Como devo considerar-me?
“Onde estás, quando não estás contigo? E, depois de tudo percorrido, que ganhaste se esqueceste a ti mesmo?”

Foto: Patrick Fore/ Unsplash
Redação (03/08/2026 11:35, Gaudium Press) Não podemos confiar muito em nós, porque frequentemente nos faltam a graça e o critério. Pouca luz temos em nós e esta facilmente a perdemos por negligência.
De ordinário, também não avaliamos toda a nossa cegueira interior. A miúdo procedemos mal e nos desculpamos, o que é pior. Às vezes nos move a paixão e pensamos que é zelo. Repreendemos nos outros as faltas leves e nos descuidamos das nossas maiores. Bem depressa sentimos e ponderamos o que dos outros sofremos, mas não se nos dá do que os outros sofrem de nós. Quem bem e retamente avaliasse suas obras não seria capaz de julgar os outros com rigor.
O homem interior antepõe o cuidado de si a todos os outros cuidados; e quem se ocupa de si com diligência facilmente deixa de falar dos outros.
Nunca serás homem espiritual e devoto se não calares dos outros, atendendo a ti próprio com especial cuidado. Se de ti só e de Deus cuidares, pouco te moverá o que se passa por fora.
Onde estás, quando não estás contigo? E, depois de tudo percorrido, que ganhaste se esqueceste a ti mesmo? Se queres ter paz e verdadeiro sossego, é preciso que tudo mais dispenses, e a ti só tenhas diante dos olhos.
Portanto, grandes progressos farás se te conservares livre de todo cuidado temporal; muito te atrasará o apego a alguma coisa temporal.
Nada te seja grande, nobre, aceito ou agradável, a não ser Deus mesmo ou o que for de Deus. Considera vã toda consolação que te vier das criaturas.
A alma que ama a Deus despreza tudo que é abaixo de Deus. Só Deus eterno e imenso, que tudo enche, é o consolo da alma e a verdadeira alegria do coração.
KEMPIS, Tomás de. Imitação de Cristo. 28 ed. São Paulo: Paulus, 1979, p. 63-64.





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