Devo amar o pecador?
Os pecadores, segundo a natureza, devem ser amados pela caridade, mas a sua culpa é contrária a Deus e um obstáculo para a bem-aventurança.
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Redação (17/10/2026 08:42, Gaudium Press) Nos pecadores, podem-se considerar duas coisas: a natureza e a culpa.
Pela natureza. Que receberam de Deus, eles são capazes de alcançar a bem-aventurança, sobre cuja comunhão se funda a caridade, como já foi dito. Por isso, segundo a natureza, devem ser amados pela caridade.
Mas a sua culpa é contrária a Deus e um obstáculo para a bem-aventurança. Assim, segundo a culpa que os opõe a Deus, eles merecem ser odiados, mesmo que sejam pai, mãe ou parente, conforme o Evangelho de São Lucas.
Devemos, pois, odiar os pecadores, enquanto tais, e amá-los enquanto homens capazes de alcançar a bem-aventurança.
E isso é verdadeiramente amá-los pela caridade, por causa de Deus.
Deve-se dizer que por caridade amamos os pecadores, não para querer o que eles querem nem para nos alegrar com aquilo que os alegra, mas para conduzi-los a querer o que nós queremos e a se alegrarem com o que nos alegramos. Por isso, diz-se no livro de Jeremias: “Eles retornarão a ti, mas tu não retornarás a eles”.
Também os fracos devem evitar a convivência com os pecadores, devido ao perigo de serem pervertidos por eles; mas convivam com eles os perfeitos, por não temerem ser pervertidos.
É louvável conviver com eles para convertê-los. Foi assim que o Senhor comia e bebia com os pecadores, como se lê no Evangelho de Mateus.
Entretanto, todos devem evitar o convívio com os pecadores, associando-se aos seus pecados; pois assim se lê na segunda Carta aos Coríntios: “Saí do meio deles e não toqueis o que seja impuro”, isto é, consentindo nos seus pecados.
SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. São Paulo: Edições Loyola, 2012. v. 5, p. 346-347.






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