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Corpus Christi – A festa da recordação do convívio sagrado

O firmamento, a natureza, o gênero humano, até mesmo os Anjos, tudo implorava para que Nosso Senhor não se afastasse dos homens: “Fica conosco!” (Lc 24, 29)

O firmamento, a natureza, o gênero humano, até mesmo os Anjos, tudo implorava para que Nosso Senhor não se afastasse dos homens: “Fica conosco!” (Lc 24, 29) 

 Redação (10/06/2020 15:53, Gaudium Press) A festa de Corpus Christi vem comemorar esse incomparável dom feito a nós, o místico convívio com o próprio Jesus, cumulando de méritos nossa fé, ao contemplarem nossos olhos aquele pão e vinho consagrados, mas que na realidade, substancialmente, são o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de nosso Redentor.

Mas, então tudo vai acabar? Os homens nunca mais poderão conviver com Ele?

Imaginemos alguém que tivesse presenciado, com enlevo, os milagres com os quais Nosso Senhor Jesus Cristo demonstrou sua divindade — aqui a multiplicação dos pães e dos peixes, ali a cura de um paralítico, acolá o andar sobre as águas do mar da Galileia e, ainda mais, a ressurreição de mortos: a filha de Jairo, o filho da ­viúva de Naim, e Lázaro, que já estava no sepulcro havia quatro dias…

E tivesse ouvido as palavras do Mestre, pervadidas de divina sabedoria, com as quais Ele ensinava e atraía as multidões — “O Reino dos céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra” (Mt 13, 45-46); “bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!” (Mt 5, 8).

Enfim, alguém que tivesse convivido com Ele, testemunhando sua infinita bondade refletida no olhar, no tom de voz, no modo de dizer: “Tem confiança, Minha filha, tua fé te salvou” (Mt 9, 22); “Vai e não tornes a pecar” (Jo 8, 11); ou ainda: “Quem der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 10, 32).

Essa mesma pessoa, ao vê-lo elevar-se aos Céus, no dia da Ascensão, bem poderia sentir um constrangimento no fundo de seu coração e se perguntar: “Mas, então tudo vai acabar? Os homens — por quem Nosso Senhor Se encarnou e morreu na Cruz —, e esta terra — cujos caminhos foram trilhados por Seus divinos pés, cujas águas O banharam, cujas brisas O acariciaram — nunca mais poderão conviver com Ele?”.

“Fica conosco!” (Lc 24, 29) — súplica que representava o apelo de todo o universo criado

Se é normal que o coração aperte pela ausência de um ente querido, o que dizer em relação ao próprio Deus? Assim, o firmamento, a natureza, o gênero humano, talvez até mesmo os Anjos, tudo implorava que Nosso Senhor não se afastasse dos homens.
“Fica conosco!” (Lc 24, 29) — a súplica dos discípulos de Emaús representava o apelo de todo o universo criado.

Também da parte de Jesus havia o desejo de nunca mais se separar daqueles com os quais condescendeu em contrair uma relação especial. O amor do Criador pelas criaturas é infinitamente maior do que o destas para Deus. Ele, portanto, desejava ficar conosco. Mas como se faria essa maravilha?

O firmamento, a natureza, o gênero humano, até mesmo os Anjos, tudo implorava para que Nosso Senhor não se afastasse dos homens: “Fica conosco!” (Lc 24, 29)

Com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, Jesus, vem a nossa alma para conviver conosco

Nem os Anjos e os homens reunidos conseguiriam encontrar a solução apresentada.
Só mesmo o Homem-Deus poderia excogitar a Sagrada Eucaristia.
Só Ele poderia realizar para nós tal milagre, e com todo o amor, a ponto de também ter ansiado a hora em que pudesse torná-la realidade. 
“Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer” (Lc 22, 15) — confidenciou-lhes na Santa Ceia.

A festa de Corpus Christi vem comemorar esse incomparável dom feito a nós, o místico convívio com o próprio Jesus, cumulando de méritos nossa fé, ao contemplarem nossos olhos aquele pão e vinho consagrados, mas que na realidade, substancialmente, são o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de nosso Redentor. Ele penetra, em nosso interior, para nos aconselhar, confortar e santificar.
Numa palavra: para conviver conosco.

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