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Duas histórias, um problema

Considerações a respeito da tensão internacional entre as Potências do mundo de hoje.

Redação (06/07/2020 15:55, Gaudium Press) Há certo tempo atrás, ouvi de um norte-americano um fato muito elucidativo.

Contou-me ele que certo fazendeiro, patrício seu, havia adotado um excêntrico, simpático animal de estimação: um filhote de leão.

No início, o bicho engraçadinho era o mimo da família. Escrevo “início” propositadamente, pois o gatinho não tardou muito em crescer… Ao cabo de meses, seu rugido já afugentava todos os animais da fazenda: cavalos, bois, patos, galinhas, etc. Os homens, porém, acabaram se habituando ao grande felino.

Um dia, o fazendeiro adormeceu enquanto assistia televisão, e foi acordado pela língua do leão, que lambia seus dedos com um prazer inusual.

Quando o americano tentou afastar sua mão, o animal começou a rosnar, em sinal de ameaça.

O homem compreendeu imediatamente: a língua do leão é áspera como uma lixa. Ao acariciar seu proprietário, ele acabara abrindo uma pequena ferida em sua mão, de onde passou a degustar sangue quente, e estava gostando.

Sem distanciar a mão da boca da fera, o norte-americano chamou por seu filho mais velho, pedindo que lhe trouxesse uma pistola. Aquele foi o fim do mascote, e o fim da primeira história.

Ocidente X China

Segunda história: ultimamente, as tensões internacionais entre as potências do Ocidente e a China têm demonstrado um aumento preocupante.

Por exemplo, alguns dias atrás, os Estados Unidos anunciaram que passariam a tratar quatro importantes meios de comunicação chinesa como embaixadas estrangeiras, por serem “meios de propaganda” sob o controle do Partido Comunista.

A essa declaração, respondeu o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China: “Instamos encarecidamente aos Estados Unidos a descartar a mentalidade da Guerra Fria, e ao sossego ideológico, e a deter e corrigir imediatamente estas ações prejudiciais e danosas. Do contrário, a China deve responder com uma resposta adequada”.

Os destaques no trecho acima são meus. Em que consiste essa “mentalidade da Guerra Fria”? A meu ver, resume-se em duas coisas: 1: ameaça; 2: demonstração de poder. Todo o clima de medo que se estabeleceu nos idos do pós-guerra se cifrava nessas duas atitudes. Ora, se se admite isso, a contradição do porta-voz chinês salta aos olhos: “a China deve responder com uma resposta adequada”. Como interpretar essa afirmação, senão como ameaça?

Por outro lado, também não têm faltado, de ambos os lados, demonstrações de poder: o governo australiano anunciou um incremento de 40% do pressuposto de armamento e assinalou que se trata de uma “nova era estratégica menos clemente”, em face à China. A Rússia (que no caso de uma guerra, vai certamente aliar-se ao seu irmão asiático) tem feito incursões militares submarinas em território americano. Segundo as palavras de Andrew Lewis, Vice-almirante da armada norte-americana, as embarcações russas estão  “realizando patrulhas mais longas e carregando armas mias letais”.

Onde vai terminar a segunda história? É difícil dizer… Vamos, agora, ao problema comum.

Conclusão

O fazendeiro americano que mencionei no início bem poderia sintetizar a mentalidade ocidental destas últimas décadas: otimista, despreocupado com o futuro, alimentou com investimentos bilionários a economia e a indústria de uma fera gigante que só agora começou a rosnar: a China.

Esta última, com o advento do coronavírus, passou a “acariciar” o ocidente com várias ajudas humanitárias, comprando grandes empresas falidas, oferecendo máscaras, etc. Com isso, ela tem conseguido abrir brechas, feridas no tecido econômico de diversos países. A única coisa que falta é dar o bote.

Enquanto isso, o Ocidente dorme. Em outros tempos, toda essa conjuntura teria suscitado uma reação, como uma Santa Aliança, por exemplo. Mas, no mundo de hoje, afastado da religião e da moral, de onde surgirão os lutadores?

Os mesmos homens que voltaram suas costas para Deus, agora tremem diante de um futuro incerto. Quem sabe se, buscando novamente Aquele que abandonaram, não encontrarão a solução para o que lhes atormenta?

Por Oto Pereira.

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