Gaudium news > Costa do Marfim: 17 novos diáconos incentivados a servir o povo “em todo tempo e lugar”

Costa do Marfim: 17 novos diáconos incentivados a servir o povo “em todo tempo e lugar”

O Cardeal Ignace Bessi Dogbo destacou a importância da oração e das Escrituras: “somente uma oração profunda fará de vocês diáconos cheios do Espírito Santo”.

Foto: Arquidiocese de Abidjan

Foto: Arquidiocese de Abidjan

Redação (01/10/2026 15:09, Gaudium Press) Dezessete novos diáconos foram ordenados na Arquidiocese de Abidjã, na Costa do Marfim, pelo Cardeal Ignace Bessi Dogbo. A celebração aconteceu na Catedral de São Paulo, no bairro de Plateau, ao término de três dias dedicados à avaliação pastoral, reflexão e planejamento.

Na homilia, o prelado destacou que a vocação dos novos ministros consiste em promover a comunhão, a justiça e a equidade tanto na Igreja quanto na sociedade. Ele recordou a origem do diaconato na Igreja primitiva, descrita nos Atos dos Apóstolos: o ministério nasceu como resposta às discriminações e desigualdades que afetavam alguns membros da comunidade cristã, especialmente no cuidado das viúvas. A Igreja, nascida da experiência de Pentecostes, é chamada a tornar visível a comunhão fraterna como sinal da presença do Espírito Santo.

O cardeal enfatizou que o diácono deve gozar de boa reputação e servir a todos sem se tornar instrumento de um grupo contra outro. Exortou os ordenandos a exercerem seu ministério sem discriminação, favoritismo ou parcialidade, rejeitando qualquer forma de distinção baseada em origem étnica, raça, língua ou condição social. Eles devem tornar-se “irmãos universais”, capazes de superar barreiras sociais e culturais.

A oração profunda e a centralidade da Palavra de Deus foram apresentadas como fundamentos indispensáveis do ministério. “Somente uma oração profunda fará de vocês diáconos cheios do Espírito Santo, o Espírito de comunhão”, afirmou Dogbo. A comunhão com Deus é a base de qualquer comunhão autêntica com os outros.

O cardeal também recordou os conselhos evangélicos do celibato consagrado, da pobreza e da obediência. Esses compromissos não são meras renúncias, mas disposições que libertam o ministro para o serviço a Deus e ao povo, mantendo-o disponível para os mais necessitados, independentemente de condição social ou localização geográfica. Mencionou especialmente viúvas, órfãos, estrangeiros, jovens desempregados, pessoas que lutam contra a dependência química e doentes abandonados. “Eles precisam do seu celibato, da sua pobreza e da sua obediência”, disse aos novos diáconos.

“O diácono nasce para restabelecer a justiça e a comunhão”, declarou, lembrando que a primeira comunidade cristã se organizava para que nenhum de seus membros passasse necessidade. Os ordenandos foram incentivados a servir “em todo tempo e lugar”, mesmo quando isso exija sacrificar interesses, opiniões ou projetos pessoais. Inspirando-se no exemplo de Maria, a humilde serva do Senhor, o cardeal os convidou a exercer o ministério com desapego e imparcialidade, avançando “pelo caminho da construção de uma Igreja-Família de Deus a serviço de todos”.

O cardeal Ignace Bessi Dogbo, nascido em 17 de agosto de 1961 em Niangon-Adjamé, foi ordenado sacerdote em 1987. Serviu como bispo de Katiola a partir de 2004, arcebispo de Korhogo de 2021 a 2024 e foi nomeado arcebispo de Abidjan em maio de 2024. Criado cardeal pelo Papa Francisco em dezembro de 2024, tem como lema episcopal Omnibus Omnia (“Tudo para todos”). Sua formação inclui licenciatura em Exegese pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, o que se reflete na ênfase bíblica de suas homilias.

Com informações Aciafrique

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas