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Corações ricos, corações pobres

O homem que não ama é um pobre cujo coração se encontra na mais terrível das carências, porque esvaziado de seu elemento principal, sua própria essência.

Redação (18/09/2022 13:27, Gaudium Press) Nada é mais terrível que uma doença de coração. Nenhum outro órgão, quando para, causa morte tão imediata. O reflexo sobrenatural desta realidade física é a morte do coração espiritual, que consiste no apagamento da chama da caridade.

Embora, na aparência, este homem não tenha mudado, tudo nele morreu: todas as suas obras são infecundas, todos os seus esforços são inúteis. Porque morreu o amor, embora continue vivo, não é senão um cadáver pensante que, muitas vezes, nem se deu conta de ter morrido…

Nas Escrituras, são duas as acepções do conceito de pobre: uma, significando a humildade desapegada (cf. Mt 5, 3) daquele que tem todo seu tesouro em Deus; outra, no sentido de carência (cf. Dt 15, 7), a ser suprida pelos demais em virtude do preceito da caridade. Neste último sentido, o homem que não ama é um pobre cujo coração se encontra na mais terrível das carências, porque esvaziado de seu elemento principal, sua própria essência.

Nada vale sem o amor

Nada há de mais belo do que um coração pobre, porque humilde. Nada há mais sinistro do que um pobre coração, porque dele está ausente o amor a Deus. Assim, o homem vale pela intensidade do ardor de sua caridade, e é este, segundo São João da Cruz, o critério final do julgamento do homem, e da consequente definição de seu destino eterno: “No entardecer desta vida, sereis julgados segundo o amor”.

Com efeito, disse Deus, “quero o amor mais que os sacrifícios” (Os 6, 6); e se Deus quis para Si o holocausto total até de seu Filho Único, como não quererá Ele todo nosso amor?

Por isto, nada do que fazemos vale sem o amor. Como no-lo recorda o Apóstolo, toda a profecia, o conhecimento de toda a ciência, esmolas sem conta, uma fé sem medida, “se não tiver caridade, de nada valeria!” (I Cor 13, 3).

A própria teologia, feita sem amor, não faz senão manipular um monte de palavras sem sentido, sem vida, sem rumo. Não apenas porque o conhecimento sem amor é estéril; mas, sobretudo, porque sendo Deus o objeto próprio da teologia, só o amor apaixonado e sem medidas dá ao homem alguma proporção com sua meta.

O verdadeiro amor

Joseph de Maistre dizia que “a razão não pode senão falar; é o amor que canta!”. Mais que apenas “dar asas ao pensamento”, o amor é a força que lança a alma humana através do firmamento, como uma flecha, à busca de Deus!

Assim, mesmo alguém muito limitado intelectualmente pode atingir elevado grau de santidade, enquanto que o homem mais inteligente nunca poderá salvar-se se não amar a Deus proporcionalmente. Com efeito, os princípios indicam ao homem o caminho reto, mas é o amor quem lhe dá o ânimo para perseverar na hora da dificuldade.

Por isto, também, engana-se quem confunde amor com emoção, e coração com sentimento. O verdadeiro amor, que consiste na virtude da caridade, é feito de uma vontade firme, arrebatada por uma paixão santa e abrasada que, orvalhada pela graça, resulta na santidade mais excelsa.

Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho, n. 165, set 2015

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