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Conselhos dos maiores gigantes da terra

As sequoias, as mais “anciãs” entre as árvores da terra, transmitem preciosos ensinamentos que, se bem observados, serão de grande proveito para a nossa vida espiritual.

Foto: Wikipedia

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Redação (01/07/2022 11:52, Gaudium Press) Canta o salmista que “os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos” (Sl 18, 2). Quer isso dizer que, através de seus encantos, a ordem da criação reflete altíssimas verdades e contém valiosos ensinamentos.

Assim, Deus fez dos elementos que compõem a sinfonia da natureza um meio para nos conduzir até Ele. Com essas considerações em mente, fixemos nossa atenção no reino vegetal.

Gigantes da natureza!

Nativas da Califórnia, Estados Unidos, as sequoias pertencem à ordem das coníferas. Na atualidade existem apenas duas espécies: a Sequoia sempervirens, que pode ultrapassar os cem metros de altura e viver cerca de mil anos, e a Sequoiadendron giganteum conhecida como sequoia-gigante, cuja longevidade se estende por até três milênios e da qual recentemente se encontrou um exemplar com a impressionante estatura de cento e cinco metros.

Além da vertiginosa dimensão vertical, o poderoso tronco de uma sequoia pode chegar a medir doze metros de diâmetro. No Sequoia National Park, nos Estados Unidos, há um exemplar tão grosso que, para contorná-lo, são necessários vinte homens de braços abertos… Trata-se de um dos maiores e mais longevos vegetais de todo o planeta!

A maturidade destas árvores exige centenas ou até milhares de anos para ser alcançada; entretanto – salvo intervenção humana para extração de madeira –, elas não correm perigo de verem-se detidas nesse processo, pois suas folhas não são alimento nem remédio, e sua casca, com cerca de trinta centímetros de espessura, demonstra especial resistência ao fogo, aos fungos e aos insetos.

Um só fator pode ser letal para a sequoia: estar separada de suas “irmãs”! Curiosamente, o lugar onde Deus a plantou é demasiadamente pedregoso e não permite que finque raízes muito profundas…

Por esse motivo, as gigantes do reino vegetal não encontram sua força de sustentação nas profundidades da terra, como as outras árvores, mas sim no “apoio colateral”: elas crescem sempre próximas umas das outras e entrelaçam suas raízes, formando uma espécie de rede sob o solo raso. Assim, unidas, vinculadas e até interpenetradas, elas estão prontas para enfrentar qualquer intempérie.

Outro aspecto interessante desta árvore é que, quando atinge a “velhice”, o melhor meio de prolongar sua vida chama-se fogo. Os incêndios florestais, comuns em sua região nativa, abrem-lhe imensas fendas. Contudo, a cura dessas chagas leva muito tempo e lhe exige que redobre suas energias…

Vendo-se ferida, ela sente a necessidade de “lutar” ainda mais, o que lhe confere vitalidade para outras centenas de anos, ao fim dos quais se encontra rejuvenescida e robustecida. Para a sequoia, a chegada de um incêndio significa, portanto, mais duzentos ou trezentos anos de existência!

Sem dúvida, se uma dessas gigantes, durante os árduos anos de esforços por sua recuperação, pudesse nos falar, ela diria: “Estou ferida, mas lutando! E, justamente por isso, estou vivendo!”

Duas valiosas lições de vida

Hoje as monumentais sequoias nos ensinam preciosas lições para sermos espiritualmente mais robustos e duradouros do que elas.

A primeira consiste em nos compenetrarmos de que nunca atingiremos a plenitude de nossa vocação cristã sozinhos! Podemos até dar alguns passos sem o auxílio de nossos irmãos na Fé…

Entretanto, seremos nós capazes de, isolados, caminhar com perseverança e exatidão rumo à perfeição quando se fizer noite e nos assaltarem as provações? Conseguiremos nos manter em pé ante os vendavais das tentações e das ilusões do mundo? Sabemos, por experiência, que todo individualista está fadado à esterilidade sobrenatural…

O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus feito Homem, quis precisar de uma Mãe que O amparasse até o momento supremo do consummatum est e, sendo onipotente, não fundou sua Igreja sozinho, mas elegeu doze Apóstolos. Quanto mais nós, pobres mortais, necessitamos uns dos outros para alcançar a santidade! Temos de ser ajudados nesse caminho e, quando robustecidos, fortalecer também os outros. Acaso não foi esse o conselho dado por Jesus a São Pedro: “Tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32)?

A segunda lição que nos transmitem as sequoias é de que o sofrimento pode nos renovar e purificar. À semelhança dos incêndios da Califórnia, cedo ou tarde a dor se apresenta em nossas vidas; não há como escapar.

Contudo, se o fogo das tribulações abre fendas, ele também nos obriga a lutar e, como consequência, faz-nos mais fortes, mais puros e mais santos, desde que saibamos transcender as dificuldades com os olhos da fé.

Ao constatarmos as chagas deixadas pelas provações, não percamos tempo com lamúrias inconsistentes. Batalhemos com confiança em Deus! Dessa maneira, elas nos valerão não apenas duzentos anos de vida, mas as eternas alegrias da visão beatífica.

Sempre unidos, lutemos com entusiasmo!

Diante das adversidades armemo-nos, pois, de uma nova disposição de alma! Auxiliemo-nos mutuamente nos combates que se nos apresentam, fortaleçamo-nos na fé, amemo-nos uns aos outros. Então as investidas do inimigo infernal jamais serão capazes de arrancar nossas raízes do coração da Santa Igreja.

Enfrentemos com alegria e fortaleza as dificuldades da vida, lembrando-nos sempre de que é por amor que nosso Pai Celeste nos envia tormentas, para nos tornar guerreiros de Cristo e merecedores do prêmio eterno. Os flagelos que Deus nos manda não são para nossa perdição; antes servem para nossa emenda (cf. Jt 8, 27).

Assim fortalecidos e animados, amparados pelo auxílio da Santíssima Virgem, atingiremos gloriosamente a nossa plena estatura moral!

Por Ir. Mariana de Oliveira, EP

 

Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho, n. 235, julho 2021.

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