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Como será o dia seguinte do coronavírus?

Quando as portas da Igreja se reabrirem, a veremos como um lírio nascido no lodo do pecado, na noite tenebrosa, em meio à tempestade em que tudo parece perdido.

Redação (Segunda-feira, 20-04-2020, Gaudium Press) Numerosos artigos de opinião, em jornais e redes sociais, seja pelo avanço do coronavírus -que vai provocando dezenas de milhares de mortes-, seja pelo impacto econômico que começa a produzir, se perguntam: como será o dia de amanhã? Todos se preocupam com o depois.

Ninguém sabe, como, nem quando terminarão os efeitos desta terrível pandemia. Destacam que há um antes e um depois, que nada será igual. Historicamente, as pandemias, como as guerras, como também um terremoto, um tsunami, um furacão, modificaram a forma de vida das sociedades; preocupa a recuperação, à volta da normalidade. Dor, morte, desolação, acabam desbaratando o modo de vida que antes se levava.

O mundo moderno: um gigante com pés de barro

Se sentiu a debilidade do mundo moderno, este “gigante com pés de barro”, até hoje considerado poderoso e indestrutível como o majestoso transatlântico britânico Titanic -cujo lema era: “nem Deus o afunda”- que, em sua viagem inaugural, desapareceu sob as águas após colidir com um iceberg. Tragédia que nos enche de ensinamentos sobre um estado de espírito otimista existente, diante ao que consideravam que não se podia afundar. Hoje muitos temem que… não se voltará atrás, à normalidade.

Há notícias, que nos causam profunda dor. Comove o que está ocorrendo em Guayaquil, a qualificada “capital econômica do Equador”. A cidade se transformou em “um necrotério ao ar livre”. Centenas de cadáveres se acumulam nas ruas, famílias que se veem obrigadas a conviver com os corpos de seus parentes mortos em suas casas por vários dias. Não há lugar nos cemitérios, se produziu um colapso por tantos mortos.

(Leia também: Onde está Deus nesta pandemia de coronavírus?)

Os Estados Unidos não estão longe dos acontecimentos. Anthony Fauci, especialista em enfermidades infecciosas e assessor do governo, afirmou que entre 100 e 200 mil pessoas poderiam morrer pelo Covid-19, e chegar a milhões de possíveis contágios.

A valente equipe de saúde

Os médicos, enfermeiros, e toda equipe sanitária em geral, estão valentemente trabalhando sem horário, e com o perigo de contagiar-se. Na Espanha e na Argentina, no final do dia, as pessoas que estão em quarentena, em suas casas oferecem uma salva de palmas para eles. Que linda atitude de agradecimento àqueles que estão arriscando a vida pelos outros, verdadeiros herois dentro da pandemia. Na Itália, lamentavelmente, já faleceram mais de 80 médicos; o maléfico e mortal vírus, os pegou desprevenidos.

A virulência é violenta e, ao mesmo tempo, se vive a incógnita de quanto durará esta peste. Delicada situação que coloca diante da alternativa de salvar vidas e ao mesmo tempo evitar o colapso da economia mundial.

A catástrofe econômica nos Estados Unidos é fora de série, em duas semanas se perderam 10 milhões de postos de trabalho. Especialistas consideram que se perfila a mais profunda queda da economia mundial dos últimos cem anos. O Fundo Monetário Internacional, através de sua diretora Kristalina Georgieva, assegurou que a economia mundial entrou em uma “recessão, igual ou pior que a de 2009”.

Nos Estados Unidos, temores dentro da pandemia levaram a um aumento de 58% na venda de fuzis e pistolas. No sul da Itália suspeitam de fortes protestos sociais e saques depois deles.

Dramático o que nos mostram as informações, que não deixam de vir contaminadas pelas “fake news”.

(Leia também: Dez conselhos para não se deixar dominar pelo medo durante a pandemia do coronavírus)

A sonhada e vivida globalização, tem sido obstaculizada em suas capilaridades pelo vírus: fronteiras terrestres, marítimas e aéreas fechadas, se acabou a comunicação entre nações. Todo o mundo em casa, nem com os vizinhos pode “globalizar” a não ser… por meios digitais.

Tudo chegou de improviso, derrubando a “normalidade” que vivíamos.

Quão normal era o mundo em que vivíamos?

Mas, nos perguntamos: qual era a normalidade em que estávamos? Vejam que estou falando no passado, um passado que tem pouco mais de um mês… Penso –como não poucos– será difícil voltarmos ao ritmo de vida de antes, à “normalidade”.

Ocorre que o mundo vivia, na realidade, uma situação de “anormalidade”. Se fizermos um tour, rápido e superficial, sobre o “viver” anterior à quarentena, ficamos espantados. A família em crise, a juventude rebelde, a morte dos não nascidos, os anciãos e enfermos sob a ameaça da eutanásia, as crianças sofrendo aberrantes ensinamentos contra a moral, músicas com louvor ao demônio ou incentivando os baixos instintos do homem, a perda do pudor nas vestes, uma criminalidade galopante, atentados e guerras, etc. Lista alarmante! Materialismo, hedonismo, impiedade. Bem alertava São João Paulo II: “Uma vida construída sem Deus e seus Mandamentos se volta contra o homem”. (7-6-1999).

Dentro deste panorama, creio que o mais importante a ressaltar é a crise de Fé do tempo considerado como uma “normalidade”. Já o alertava o Papa Emérito dizendo: “em amplas zonas da terra a Fé corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não encontra alimento” (27-1-2012).

Até poucos dias podíamos ir à igreja rezar, assistir a Missa, se fosse necessário se confessar, comungar; havia batismos, casamentos, confirmações, se recebia a unção dos enfermos. Passamos inesperadamente, pelas medidas preventivas, a terrível situação que nos faz recordar os tempos dos primeiros cristãos nas catacumbas durante as perseguições religiosas, das grandes guerras ou catástrofes naturais, na qual a figura do edifício da igreja se eclipsa de nossas vidas. Passamos repentinamente a estar em casa, na “igreja doméstica”. Nos vem à mente as palavras de São Saturnino de Abitinia e seus companheiros (Túnez, ano 304), que foram martirizados enquanto declaravam que não lhes era possível viver sem a Eucaristia: “sem o domingo não podemos viver”.

A Igreja não está morta

Diante ao que está ocorrendo, pareceria que Deus está indiferente, dá a impressão de que a Igreja está sepultada, está morta. Não nos deixemos enganar pelas circunstâncias. Não pode esta situação desanimar-nos. Jesus, Nosso Senhor, ressuscitou a Lázaro, depois ressuscitou a si próprio. Caminhemos para a alegria da ressurreição da Igreja, por mais que na aparência pareça morta.

Lázaro apareceu mais belo, mais forte. A Igreja aparecerá mais bela, mais forte, mais militante do que nunca. Estes momentos de prova, devemos aproveitá-los para aumentar nossa Fé, crescer em virtude, em santidade, preparando-nos para o momento da glorificação da Igreja. Porque apesar da Igreja ter fechado suas portas, quando elas se reabrirem, será muito diferente. A veremos como um lírio que nasce no lodo do pecado, na noite tenebrosa da falta de luz, em meio à tempestade em que tudo parece perdido.

(Leia também: Diante do Coronavírus: Ficar em casa, na ‘igreja doméstica’)

É o “depois” destas crises. Ninguém sabe bem como sairemos, mas, “se algumas vezes se pode pensar que a barca de Pedro esteja realmente em meio a ventos difíceis -é verdade-, no entanto, vemos que o Senhor está presente, vivo, que o ressuscitado realmente está vivo e tem em sua mão o governo do mundo e o coração dos homens” (Bento XVI, 4-6-2012). Confiança!, recordemos as palavras de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim, Meu Imaculado Coração triunfará!”.

La Prensa Gráfica, 19 de abril de 2020.

Por Padre Fernando Gioia, EP (www.reflexionando.org)

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho

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