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Com o perdão, Cristo nos restitui nova luz, diz Papa no Angelus

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 23-03-2020, Gaudium Press) Ainda com o intuito de evitar aglomerações de pessoas, enquanto perdurar a pandemia do coronavírus, a Praça São Pedro está fechada.

“O pecado é como um véu escuro que cobre o nosso rosto e nos impede de ver claramente nós mesmos e o mundo.”

Por isso, o Papa Francisco, neste domingo, 22 de março, rezou a oração do Angelus ao meio dia na Biblioteca do Palácio Apostólico.

“Cristo, luz para as nossas trevas”

Durante a alocução que realizou antes da oração mariana, Francisco recordou o Evangelho do IV Domingo da Quaresma, quando a Igreja celebra “Cristo, luz para as nossas trevas”.

De fato, no centro desta liturgia dominical encontra-se o tema da luz.

O trecho do Evangelho comentado pelo Papa, Jo 9,1-41, narra o fato acontecido com o cego de nascença, ao qual Jesus dá a vista.

Francisco sublinhou que este sinal milagroso narrado por São João é a confirmação da afirmação de Jesus que diz de si: “Eu sou a luz do mundo”.

O Papa comentou que a iluminação operada por Jesus é realizada em dois níveis: “um físico e um espiritual: o cego primeiro recebe a vista dos olhos e depois é levado à fé no ‘Filho do homem’, ou seja, em Jesus.”

“Os prodígios que Ele realiza não são gestos espetaculares, mas têm a finalidade de levar à fé através de um caminho de transformação interior”, ressaltou Francisco.

Os doutores da lei se obstinam a não admitir o milagre, e dirigem perguntas insidiosas ao homem curado. Mas, acrescentou o Santo Padre, ele os desconcerta com a força da realidade: “uma coisa eu sei: era cego e agora vejo”.

A confissão de fé

O Pontífice mostrou o caminho realizado pelo cego para chegar à confissão de sua fé. Foi um itinerário realizado em meio à indiferença e a hostilidade dos incrédulos o leva aos poucos a descobrir a identidade d’Aquele que lhe abriu os olhos e a confessar a fé n’Ele.

Disse o Papa:

“Primeiro o considera um profeta; depois o reconhece como alguém que vem de Deus; por fim, o acolhe como o Messias e se prostra diante d’Ele. Entendeu que tendo lhe dado a vista Jesus ‘manifestou as obras de Deus’.”

Para o Pontífice, com a luz da fé aquele que era cego descobre a sua nova identidade. Ele já é uma “nova criatura”, capaz de ver numa nova luz a sua vida e o mundo que o circunda, porque entrou em comunhão com Cristo.

E o Papa exortou a todos desejando “Que também nós possamos fazer essa experiência!”.

Percurso de libertação do pecado, véu escuro que nos cobre

Aquele cego “Não é mais um mendicante marginalizado pela comunidade; não é mais escravo da cegueira e do preconceito. Seu caminho de iluminação é metáfora do percurso de libertação do pecado ao qual somos chamados”, disse o Pontífice, continuando:

“O pecado é como um véu escuro que cobre o nosso rosto e nos impede de ver claramente nós mesmo e o mundo; o perdão do Senhor tira esse manto de sombra e de treva e nos restitui nova luz”.

“Que a Quaresma que estamos vivendo seja tempo oportuno e precioso para aproximar-nos do Senhor, pedindo a sua misericórdia, nas várias formas que a Mãe Igreja nos propõe.”

Para o Papa Francisco, “Não basta receber a luz, é preciso tornar-se luz

O cego curado, que vê tanto com os olhos do corpo quanto com os da alma, “é imagem de todo batizado, que imerso na Graça foi arrancado das trevas e colocado na luz da fé. Mas não basta receber a luz, é preciso tornar-se luz”: “cada um de nós é chamado a acolher a luz divina para manifestá-la com toda a própria vida”.

“A semente de vida nova colocada em nós no Batismo é como centelha de um fogo, que purifica sobretudo nós, queimando o mal que temos no coração, e nos permite brilhar e iluminar”, concluiu, para logo pedir:

“Que Maria Santíssima nos ajude a imitar o homem cego do Evangelho, de modo que possamos ser inundados pela luz de Cristo e trilhar com Ele no caminho da salvação”. (JSG)

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