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Damasceno: o homem “prudente como a serpente”

São João Damasceno é celebrado pela Igreja no dia 04 de dezembro. Prestemos nossa homenagem a este ilustre e tenaz santo, defensor da ortodoxia e da piedade católica.

Redação (04/12/2020 09:33, Gaudium Press) João Damasceno nasceu em Damasco, capital da Síria, de uma família rica, na segunda metade do século VII.

Desde muito cedo ele dominou com facilidade a língua árabe e a grega, pois seu pai – empenhado nos seus estudos – desejava que não só tomasse contato com o livro dos muçulmanos (o Corão) mas também com os escritos dos gregos. Assim, sua formação bilíngue permitiu-lhe desenvolver e dominar rapidamente ambas as culturas.

Diz-se que, com a morte do seu pai Sargum, Damasceno teve que assumir o califado omíada da sua região, após o qual, vendo-se livre da religião do seu progenitor pagão, pôde se fazer monge no mosteiro de São Sabas, onde foi ordenado sacerdote, abandonando por completo a opulência dos gentios para abraçar a abnegação dos cristãos. Foi nessa época que ele se uniu de modo especial, por um vínculo de devoção, à Virgem Maria, até o fim de seus dias.

Sua vida mostrou, entretanto, que mesmo confinado nas paredes do seu mosteiro, ele ainda mantinha aceso o seu atilamento em lidar com os casos complicados dos grupos muçulmanos. E não foi por se fazer monge ou sacerdote que esqueceu sua experiência na corte. Antes, foi no claustro que ele a aprimorou como nunca.

Uma defesa preparada nos mínimos detalhes

No ano de 726, o Imperador Leão III, (717-741) emitiu um edito contra a veneração das imagens e sua exposição em lugares públicos.

Desde o início do século VIII o movimento iconoclasta vinha ganhando força no Império Bizantino, defendendo a ilicitude da veneração das imagens de Cristo, da Virgem Maria e dos santos por parte dos fiéis. Os adeptos dessa doutrina logo se aglutinaram e começaram a espalhar o erro por toda parte.

E para combater este mal, se levantou São João e iniciou uma minuciosa defesa das imagens em uma obra magna, com a qual obteve tal estupendo êxito que logo a heresia feneceu e caminhou para o desaparecimento.

Foi a sua obra, os Tratados Apologéticos contra a Condenação das Imagens Sagradas, que, nessa época, liquidou com a heresia iconoclasta.

“Sede prudentes como a serpente…”

Conta-se ainda no elenco de suas obras, inúmeras outras ‘lutas por escrito’ que Damasceno teve ainda de travar em sua vida; todas elas dedicadas filialmente à Santa Mãe do Criador, a quem desde muito cedo ele se confiou piedosamente. [1]

E foi, valendo-se de seu maternal amparo, que São João Damasceno cumpriu em si o conselho de Cristo aos filhos da luz, “sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16). De fato, até hoje seu exemplo brilha no firmamento da Igreja e aturde os que não simpatizam com as imagens.

Que São João Damasceno, do céu, possa nos ensinar a sermos como ele: astutos e prudentes como as serpentes.

Por Renan Costa


[1] Cf. BENTO XVI. Audiência geral. Sobre São João Damasceno. Quarta-feira, 6 de Maio de 2009.

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