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Das realidades visíveis às invisíveis

Os filhos da Santa Igreja guardam abastada herança acumulada ao longo dos séculos de História.

Redação (13/07/2020 09:36, Gaudium Press) Será que alguma vez paramos para pensar no que significa viver neste terceiro milênio? Quanta água já passou por baixo desta “ponte” chamada História; basta mencionar a Encarnação, Morte e Ressurreição de um Deus – fato de grandeza insuperável – que deu origem a uma instituição imortal, como seu Fundador, que atravessou a violência dos séculos e ainda atravessará invicta muitas tempestades.

E essa incomparável instituição, a Igreja Católica, é mãe, e uma mãe rica em santidade, experiência, história, simbolismo e espiritualidade como nenhuma outra.

Será, entretanto, que seus filhos conhecem bem toda a herança que recebem por parte da Santa Igreja? O mundo agitado e convulsionado em que vivemos não é tão propício a desenvolver espíritos reflexivos quanto as épocas anteriores à “civilização da imagem”.

Nas catacumbas

Visitando as catacumbas, no subsolo da cidade de Roma, o peregrino não pode deixar de sentir um misto de assombro e reverente curiosidade ao percorrer os lugares onde os primeiros cristãos se ocultavam das perseguições que lhe moviam os imperadores pagãos. Ele esquadrinha com os olhos as antigas inscrições e as toscas pinturas, procurando imaginar o que sentiam, o que pensavam e como teriam ali vivido esses nossos ancestrais na fé. Passa lentamente a mão sobre as pedras e, de repente, depara-se com algo gravado em relevo. Trata-se do desenho de um pequeno peixe, rudemente traçado, mas, sem dúvida, um peixe. Qual é o seu significado? A palavra peixe em grego era “ichthys” (ΙΧθΥΣ), mas entre os primeiros cristãos era usada como um anagrama, pois suas cinco letras eram também a abreviação da frase: Iesous Christos Theou Yios Soter (Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador). Como não podiam professar sua fé livremente, adotaram esse símbolo para reconhecer os que eram cristãos. A figura tinha, ademais, um significado espiritual, porque, como os peixes, também os cristãos eram “nascidos nas águas”, pelo batismo. Tratava-se, pois, de um dos primeiros símbolos criados para representar realidades da fé e da vida cristãs.

No entanto, hoje o símbolo por excelência dos cristãos é a Cruz, sinal instituído pelo próprio Salvador que nela quis derramar todo o seu Preciosíssimo Sangue para nossa redenção.

Com efeito, toda instituição sadia que se forma ou adquire uma personalidade própria tem como uma de suas primordiais preocupações desenvolver símbolos que a caracterizem e distingam das demais. E uma das manifestações da riqueza e força espirituais da Igreja Católica é a fecundidade em traduzir, numa exuberante coleção de símbolos, o universo sobrenatural que ela contém, inclusive, nos carismas e vocações que surgem dentro dela. Cada ordem religiosa pode ser reconhecida pelos símbolos que utilizam para demonstrar seu carisma; seja pela vestimenta, edifícios ou adornos artísticos.

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Analisar essa sucessão de novos carismas ao longo dos séculos é fazer um interessante estudo da história da própria Igreja. Cada geração acrescenta um novo elo a essa cadeia ininterrupta, iniciada pelo próprio Cristo Senhor Nosso. E os símbolos, desde a antiquíssima figura do peixe, gravada numa pedra já quase desfeita, até objetos sacros que são empregados na liturgia são parte da mesma história desta Igreja peregrina e imortal, que, sem cessar, se renova sob sopro do Espírito Santo. Renova-se como uma grande e saudável árvore cujas raízes estão solidamente plantadas no fértil solo do passado, e cujos novos ramos se multiplicam possantes e verdejantes, voltados para o céu, para o futuro.

Por Alexandre Coutinho Neto

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