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Dom Pedro Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, falece aos 100 anos

Durante seu longo episcopado, Dom Pedro acompanhou o crescimento de Curitiba e articulou a expansão da Igreja Católica com o planejamento urbano da cidade.

Foto: Arquidiocese de Curitiba/ Facebook

Foto: Arquidiocese de Curitiba/ Facebook

Redação (28/09/2026 10:52, Gaudium Press) Morreu na tarde deste último sábado, 26 de setembro, Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, aos 100 anos de idade.

Nascido em 11 de agosto de 1926 na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba), Dom Pedro era filho de imigrantes italianos, Giácomo Fedalto e Corona Marchetti. Cresceu em uma família de agricultores e, ainda jovem, sentiu a vocação religiosa. Em 1940, ingressou no Seminário Menor São José, em Curitiba, onde permaneceu até 1946. Depois cursou Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo.

Foi ordenado padre em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, pelo então arcebispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux. Dois dias depois celebrou a primeira missa solene na Capela de Nossa Senhora do Carmo, na própria Colônia Antônio Rebouças, onde nasceu. Ao longo da carreira, nunca atuou como pároco: dedicou-se à administração da Arquidiocese, sendo secretário pessoal do arcebispo, chanceler da Cúria e, mais tarde, vigário-geral.

Em 1966, aos 39 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Curitiba. Adotou o lema episcopal Veritatem in caritate (“A verdade na caridade”). Após a morte de Dom Manuel, em 1970, assumiu a administração da Arquidiocese e, em 28 de fevereiro de 1971, tomou posse como quarto arcebispo metropolitano de Curitiba — o primeiro paranaense a ocupar o cargo. Permaneceu à frente da Arquidiocese por mais de três décadas, até 2004, quando renunciou por limite de idade e passou a ser arcebispo emérito. Seu sucessor foi Dom Moacyr José Vitti.

Durante o longo episcopado, Dom Pedro acompanhou o crescimento de Curitiba e articulou a expansão da Igreja Católica com o planejamento urbano da cidade. Criou 74 novas paróquias, ordenou 74 padres diocesanos, fundou 11 pastorais e acolheu diversas congregações religiosas femininas e masculinas. Realizou as Santas Missões Populares (1975 e 2000), promoveu o primeiro Sínodo Arquidiocesano (1987-1994) e presidiu por 28 anos o Regional Sul II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne os bispos do Paraná.

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi a visita do Papa João Paulo II a Curitiba, em julho de 1980 — a primeira de um sumo pontífice ao Brasil. Ao longo da vida, Dom Pedro encontrou-se pessoalmente com quatro papas: Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Em 2008, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

A Arquidiocese de Curitiba divulgou nota de pesar, destacando a longa vida e a dedicação de Dom Pedro à Igreja e ao povo de Deus. Todas as missas do final de semana foram oferecidas em sufrágio por sua alma. A missa de corpo presente está marcada para esta segunda-feira, 28 de setembro, às 10h, na Catedral Basílica de Curitiba, seguida do sepultamento no local.

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e o governador do Paraná, Ratinho Junior, decretaram três dias de luto oficial em homenagem ao religioso. Em nota, o prefeito destacou que Dom Pedro deixou um legado que atravessa gerações, com mais de sete décadas de sacerdócio e décadas à frente da Arquidiocese, sempre com fé, serenidade e simplicidade.

Dom Pedro Fedalto completou, assim, uma trajetória de quase um século marcada pela proximidade com o povo, pela expansão da presença católica em Curitiba e pela fidelidade ao ministério episcopal.

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