Deus não abandona quem O segue com entusiasmo!
Se a falta de fé constitui um obstáculo à ação milagrosa, por que Jesus realizou tamanho prodígio?

Milagre da multiplicação dos pães e dos peixes – Paroquia de São Sulpice, Fougeres (França) Foto: Sergio Hollmann
Redação (02/08/2026 11:44, Gaudium Press) O Evangelho deste 18º Domingo do Tempo Comum divide a humanidade em dois grandes blocos: os que têm fé e os que não a têm. Quando faltou vinho nas Bodas de Caná, a Santíssima Virgem intercedeu pelo milagre; diante da carência de pão às margens do lago, os discípulos pediram a dispersão da multidão. Poderia o Senhor abandonar aquela gente à própria sorte?
Fé, condição para o milagre
São Mateus relata que, após ter conhecimento da morte de São João Batista, Nosso Senhor se dirigiu de barco a um lugar deserto. As multidões, ávidas de estarem junto d’Ele, acompanharam a pé o trajeto marítimo, despertando assim a compaixão do Salvador, que se prontificou a atender às suas necessidades.
Jesus é dono do tempo; não cabia a Ele restringir seus benefícios ao curso do Sol. Mas, infelizmente, nem todos entendiam isso. Foi então que os discípulos, movidos por uma prudência meramente humana e, quiçá, pelo receio de receber uma incumbência complicada, pediram a Jesus que dispersasse as multidões para que cada um providenciasse o próprio alimento.
Ora, estava ali uma ocasião excelente para a realização de um milagre. Por que eles não o pediram? Porque tinham pouca fé!
Alguns versículos antes, o mesmo evangelista narra que, estando em sua terra, Jesus realizou poucos milagres devido à incredulidade daqueles em meio aos quais havia crescido.
O caso em questão não difere muito… Sem embargo, mesmo diante da falta de fé dos apóstolos, Nosso Senhor realiza o portentoso milagre da multiplicação dos pães e dos peixes – e com tanta abundância, que foram recolhidos doze cestos cheios com os restos.
Mas qual é a lógica por detrás desses dois fatos? Se a falta de fé constitui um obstáculo à ação milagrosa, por que Jesus realizou tamanho prodígio?
Porque Deus não abandona quem o segue com entusiasmo!
Seguir com entusiasmo significa abandonar-se nas mãos de Deus
Quem são esses?
São os que passam por cima das críticas dos incrédulos e não se deixam vencer pelo desânimo nem se abater pelas dificuldades. Cheios de fé, veem aquilo que os olhos não alcançam e entendem o que excede a razão humana. Eles sabem que Deus está presente em suas vidas e que tudo o que acontece concorre para o bem dos que O amam. Seja na saúde ou na doença, na abundância ou na necessidade, na alegria ou na aflição, eles possuem a certeza de que cada passo de suas vidas é conduzido pelo Criador e a Ele recorrem confiantes, compreendendo que é nas horas mais difíceis que se realizam os maiores milagres.
Por isso, aquela multidão pouco se importava com o que lhes aconteceria. Estavam tão fascinados com o Mestre, que apenas uma única coisa lhes interessava: conviver com Jesus.
A prova do abandono
Entretanto, por mais contraditório que pareça, uma das maiores manifestações do amor de Deus por alguém é a provação do abandono.
A sensibilidade interior da presença de Deus, de seu amparo e de seu carinho cessa, e a alma imerge num vale obscuro, onde surgem amarguras, angústias e sofrimentos por vezes muito duros. O que fazer?
Continuar seguindo. Juntar as mãos e dobrar os joelhos, suplicando auxílio Àquela que jamais desanimou, mesmo quando viu seu Divino Filho inerte em seus braços. Ela, em cuja alma a fé sempre ardeu como uma tocha flamejante, obterá quantos milagres forem necessários para amparar os que a Ela se abandonam com entusiasmo!
Por Rodrigo Siqueira





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