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Crescente preocupação com o ‘Caminho Sinodal’ alemão

“A situação na Alemanha está chegando a um ponto crítico”

Redação (10/04/2021 11:04, Gaudium Press) Nos EUA, estudiosos católicos estão preocupados com o curso tomado pelo chamado “Caminho Sinodal” alemão, que cada vez mais se manifesta questionando o Magistério da Igreja, segundo a jornalista do National Catholic Register, Joan Frawley Desmond.

“A situação na Alemanha está chegando a um auge, e é uma conjuntura crítica do pontificado do Papa Francisco”, ressaltou Chad Pecknold, professor de teologia histórica e sistemática na Escola de Teologia e Estudos Religiosos da Universidade Católica da América.

“O Papa é um instrumento de unidade, e, durante seu mandato, estamos vendo manifestações de dissidência dos bispos alemães que são comparáveis às que vimos na Alemanha no século XVI”, acrescentou Pecknold. “O Vaticano tem sido circunscrito pelo Caminho Sinodal a cada momento, e a Alemanha parece não estar cedendo um milímetro para Roma.”

O “Caminho Sinodal” foi proposto em 2019 como uma reunião da Igreja Alemã no contexto de revelações de abuso sexual e seu encobrimento por parte dos prelados. Mas, paulatinamente, o foco está sendo direcionado a uma série de reformas em questões como homossexualidade, ecumenismo e intercomunhão, estrutura eclesiástica, etc. e que, se aprovadas, chocariam frontalmente com o Magistério da Igreja, e provavelmente forçaria um cisma não de facto, mas declarado.

Esses temores foram reforçados pela publicação, no mês passado, do “Texto Fundamental” – documento que norteia as deliberações na Alemanha – que para muitos é a afirmação de uma independência absoluta, não só de Roma, mas de toda a Tradição da Igreja: “Não há uma verdade única no mundo religioso, moral e político, nem uma forma de pensamento que possa reivindicar a máxima autoridade”, comenta-se ali. Autores como George Weigel classificam tais declarações de “apostasia”.

A unidade está em perigo e há temores de que o mal se espalhe

“A unidade da Igreja está em jogo”, adverte o padre Goran Jovicic, teólogo e advogado canônico húngaro-croata, do Seminário de São Patrício em Menlo Park, Califórnia. “O Papa deve dialogar, mas também convidá-los a professar publicamente a fé católica porque já fizeram declarações públicas”, sublinhou o sacerdote, que lecionou brevemente na Universidade Erfurt, na Alemanha.

O Pe. Jovicic enfatiza que, se a Santa Sé não agir rapidamente, inclusive ordenando que certos bispos se retratem, o exemplo alemão “poderia ser um convite para outros países se unirem aos seus esforços”.

Alguns como Russell Shaw – autor de Oito Papas e a crise da modernidade – se perguntam sobre a responsabilidade dos envolvidos na nomeação de altos hierarcas alemães que têm o país à beira do cisma, por exemplo, prefeitos da Congregação dos Bispos, Núncios, etc.

Sobre os documentos que norteiam o trabalho do sínodo na Alemanha, o Pe. Emery de Gaál, professor de Teologia Dogmática na Universidade de Santa Maria do Lago, afirma que eles refletem a ampla diminuição na aceitação do ensino da Igreja sobre os sacramentos, especificamente sobre como a graça aperfeiçoa a natureza.

São numerosos os católicos que hoje creem que “não há diferença qualitativa entre natureza e graça. E isso significa que os sacramentos simplesmente confirmam a bondade inerente que já possuímos; na verdade, não nos mudam ontologicamente (no nosso ser)”, afirmou. Indicou também que esses documentos mostram o declínio da crença na própria realidade do pecado pessoal.

Alguns especialistas pensam que os bispos ocidentais deveriam desempenhar um papel mais ativo no assunto, oferecendo uma correção fraterna aos seus irmãos alemães no episcopado. Com efeito, são muito poucos os que se pronunciaram a respeito. No entanto, pessoas como o Pe Jovicic acreditam que, dado como as coisas caminham, no final todos terão que tomar uma posição.

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