Descanso para sacerdotes é necessário para saúde física e mental
Como parte de um programa de formação, o secretário do Dicastério para a Evangelização exortou os padres a reservarem momentos de descanso longe do ministério, a fim de preservar sua saúde física e mental.

Foto: Paraclete Missionaries Nigeria/ Facebook
Redação (31/08/2026 16:54, Gaudium Press) Para um sacerdote, reservar tempo para descansar não é um “luxo”, afirmou Dom Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização do Vaticano. O prelado exortou os sacerdotes a assumirem períodos saudáveis de afastamento do trabalho, a fim de preservar a saúde física e mental.
Durante sua intervenção no lançamento de um programa de formação de seis semanas dedicado a explorar a vida sacerdotal na Nigéria, Dom Nwachukwu refletiu sobre as dificuldades de saúde mental enfrentadas por membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica (ICLSAL). Ele destacou que os sacerdotes devem acolher o descanso da mesma forma que Jesus o fez durante o seu ministério.
“O descanso, portanto, não é um luxo na vida sacerdotal; é necessário para a saúde física e mental”, declarou o prelado. Ele lembrou a recente notícia da renúncia do bispo alemão Karl-Heinz Wiesemann, após um período de grave tensão psicológica, e considerou o fato “um lembrete oportuno de que sacerdotes e bispos não estão imunes ao esgotamento, à depressão ou ao burnout”.
“Precisamos de descanso adequado, limites saudáveis, relações de apoio e, quando necessário, ajuda profissional. Cuidar de si mesmo não significa afastar-se do ministério; pelo contrário, ajuda-nos a permanecer suficientemente bem para servir”, sublinhou.
Os organizadores da iniciativa buscam aprofundar a compreensão da vida sacerdotal, começando pela Nigéria, em meio às crescentes preocupações com a saúde mental entre os sacerdotes católicos. Segundo os promotores, os participantes abordarão “a qualidade de vida, o serviço, a alegria, as aspirações, os temores e as ansiedades” que, segundo afirmam, vão permeando gradualmente o ciclo de vida e o ministério de um sacerdote.
Sob o lema “Plenamente vivos em Cristo: cuidar de si mesmo — o sacerdote como dom vivente”, o programa trata do autocuidado sacerdotal, da renovação espiritual, do bem-estar emocional, da síndrome de burnout, das relações saudáveis e de como viver a missão da Igreja com confiança e alegria. Os participantes terão acesso a materiais formativos e receberão certificado de participação.
Após lamentar que muitos sacerdotes da diocese de Aba tenham morrido jovens, Dom Nwachukwu falou do número crescente de sacerdotes jovens que enfrentam problemas de saúde mental, o que levanta a pergunta sobre o que fazer diante dessa realidade. Ele esclareceu que a inquietação não consiste em questionar a vontade de Deus, mas em examinar com que seriedade a Igreja assume os ensinamentos e o exemplo de Jesus a respeito do autocuidado daqueles a quem é confiado o ministério.
O prelado tomou como texto-base a passagem de Marcos 6, 31-32, na qual Jesus diz aos discípulos: “Venham vocês sozinhos a um lugar deserto e descansem um pouco”. Ele explicou que Jesus convidou os seus a fazerem uma pausa no ministério e a se unirem a ele num tempo de descanso, destacando que o próprio Cristo deu testemunho da importância de parar, especialmente após receber a notícia da morte de seu primo, João Batista.
Segundo Dom Nwachukwu, os relatos evangélicos mostram que a decisão de Jesus de se retirar esteve ligada tanto ao luto quanto às exigências do ministério: São Mateus situa o retiro depois que Jesus recebe a notícia da morte de João Batista, enquanto Marcos e Lucas colocam o convite ao descanso após o regresso dos discípulos de uma missão bem-sucedida. Estes tinham estado tão ocupados — expulsando demônios e ungindo com óleo os enfermos para curá-los — que, segundo o relato, “muitos iam e vinham, e eles não tinham tempo nem para comer”.
Para Nwachukwu, essa experiência deixa uma lição importante aos sacerdotes que se entregam intensamente ao ministério: “A energia dada por Deus precisa de uma direção dada por Deus”. Ele explicou que a força, a paixão e o impulso devem orientar-se para a própria vocação e missão; caso contrário, essa energia pode facilmente desviar-se para outros fins. Bem dirigida, essa energia espiritual pode conduzir a pessoa a Cristo e permitir-lhe levar também os outros a Ele.
O prelado recordou ainda a homilia do Papa Bento XVI na ordenação episcopal de 6 de janeiro de 2013, na qual o pontífice descreveu a inquietação espiritual dos Magos como a força que os levou do Oriente em busca do Menino Jesus recém-nascido. Segundo Nwachukwu, essa inquietação encontra sua plenitude em Cristo.
Ele refletiu também sobre o convite de Jesus em Mateus 11, 28: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”. Advertiu que um descanso desligado de Cristo pode ser prejudicial aos sacerdotes, sublinhando que o descanso oferecido por Jesus não é mera fuga do trabalho, mas fonte de renovação. Explicou que a expressão grega do versículo, kagō anapausō humas (“e eu lhes darei descanso”), utiliza o verbo anapauō, que transmite a ideia de um descanso que eleva e renova.
Para os sacerdotes, afirmou Nwachukwu, esse tipo de descanso deve incluir períodos de afastamento das atividades rotineiras que permitam a renovação física e o fortalecimento das relações com Deus, com os outros sacerdotes, com a família e com os fiéis. Acrescentou que a restauração física precisa contemplar necessidades básicas como comer e beber, enquanto a renovação mental e espiritual implica aprender a dirigir as próprias energias para Cristo por meio da oração e da caridade autêntica.
Com informações ACI África





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