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Entre liberdade e guilhotina, o lobo feroz

Diante do caos eminente, é através do auxílio da graça divina que o homem será capaz de vencer, apesar do lobo que avança…

Redação (17/11/2021 11:44, Gaudium Press) Reza certo provérbio latino que “tem virtudes de sobra quem ama as virtudes alheias”.[1] Neste sentido, os atos humanos podem ser comparados a certa corrente que une entre si diversas virtudes, ou, por outro lado, diversos vícios, pois que estes e aquelas cumprem andar sempre unidos, pois são indissociáveis.

Dessa sorte, as atitudes do homem refletem inequivocamente suas intenções, porquanto pode-se bem conhecer a índole destes e daqueles personagens pelos frutos de suas obras.

Recorde-se, por exemplo, o devastador golpe à liberdade por parte de seus protagonistas quando, em 17 de julho de 1794, promoveram a decapitação de 16 virgens do Carmelo de Compiègne, durante a Revolução Francesa: por se manterem fiéis à observância monástica e aos votos religiosos, foram decapitadas.

Malgrado a inofensiva vida dessas piedosas mulheres, cuja caça às ordens religiosas contemplativas era barreira para o desencadear dos acontecimentos monstruosos que se verificaram no referido período histórico, pois tais almas são esteio de bênçãos ao corpo místico de Cristo; para-raios da justiça divina,[2] atraindo para si o sofrimento que outros rejeitaram; heroicas no mais literal sentido da palavra, e fazendo de sua glória o tomar sob seus ombros as cruzes largadas ao longo da trilha que conduz ao céu, por desertores.

Se não bastasse esse reviver dos tempos do Terror em que os valores morais se encontram subvertidos, presentemente, outras perplexidades concernem até mesmo o santo e inocente Natal, tão próximo.

Das belas, alegres e piedosas imagens que vinham anualmente compor os presépios, tornando benfazeja nossas preces junto à sagrada família, estas parecem revestir-se de singularidade, isenta de traços cristãos, segundo o que se pode ver divulgado pela mídia.

Mas a graça e a inocência, antes, tão características do período que inaugura o advento do Menino Jesus, neste ano, não deixa de toldar as almas conscienciosas, quando aponta no horizonte as preocupações de uma guerra, seja pelas posições anti-migratórias da católica Polônia frente ao gigante Comunista que lhe é vizinho, seja em virtude do racionamento de gás na Europa, proveniente do solo russo.

Até quando estará em condições de paz a “fortaleza da Europa”, a Polônia? A pressão entre Bielorrússia, Ucrânia e União Europeia vem crescendo dia-a-dia, apesar de Macron apelar à influência de Putin para deter a instável situação…

Por outro lado, a política abertamente amoral dos Estados Unidos, continuada entre Barack Obama e Biden, vai tomando proporções cada vez mais universais, secundadas, não raro, por certa corrente que prefere empanar o sagrado, fazendo incidir os holofotes da importância sobre assuntos ora ecológicos, ora sociológicos, entretanto menos católicos.

Que restaria? Num golpe de vista, aos desprovidos de fé, unicamente um mundo secularizado, que levou ao menoscabo a sacralidade da Igreja, e ao caos o mundo.

Mas é preciso ter claro que as grandes horas da humanidade são marcadas justamente nas quadras históricas em que o concurso do homem se faz ineficaz diante do lobo que se expõe.

Então, restaria fugir diante do lobo feroz?

O livre-arbítrio humano coadjuvado pela graça pode vencer qualquer crise, como pode deter qualquer guerra, ou mesmo barrar a própria investida do lobo. É preciso, pois, querer, rezar e agir para tal: que diante do ataque que se avizinha, o lobo seja descoberto.

Se quem tem virtudes de sobra ama as virtudes alheias, quem não as tem, não amará os vícios alheios?

Bonifácio Silvestre


[1] Abundat virtutibus, qui virtutes alienas amat.

[2] A essas vocações contemplativas, assim se referiu o renomado autor Joris-Karl Huysmans.

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