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Comungar… com Maria

São Luís Maria Grignion de Montfort indica um modo peculiar de receber a Eucaristia: fazê-lo como devoto de Maria Santíssima.

Foto: Reprodução/Revista Arautos do Evangelho nº 234.

Redação (06/06/2022 15:49, Gaudium Press) O mês de junho nos traz a solenidade de Corpus Christi com o convite para adorar a Sagrada Hóstia em procissão pelas ruas das vilas e cidades. Infelizmente em algumas paróquias por conta das guerras, acidentes naturais, a pandemia que se arrasta, entraves municipais ou falta de fervor – este último fator pode ser decisivo… – o Santíssimo Sacramento não será honrado nesse dia. Tristeza dos tempos que correm.

A Igreja nos oferece várias ocasiões para nos aproximarmos da Presença Real do Senhor: a Missa, a Comunhão, a bênção, o tabernáculo, a exposição, a procissão, o viático. Também, a seu modo, a participação em Congressos Eucarísticos internacionais, nacionais, diocesanos ou paroquiais.

Mas o momento mais privilegiado entre todos ocorre quando nos aproximamos da Mesa Eucarística. “Tomai e comei, isto é o meu corpo” (Mt 26, 26), Nosso Senhor quis ficar no sacramento para ser comido; o termo “comido” pode chocar à primeira vista, mas é exato, Jesus o empregou!

É excelente adorá-Lo quando Ele sai em via pública na Solenidade de Corpus Christi, mas quanto mais é comungar e ter com Ele essa intimidade que se torna fusão; “o que me come viverá por mim” (Jo 6, 57). Vamos levá-lo com pompa para as ruas, mas não deixemos de introduzi-lo em nosso peito através da Comunhão sacramental.

Em sua célebre obra “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Maria Grignion de Montfort indica um modo peculiar de receber a Eucaristia: fazê-lo como devoto de Maria Santíssima.

Evidentemente, esta prática pressupõe a mediação universal de Nossa Senhora. A teologia não sustenta que Deus precise dEla, mas sim que Ele quis e providenciou que fosse necessário para nossa salvação. Não é em vão que Ela é aclamada com uma infinidade de títulos e privilégios: medianeira, co-redentora, onipotência suplicante, auxiliadora, advogada, porta do Céu, Mãe de Deus!

Grignion de Montfort expõe sucintamente em seu livro como um devoto de Maria – que gostaria de ser consagrado a ela como escravo – deve dispor de sua alma antes, durante e depois da Comunhão. Esta é a sua proposta:

Antes da Comunhão: Deve-se humilhar diante de Deus em vista de suas próprias misérias; renunciar ao amor próprio e as más inclinações; renovar a entrega a Maria dizendo: “Sou todo teu e tudo o que é meu é teu”, e suplicar à Santíssima Virgem que nos empreste o seu Coração para receber o seu Filho com as mesmas disposições.

Assim, Maria Santíssima virá a receber o seu Filho no coração de seu servo. Não se poderia receber melhor a Jesus ou dar maior presente a Maria.

Durante a Comunhão: Ao receber o Sagrado Corpo de Cristo, o santo mariano aconselha dizer três vezes: “Senhor, não sou digno de que entres em minha casa”.

A primeira vez para dizer ao Pai: não sou digno de receber seu Filho unigênito, mas Maria, a serva do Senhor, está comigo, intercedendo por mim e me dando confiança. É Ela quem o recebe em mim.

Então diga ao Filho que não sou digno de recebê-lo por causa de tantas infidelidades em seu serviço, mas que não coloco minha confiança em meus próprios méritos, mas nos méritos de Maria, sua querida Mãe, como Jacó confiou nos cuidados de Rebeca, e isso, embora se possa ser um pecador como Esaú.

Por fim, diga ao divino Espírito Santo que não sou digno de receber a obra prima de seu amor em vista de minha tibieza e resistência à graça. Mas rezo para que Ele venha a Maria, sua fiel esposa, e a mim, já que, sem sua descendência, nem Jesus nem Maria poderão ser formados nem alojados convenientemente em minha pobre alma.

Depois da Comunhão: São Luís Maria Grignion de Montfort propõe três piedosos pensamentos para meditar durante a ação de graças:

1 – Introduzir espiritualmente a Jesus Cristo no Coração de Maria, entregá-lo à sua Mãe que o receberá amorosamente e o adorará com honras, dizendo-lhe coisas que minha incapacidade jamais poderia enunciar.

2 – Ou manter-me profundamente humilhado na presença de Jesus residindo em Maria e, enquanto falam entre si, ficar como um escravo à porta do palácio do Rei e subir em espírito ao céu para pedir aos anjos e aos santos que adorem e amem a Jesus em meu lugar.

3 – Ou ainda pedir ao próprio Jesus, em união com Maria, o advento de seu reino sobre a terra, ou a sabedoria, ou o perdão dos pecados, ou qualquer outra graça. Em todo caso, deve-se falar com o Filho e com a Mãe com toda liberdade, sem medo de ser repreendido e na certeza de ser atendido.

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No alvorecer do século XX ocorreram dois acontecimentos fulgurantes, intimamente relacionados com o culto eucarístico: o pontificado de São Pio X (1903-1914) e as aparições de Fátima (1917).

O referido Pontífice é chamado de “Papa da Eucaristia”, pois encorajou a Comunhão frequente para os fiéis e a Comunhão precoce para as crianças, como forma de preservar sua inocência em um mundo que estava se desgarrando. E em Fátima, o Anjo de Portugal apareceu aos três pastorinhos e os preparou para receber as mensagens de Nossa Senhora dando-lhes a Comunhão. Posteriormente, a Virgem confiou a Lúcia – que sobreviveu a Jacinta e Francisco – o pedido de propagar a Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados.

Tendo passado um século dessas atribuições providenciais, onde está o cumprimento dos desejos da Mãe do Céu (comunhão reparadora) e do Santo Papa (comunhão frequente)? A resposta salta aos olhos…

“Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 13) disse Jesus na casa de Mateus, o publicano que era um dos doze e autor de um Evangelho. Facilmente nos reconhecemos como pecadores, mas nos esquecemos de que somos chamados!

Mairiporã, Brasil, junho de 2022

Por Padre Rafael Ibarguren EP – Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja.

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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