisas juntas?!” Externou o representante dos Arautos do Evangelho, Pe. Alex.

Seja como for, em se tratando do caso acima exposto, a denunciação caluniosa está sendo julgada, e a pessoa que a fez, sendo agora processada.

Em resumo, a sequência dos fatos publicados, por ambas emissoras, confessa a parcialidade na pauta das reportagens, ora repetindo temas já divulgados, ora incrementando acusações desvinculadas entre si, alheias aos colégios (autônomos), para promover, no fundo, uma amálgama na cabeça daqueles que desconhecem a Associação.

Estariam, pois, calando a verdade?

Quanto aos demais temas divulgados pela Globo e pela Record – a devoção aos fundadores dos Arautos do Evangelho, o suposto racismo e o desprezo existente entre seus membros etc. –, abstenho-me de ocupar linhas desnecessárias sobre eles, matérias já esclarecidas amplamente.

Centenas de depoimentos de pais e mães favoráveis aos Arautos do Evangelho

A contrario sensu, notável prova da integridade da Associação é trazida – hélas, pelas mãos de seus desafetos – na mesma bandeja que contém as inverdades com as quais tentam depreciá-la, pois, à medida que recrudescem as difamações, ao responder e resistir a tais casos, ela prova sua probidade.

Com efeito, a Associação – seja do ponto de vista religioso ou civil – nunca obteve tantos depoimentos que a declarassem irreprochável: somam-se centenas! E, para aqueles que preferem esconder a verdade, esses depoimentos são de pais e mães, na grande maioria.[3]

Dessa maneira, a perseguição à Igreja, outra vez mais, semeará novos frutos de apostolado, concordes às palavras de Cícero: “Do mesmo modo que o fogo atirado na água imediatamente se apaga e esfria, assim, a calúnia atroz atirada numa vida muito pura e muito casta, imediatamente se desmoraliza e se destrói”.[4]

“Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc, 23, 34)

Por fim, o Pe. Alex Barbosa de Brito, EP, no mesmo vídeo de esclarecimento de 30 de abril, ao encerrar suas palavras, evocou o augusto exemplo de Cristo, distinguindo antes que “à Igreja está reservada a caridade e, ao Estado, a justiça”.

E a propósito da caridade, aclarou: “Caridade! É a capacidade de perdoar inclusive. Perdoar àqueles que pedem, perdoar àqueles que não pedem; perdoar àqueles que nos ofendem, seja por ódio, por ingratidão, seja por equívoco – a razão pouco importa –, se pedem perdão, fazemos como Jesus no alto da cruz, que perdoou o bom ladrão; e, se não pedem, perdoamos do mesmo modo, porque Ele disse ao ser crucificado: ‘Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem’”. (cf. Lc, 23,34)

E, no tocante à justiça, o Pe. Alex Barbosa de Brito, EP, pontuou que “ao Estado cabe a justiça; representada pela deusa grega Thêmis, filha de Urano, que tem uma balança na mão – a balança do equilíbrio, da equidade –, mas uma espada para decidir. Tem os olhos vendados, porque não olha para nenhum dos lados, mas os ouvidos abertos, porque sabe ouvir as duas partes”.

A tal propósito, bem poderíamos recordar aquela sentença de Ovídio, tantas vezes escondida pelos que não gostam da verdade: “Até os deuses têm suas leis”[5], e eles sabem ouvir a uns e a outros; os homens, porém, ainda as terão?

Por Bonifácio Silvestre


[1] Associação de Mães e Pais de Arautos estudantes.

[2] O suposto crime, por exemplo, já foi arquivado há quase um ano (21/05/2021), pois tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público (Inquérito Penal nº 1503101-98.2019.8.26.0197) atestaram absoluta inconsistência da alegação.

[3] Sobre isso, cf. carta do Dr. Hugo Cysneiros sobre o assunto, publicada no sítio eletrônico dos Arautos do Evangelho: https://www.arautos.org/secoes/nota-a-imprensa-301864

[4] “Ut ignis in aquam coniectus continuo restinguitur et refrigeratur, sic refervens falsum crimen in purissimam et castissimam vitam collatum statim concidit et exstinguitur”.

[5] “Sunt superis sua iura”.

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