“Dom Osório é Mártir da Fé”, afirmam bispos de Moçambique no Vaticano
Após audiência com o Papa Leão XIV, episcopado moçambicano destaca a solidariedade do Pontífice e cobra respostas oficiais sobre o assassinato do Bispo de Quelimane.
Cidade do Vaticano (10/07/2026 10:27, Gaudium Press) O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saure, juntamente com o Vice-presidente da CEM, Dom João Carlos e o Arcebispo emérito da Beira, Dom Claudio Dalla Zuanna, se reuniram o Papa Leão XIV, no Vaticano, um mês após a morte de Dom Osório Afonso, assassinado na sua residência em Quelimane.
Segundo os prelados, o Santo Padre têm acompanhado de perto a situação, mostrando que é possível transformar a tragédia em um “caminho de renovação, conversão e purificação”. Essa proximidade e solidariedade têm sido demonstradas pelo Pontífice não somente por escritos e pronunciamentos. Eles perceberam que há muita informação e conhecimento sobre a realidade vivenciada em Moçambique.
Um mês de silêncio e perguntas sem respostas
Desde o assassinato de Dom Osório, a Igreja Católica em Moçambique tem vivido com profunda dor e preocupação. Infelizmente, até o momento não se sabe nada oficialmente sobre o que aconteceu. O Chanceler da Diocese, colaborador do Bripos e um sacerdote, Padre Celso, foram detidos. Além disso, os celulares de Dom Osório e de Dom Estevão Ângelo Fernando, Bispo nomeado como Administrador apostólico de Quelimane, foram apreendidos.
Segundo Dom Inácio, até este momento tudo está nas mãos do Serviço Nacional de Investigação Criminal “e nós, como Igreja, não temos nenhuma informação oficial de tudo quanto tem acontecido”. Os Bispos destacam que as principais perguntas ainda não foram respondidas, como: Quem matou Dom Osório? Quem foi o mandante? Quais seriam as motivações do assassinato?
Desafios internos e apelo à coerência
O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos, ressaltou que a morte de Dom Osório causou uma profunda dor em todo o povo, que ainda se questiona como foi possível que um pastor tenha sido assassinado na sua própria residência. Ele também disse que é comum em Moçambique que ainda com os processos de investigação em andamento, surjam situações onde a imprensa insinua ideias falsas, comprometendo a busca objetiva e serena da verdade.
Para o episcopado moçambicano, a morte de Dom Osório revela que existem situações e desafios internos nos quais a Igreja precisa de olhar para dentro de si e se examinar. Um dos grandes desafios é o da coerência entre o que se proclama e o que se vive por parte de alguns sacerdotes e consagrados, assim como o aliciamento de candidatos ao sacerdócio por pessoas com posses que acabam por condicionar o agir do futuro clérigo e até o do já clérigo.
Uma Igreja robusta que nasce do martírio
O Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos afirmou ter percebido “que a Santa Sé, o Papa, e todos os seus colaboradores, acreditam que Moçambique pode crescer a partir desta realidade. “Podemos, de fato, chegar a um estágio em que começamos a perceber como é que o mal também funciona no nosso meio e assim poderemos nos acautelar, e sairmos mais fortificados perante o mal”.
“Dom Osório foi assassinado porque amava a vida; Dom Osório é Mártir da Fé e, uma Igreja de mártires é uma Igreja robusta, uma Igreja firme… Assim está a ser vivido o evento da morte de Dom Osório na Igreja que está em Moçambique, com muita esperança, porque o martírio, no fim de contas, é o que também fortalece a Igreja: com muita dor, mas fortalece a Igreja”, concluiu o prelado. (EPC)








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