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Desmontadas as acusações contra Bento XVI publicadas no Relatório de abusos da Arquidiocese de Munique

A declaração foi escrita por quatro especialistas nas áreas de direito canônico, direito eclesiástico e direito à liberdade de expressão.  

Redação (09/02/2022 12:26, Gaudium Press) Quatro especialistas nas áreas de direito canônico, direito eclesiástico e direito à liberdade de expressão, Stefan Mückl, Helmuth Pree, Stefan Korta e Carsten Brennecke, emitiram uma declaração, na qual afirmam a falsidade das acusações feitas contra Bento XVI, publicadas no Relatório sobre abusos sexuais da Arquidiocese de Munique, emitido pelo escritório de advocacia Westpfahl-Spilker-Wastl.

Reproduzimos esta declaração abaixo:

Análise dos fatos pelos colaboradores de Bento XVI:

Prof. Dr. Stefan Mückl – Roma (Direito Canônico)

Prof. Dr. Helmuth Pree – “Ludwig-Maximilians-Universität” de Munique (Direito Canônico)

Dr. Stefan Korta – Buchloe (Direito Eclesiástico)

Advogado Dr. Carsten Brennecke – Colônia (Direito à liberdade de expressão)

O relatório sobre os abusos na Arquidiocese de Munique e Freising afirma que:

Joseph Ratzinger, contrariamente ao que se afirmou no memorando redigido em resposta aos especialistas, esteve presente na reunião do Ordinariato de 15 de janeiro de 1980, na qual se falou sobre o sacerdote X.

Afirmou-se que o Cardeal Ratzinger havia empregado esse sacerdote na atividade pastoral, mesmo sabendo dos abusos cometidos por ele, e, assim, tê-los-ia encoberto.

Isso não corresponde à verdade, de acordo com nossas verificações:

Joseph Ratzinger não tinha conhecimento de que o sacerdote X era um abusador, nem que estava incluído na atividade pastoral.

As atas mostram que, na reunião do Ordinariato de 15 de janeiro de 1980, não foi decidido incluir o sacerdote X na atividade pastoral.

As atas também mostram que não foi discutido, na reunião em questão, o fato de o sacerdote ter cometido abusos sexuais.

Tratou-se exclusivamente do alojamento do jovem Sacerdote X. em Munique porque ele tinha que fazer terapia lá. Este pedido foi atendido. Durante a reunião não foi mencionado o motivo da terapia.

Portanto, na reunião, não se decidiu contratar o abusador para realizar trabalho pastoral.

No relatório de abusos da Arquidiocese de Munique e Freising, indica-se que:

Quanto à sua presença na reunião do Ordinariato de 15 de janeiro de 1980, Bento XVI teria deliberadamente cometido perjúrio, teria mentido.

No entanto, isso não é verdade:

A afirmação contida nas memórias de Bento XVI de que ele não participou da reunião do Ordinariato de 15 de janeiro de 1980 é de fato incorreta. No entanto, Bento XVI não mentiu ou fez uma declaração falsa intencionalmente:

Na redação das memórias, Bento XVI contou com o apoio de um grupo de colaboradores, composto pelo advogado Dr. Carsten Brennecke (Colônia) e pelos colaboradores: para o direito eclesiástico, Prof. Dr. Stefan Mückl (Roma) – que a pedido de Bento XVI examinou os documentos – Prof. Dr. Helmuth Pree e Dr. Stefan Korta. Os colaboradores foram chamados porque Bento XVI não podia analisar sozinho a enorme quantidade de questões em um curto espaço de tempo e porque o escritório de advocacia encarregado do laudo pericial fez perguntas que se referiam ao direito canônico, portanto, era necessário uma consultoria em direito canônico para a resposta.

Entretanto, somente o professor Mückl foi autorizado a ver a versão eletrônica dos documentos, sem ser concedida a possibilidade de salvar, imprimir ou fotocopiar documentos. Nenhum outro colaborador teve permissão para ver os documentos. Depois que o Prof. Mückl examinou os documentos digitais (8.000 páginas) e os analisou, o Dr. Korta realizou uma nova etapa de processamento e inadvertidamente cometeu um erro de transcrição. O Dr. Korta erroneamente observou que Joseph Ratzinger não estava presente na reunião do Ordinariato de 15 de janeiro de 1980. Os colaboradores deixaram passar essa anotação errônea de uma ausência que não havia ocorrido. Basearam-se na falsa indicação erroneamente introduzida ao não perguntar expressamente a Bento XVI se ele esteve presente naquela reunião. Com base na transcrição errônea da ata, presumiu-se que Joseph Ratzinger não havia estado presente. Bento XVI, pela grande pressa com que teve que verificar sua memória em poucos dias, dados os prazos impostos pelos peritos, não se deu conta do erro e confiou na suposta transcrição da sua ausência.

Este erro de transcrição não pode ser imputado a Bento XVI como uma falsa declaração consciente ou “mentira”.

Além disso, não faria sentido para Bento XVI negar intencionalmente sua presença na reunião: de fato, a ata da reunião inclui declarações de Joseph Ratzinger. Portanto, a presença de Joseph Ratzinger era evidente. Ademais, em 2010, vários artigos da imprensa noticiaram – nunca negados – a presença do Cardeal Ratzinger naquela reunião. Da mesma forma, em uma biografia de Bento XVI, publicada em 2020, afirma-se: “Como bispo, durante uma reunião do Ordinariato em 1980, ele apenas aceitou que o sacerdote em questão pudesse ir a Munique para fazer psicoterapia” (Peter Seewald, Benedikt XVI., Droemer Verlag 2020, p.938).

O relatório dos especialistas ainda acusa Bento XVI de má conduta em outros três casos. E que também nestes casos, ele sabia que os sacerdotes eram abusadores.

Isso não corresponde à verdade, de acordo com nossas verificações:

Em nenhum dos casos analisados pelo laudo pericial, Joseph Ratzinger teve conhecimento dos abusos sexuais cometidos ou das suspeitas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes. O laudo pericial não traz prova em contrário.

Em relação ao caso do padre X, que foi discutido publicamente na reunião do Ordinariato de 1980 sobre o alojamento que deveria ser dado a ele para terapia, o mesmo especialista – na entrevista coletiva de 20.01.2022 por ocasião da apresentação do relatório sobre os abusos – afirmou que não há provas de que Joseph Ratzinger tivesse conhecimento disso. Em resposta a uma pergunta de um jornalista se os especialistas conseguiram provar que Joseph Ratzinger teve conhecimento de que o sacerdote X. havia cometido abusos sexuais, o especialista afirmou claramente que não há evidências de que Joseph Ratzinger tivesse conhecimento. Apenas na opinião subjetiva dos especialistas seria “mais provável”.

A coletiva de imprensa está disponível no seguinte link: https://vimeo.com/668314410

No minuto 2:03:46, pode-se encontrar a pergunta do jornalista: “Minha pergunta ainda se refere ao caso do sacerdote X. O escritório de advocacia pode provar que o Cardeal Ratzinger sabia então que o sacerdote X. era um abusador? O que significa “muito provavelmente” neste contexto? […]

Um especialista responde: “[…] Mais provável significa que supomos com maior probabilidadel. […]”.

O laudo pericial não contém nenhuma evidência de alegação de má conduta ou conspiração em qualquer encobrimento.

Como arcebispo, o Cardeal Ratzinger não esteve envolvido em nenhum acobertamento de atos de abuso.

O relatório alega que:

Em suas memórias, Bento XVI teria minimizado a gravidade de atos de exibicionismo. Como prova desta afirmação, mostra-se a seguinte indicação contida nas memórias: “O pároco X foi apontado como exibicionista, mas não como abusador em sentido próprio”.

Isso não corresponde à verdade, pois:

Em suas memórias, Bento XVI não minimizou o comportamento exibicionista, mas o condenou expressamente. A frase usada como suposta evidência de minimização do exibicionismo é retirada do contexto.

Nas memórias, com efeito, Bento XVI diz com a maior clareza que os abusos, incluindo o exibicionismo, são “terríveis”, “pecaminosos”, “moralmente repreensíveis” e “irreparáveis”. Na avaliação do direito canônico do fato, inserida na memória por nós colaboradores e expressa segundo nosso juízo, pretendeu-se apenas lembrar que, de acordo com o direito canônico então em vigor, o exibicionismo não era um delito em sentido restrito, pois a norma penal pertinente não incluía, no caso em questão, comportamentos desse tipo.

Assim, a memória de Bento XVI não minimizava o exibicionismo, mas o condenou clara e explicitamente.

Esta verificação de fatos foi redigida pelos colaboradores em alemão. Em caso de discrepâncias linguísticas durante a tradução, a versão alemã prevalecerá.

Com informações infocatolica.

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