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Colômbia: Orquestra Sinfônica Nacional e Coro Nacional na Igreja dos Cavaleiros da Virgem

Dois grandes nomes da música colombiana, que raramente dividem o palco, se uniram sob um céu de estrelas douradas, acompanhados por 30 belas vozes brancas.

Fotos: Orquesta Sinfónica Nacional de Colombia/ Facebook

Fotos: Orquesta Sinfónica Nacional de Colombia/ Facebook

Redação (19/09/2026 15:29, Gaudium Press) Na ensolarada tarde da sexta-feira passada, sob as majestosas e policromadas naves da igreja Nossa Senhora de Fátima, dos Arautos do Evangelho — mais conhecidos na Colômbia como os Cavaleiros da Virgem —, realizou-se um concerto que certamente ficará marcado na memória de todos que tiveram a oportunidade de vivê-lo.

O cenário era de um gótico sagrado e festivo: um céu de azul profundo e estrelas douradas servia de teto para as interpretações de duas das maiores referências da música clássica colombiana, que raramente dividem o mesmo palco: a Orquestra Sinfônica Nacional e o Coro Nacional da Colômbia. Juntos, eles apresentaram o evocativo concerto “Uma viagem da Prece à Esperança”. Nas peças finais, uniram-se a eles as 30 vozes brancas da Schola Cantorum, erigida canonicamente pelo bispo de Zipaquirá precisamente nesta igreja.

O Coro Nacional da Colômbia reúne oitenta vozes vindas de todas as regiões do país, apoiadas por uma equipe artística que inclui assessora vocal e pianista. Sob a direção da maestra Diana Cifuentes e com o maestro Jeisson Segura como diretor assistente, o coro — formado em 2023 após rigorosas audições públicas — já acumula uma trajetória que desmente sua curta existência.

“Que bom cantar música sacra nesta igreja”, comentou o maestro Segura antes da apresentação. Ele revelou estar “entusiasmado com a acústica, mas também com a magia e o sentimento de interpretar essa música em um lugar tão especial”. Segundo ele, o coro é bem recebido onde quer que se apresente, “também pela versatilidade do grupo”.

Fundada oficialmente em 1936, a Orquestra Sinfônica Nacional da Colômbia ostenta com orgulho seus 90 anos de história e se consolida como a principal instituição musical do país. Atualmente sob a direção artística do maestro Juan Pablo Valencia, continua sendo uma reserva única do patrimônio cultural colombiano.

Assim como o Coro Nacional, a orquestra conta com cerca de 80 músicos e mantém a estrutura clássica das grandes sinfônicas: cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos), madeiras (flautas, oboés, clarinetes e fagotes), metais (trompas, trompetes, trombones e tuba) e percussão, além de piano ou harpa conforme o repertório.

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Ao falar dos 90 anos da orquestra, o maestro Valencia expressa orgulho e, ao mesmo tempo, o compromisso “com todo o legado deixado por aqueles que construíram essa trajetória”. “Continua sendo a orquestra de todos os colombianos”, afirma. Sobre o concerto, ele destaca a dimensão quase milagrosa do encontro: “Esses encontros já nascem com uma mística incrível. São sonhos que se tornam realidade — eu diria ‘milagres’ que podemos construir e viver juntos. É “unir tudo o que este templo representa, todo o significado por trás dele, a trajetória dos Cavaleiros da Virgem e também o talento que vêm apoiando por meio da Schola Cantorum; unir todos esses esforços em um momento como este. (…) Sozinho, a gente pode andar rápido, mas juntos se vai mais longe; é disso que se trata aqui”.

O concerto reuniu 13 interpretações – para o público, foi um número insuficiente –, dividido em três partes: Oração, Mistério e Esperança.

Na primeira parte, destacaram-se o Gloria in Excelsis Deo, de Vivaldi — que inaugurou a entrada das vozes —, o Jesus bleibet meine Freude (“Jesus continua sendo minha alegria”), de Bach, e o Exultate, jubilate, de Mozart, com a interpretação impecável da soprano solista Mónica Ramírez.

A segunda parte, marcada pelo mistério e pelo lamento, trouxe o Dies irae e o Lacrimosa de Mozart, concluindo com o Adagio para cordas, de Samuel Barber, em um arranjo especial preparado para a ocasião.

A terceira parte, a da esperança, apresentou o Panis Angelicus, de César Franck, o imortal Ave Maria, de Schubert, e o glorioso e triunfal Hallelujah do Messias, de Händel — interpretado duas vezes a pedido do público. Nestas duas últimas peças, a Orquestra Sinfônica Nacional e o Coro Nacional já contavam com a participação da Schola Cantorum, cujas vozes infantis, vestidas de túnicas vermelhas e sobrepeliz branco, completavam o quadro visual e sonoro.

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Ao final, o diácono Gabriel Escobar, dos Arautos do Evangelho, agradeceu a todos os participantes, com especial menção a Liliana Fuentes, diretora da Associação Nacional das Artes, de quem partiu a ideia original do evento. Ela já conhecia o templo dos Arautos há bastante tempo e “sonhava” com um concerto dessa magnitude naquele espaço. A proposta encontrou calorosa aceitação e, de sonho, transformou-se em realidade. “Acreditamos que essas coisas vêm com inspiração divina”, disse ela. “Estamos muito felizes por estar neste lugar maravilhoso, onde a música e a fé se fundem e o eco das naves góticas se transforma, por um instante, em uma mensagem de algo mais profundo.”

Quando as últimas notas se dissolveram no ar, a sensação geral era a de ter vivido uma realidade quase irreal: purificante, elevada e capaz de renovar a esperança.

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