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Em tempo de provação, Maria é guia e modelo, diz Pregador da Casa Pontifícia

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 23-03-2020, Gaudium Press) Com o tema ”O caminho de Fé de Maria, a Mãe de Jesus”, as pregações da Quaresma continuam sendo realizadas pelo Frei Raniero Cantalamessa para a Cúria Romana e para o Papa Francisco.

Um caminho difícil, de grandes sofrimentos, revela a proximidade e grandeza da Virgem.
Esta segunda pregação não foi presencial. Devido à emergência provocada pelo coronavírus, a catequese do padre capuchinho foi gravada em vídeo.

Dentro da temática escolhida, Cantalamessa falou de um caminho difícil, de momentos de grandes sofrimentos, mas que nos revela a proximidade e ao mesmo tempo a grandeza da Virgem.

Para Frei Raniero, meditar sobre a evolução da fé em Maria, Mãe de Jesus e também a primeira discípula do próprio Filho, também será um modo de “nos colocarmos sob a proteção da Virgem em um momento de dura provação para toda a humanidade”.

O Pregador inicia suas palavras dizendo que Maria está presente nos três momentos-chave da nossa salvação: a Encarnação, naturalmente, o Mistério Pascal, Pentecostes.

Para o pregador, essas três presenças de Nossa Senhora “asseguram a ela um lugar único ao lado de Jesus na obra da redenção” e que objetivo da meditação que ele desenvolve é “seguir Maria durante a vida pública de Jesus e ver do que ela é guia e modelo neste tempo”.

Vida de Maria foi sem privilégios

Frei Cantalamessa prosseguiu sua exposição recordando que, assim como para Jesus o Mistério pascal não começa com sua prisão no horto, mas toda sua vida é uma preparação para a Páscoa, também para Maria as provações começam cedo.

O pregador capuchinho repassa então a vida de Maria, destacando os tantos momentos de angústia, fadiga, dor por ela vividos antes mesmo da participação na Paixão de Jesus, aos pés da Cruz:

“Tudo isso torna a história de Maria extraordinariamente significativa para nós; devolve Maria à Igreja e à humanidade. Devemos observar com alegria o grande progresso que ocorreu em devoção a Nossa Senhora, na Igreja Católica, e quem viveu na virada do Concílio Vaticano II, pode facilmente perceber. Primeiro, a categoria fundamental com a qual a grandeza de Nossa Senhora foi explicada foi a de ‘privilégio’ ou isenção.”

Maria é privilegiada com o privilégio da Fé

Cantalamessa recorda que, sendo Maria isenta do pecado original, portanto, uma criatura privilegiada, pensava-se que a Mãe de Cristo seria poupada de todas as limitações e dolorosas experiências humanas.

E ele explica que, seguindo o Concílio Vaticano II, a categoria fundamental com a qual procuramos compreender a santidade única de Maria já não é a do privilégio, mas a da fé.

Maria “progrediu” na fé, afirmou Frei Raniere. E isso não diminui, mas aumenta sem medida a grandeza de Maria, ressaltou.

De fato, a grandeza espiritual de uma criatura perante Deus, nesta vida, não é medida tanto por aquilo que Deus lhe dá, quanto por aquilo que Deus lhe pede. E veremos que Deus pediu muito a Maria, mais do que a qualquer outra criatura, mais do que ao próprio Abraão.

O despojamento da Mãe de Jesus

Padre Cantalamessa cita então o episódio da perda de Jesus no Templo, quando Maria ouviu Jesus dizer:

‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?

Ele cita também o episódio das Bodas de Caná, onde Maria ouviu a resposta de Jesus ao seu discreto pedido de intervenção: “Que temos nós com isso, mulher?”

E ainda recorda o frade franciscano:

“Maria, a Mãe, precisa até mendigar o direito de ver o Filho e de falar-lhe. Ela não abre caminho no meio da multidão aproveitando o fato de ser a mãe. Pelo contrário, ficou esperando fora, enquanto outros foram até Jesus para informá-lo: “Lá fora está tua mãe que te quer falar”.

Também nesse episódio, o mais importante é a palavra de Jesus que continua sempre na mesma linha:

‘Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?’”.

E depois, quando uma mulher exclama “Feliz o ventre que te trouxe…” Jesus dirá: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”, e novamente Maria, observa o padre Cantalamessa, não faz parte do “séquito feminino” que acompanha Jesus em sua vida pública. Ela teve que desistir de cuidar de seu Filho: “todos sabem o quanto uma mãe gostaria de prestar esses pequenos serviços ao filho, especialmente se consagrado ao Senhor. Aí temos o sacrifício total do coração”:

O que significa tudo isso? (…) A kenose de Maria consistiu em deixar-se despojar de seus legítimos direitos como mãe do Messias, parecendo diante de todos uma mulher como as outras.

A Mãe de Deus: isenta do pecado e não da luta

O Pregador da Casa Pontifícia continuou: “Desde que começou seu ministério e deixou Nazaré Jesus não teve onde reclinar a cabeça, e Maria, não teve onde reclinar seu coração. E Maria não tinha onde descansar o coração!”

Jesus, diz o padre Cantalamessa, impele Maria “numa corrida sem tréguas para o despojamento total, para chegar à união com Deus.”, levando-a a fazer unicamente a vontade do pai.

Maria deve esquecer-se das revelações e promessas recebidas no passado, vive sem a memória do passado, lançada “unicamente na direção de Deus, vivendo de pura esperança.”

O padre Raniero Cantalamessa pergunta e ele mesmo responde resumidamente:

Qual foi a reação de Maria a uma escola assim tão exigente?

A “docilidade absoluta”, onde “transparece aqui a singular santidade pessoal da Mãe de Deus, a mais alta maravilha da graça”.

“Maria ficava calada. Sua resposta para tudo era o silêncio. Não um silêncio de resignação e de tristeza. O de Maria era um silêncio bom”.

E isso não significa que para Maria tudo seja fácil, que “não precise superar lutas, fadigas e trevas”.

Diz o Frei Capuchinho:

“Ela estava isenta do pecado, não da luta e daquela que São João Paulo II chama ‘a fadiga do crer’.”

Maria discípula de Cristo: a cada dia uma alegria de tipo novo

Maria foi discípula de Cristo, fez a vontade de Deus, mas não devemos pensar que sua vida era uma vida triste.

O padre Cantalamessa observou que, pelo contrário: “Por analogia com o que aconteceu aos santos, devemos afirmar que, neste caminho de despojamento, Maria descobria, dia a dia, uma alegria de tipo novo, diferente das alegrias maternas de Belém ou de Nazaré, quando apertava Jesus em seus braços. A alegria de não fazer sua própria vontade. A alegria de crer.

Uma Mãe capaz de compadecer-se das nossas fraquezas

Cantalamessa citou Santa Ângela de Foligno, que tinha feito experiências análogas à de Maria.

Ele fala de uma alegria especial, que nasce precisamente do fato de “entender que não se pode entender, e que um Deus compreendido já não seria Deus”, o nosso Deus.

Conclusão: A Vossa proteção, recorremos Santa Mãe de Deus

A conclusão oferecida pelo padre Cantalamessa, é portanto, uma certeza. A certeza de poder saber que “temos uma Mãe capaz de compadecer-se das nossas fraquezas, tendo ela mesma sido provada em tudo de modo semelhante a nós, exceto no pecado”.

Por isso, o pregador capuchinho, recordando o tempo particular de provação pelo qual passamos, encerra suas palavras citando a tradicional oração “Sub tuum praesidium”:

“À Vossa Proteção recorremos
Santa Mãe de Deus
Não desprezeis as nossas súplicas
Em nossas necessidades
Mas livrai-nos sempre de todos os perigos
Virgem gloriosa e bendita.” (JSG)

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