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Conselho de Maria, conselho de Cristo

No fundo de nossas almas, Maria parece dizer: “Meu filho, minha filha, confia! Confia em mim e Eu te conduzirei pelo caminho certo!”

Foto: Revista AE

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Redação (27/04/2026 19:08, Gaudium Press) Nossa Senhora do Bom Conselho. A primeira particularidade que merece atenção é o título dado à Santíssima Virgem, invocada na pintura como Aquela que pode nos dar um bom conselho.

Ora, como definir o termo conselho? Em linhas gerais, trata-se de uma recomendação que visa resolver determinado problema. Por isso, em circunstâncias difíceis, que exigem decisões sérias, nada pode ser mais útil do que receber um bom conselho! Sob esse ponto de vista, não poderia haver ninguém mais fidedigno do que Nossa Senhora para nos aconselhar em qualquer circunstância; afinal, Ela é a Mãe da Sabedoria Encarnada!

Muitas vezes, contemplando o afresco de Genazzano, uma peculiaridade nos passa despercebida: o olhar da Virgem não fita o fiel que se encontra diante d’Ela, como costuma acontecer na maioria das imagens de Nossa Senhora, mas sua cabeça se inclina levemente para o Menino, indicando-nos ser Jesus a fonte de toda a sabedoria haurida por Ela para nos aconselhar. Por essa razão o Divino Infante, apesar de pequenino, é representado com uma fisionomia de quem já alcançou a maturidade.

Nesse olhar entre Mãe e Filho, ademais, manifesta-se a união de vontades entre ambos, de maneira que Maria nos transmite o que Jesus deseja, guiando-nos pelos caminhos que a vontade divina idealizou para nossas vidas. Logo, os conselhos d’Ela gozam da exatidão e infalibilidade das próprias palavras de seu Divino Menino.

Por outro lado, o gesto filial do Infante ao abraçar sua Mãe Santíssima dá-nos o exemplo da intimidade com que devemos recorrer a Maria, que é também Mãe nossa, e da disposição de alma necessária para receber seus conselhos. Segundo considera Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, ao agarrar com os dedinhos o pescoço de Nossa Senhora, o Menino Jesus não quer apenas segurar-Se, mas também virar para Si o rosto d’Ela, como que dizendo: “Mamãe, olha para Mim!” É a oração perfeita de um bom filho!

Olhar incomparável

Em sua vida terrena, Nossa Senhora teve em grau eminente o dom de transmitir àqueles que se aproximavam d’Ela as virtudes que transbordavam de sua alma. Com efeito, é próprio da virtude perfeita não ser praticada apenas individualmente, mas “contagiar” outras almas.

Podemos imaginar, por exemplo, quando Ela Se encontrou com Maria Madalena ainda pecadora e, por primeira vez, seus olhares se cruzaram. O que terá se passado naquela pobre alma em tão augusto momento? Mistérios da graça… Entretanto, é possível cogitar que a pureza de Nossa Senhora, como um manto alvíssimo, cobriu seu coração empedernido e, da lama de sua devassidão, começou a brotar o lírio da virgindade que lhe seria em breve restaurada!

Algo análogo Nossa Senhora continua a operar através de seu afresco. Quantas e quantas vezes as almas se desesperam ante suas misérias e faltas, e não sabem a quem recorrer para abandonar o vício… Elas não têm forças para declinar seus erros e receber o perdão de Deus. O que fazer? Simplesmente, recorrer à Mãe do Bom Conselho. Nem sempre Ela profere palavras, mas fala claramente por ação da graça divina, mais valiosa do que todos os discursos! Basta fitar o afresco para que a inocência perdida comece a ser restaurada. Em seguida, Nossa Senhora fortalece a alma a fim de que busque um sacerdote e receba, no Sacramento da Confissão, a consumação da obra de misericórdia iniciada por seu puríssimo olhar.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho, abril 2026. Por Ir. Patricia Victoria Jorge Villegas, EP.

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