Gaudium news > Cisma na Igreja Alemã? A opinião de 3 cardeais

Cisma na Igreja Alemã? A opinião de 3 cardeais

Edward Pentin, do National Catholic Register, consultou a opinião de três cardeais alemães.

Redação (20/10/2020 08:40, Gaudium Press) Edward Pentin, do National Catholic Register, consultou a opinião de 3 cardeais alemães sobre a possibilidade de que, boa parte da Igreja na Alemanha incorra em cisma, pelo desejo de vários de seus bispos de compartilhar a comunhão com os protestantes, reabrir o debate sobre a ordenação de mulheres, entre outros temas, debatidos no chamado Caminho Sinodal – neste programa de reforma, de duração de dois anos, participam bispos, sacerdotes e leigos da Igreja alemã, que questionam os ensinamentos da Igreja sobre fé e moral.

O tema do ‘cisma’ foi levantado pelo Cardeal Woelki em setembro passado

Este temor de um cisma foi alimentado também pelas declarações, em setembro passado, do Cardeal Rainer Woelki, Arcebispo de Colônia, que advertiu que “o pior resultado será se o Caminho Sinodal conduzir ao cisma”, e que  “pior ainda” será se uma “igreja nacional alemã for criada aqui”.

Em declarações ao jornal Register, o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Muller, afirmou que o pensamento predominante na Igreja da Alemanha e em boa parte de seus bispos é mais característico do modernismo do que do protestantismo: “Eles querem corrigir a Palavra de Deus. Eles querem se sobrepor a ela, ser superiores à Palavra de Deus … Eles querem ensinar Roma”.

O Cardeal Muller declarou que a Igreja Alemã está contaminada por um “pensamento político, um pensamento mundano”.

No entanto, o cardeal acredita que esse processo continuará por um tempo indefinido e que é pouco provável que os bispos alemães rejeitem qualquer censura do Vaticano. Eles farão um ‘teatro’ e, de forma não oficial, continuarão seu caminho se padres e paróquias adotarem novas posições contrárias ao ensinamento da Igreja. “Oficialmente, eles [os bispos] dirão ‘Não’ a tais mudanças, mas , na verdade, adotá-las-ão”, previu o Cardeal.

Se o cisma da Igreja alemã for declarado, esta “perderia toda a influência na Igreja Católica”, de modo que os bispos não se arriscarão”, declarou o cardeal Muller.

Cardeal Cordes

Por sua vez, o cardeal Paul Cordes, presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum, também vê o cisma como “na verdade, improvável”, pois isso implicaria uma recusa formal de “subordinação ao Papa”.

No entanto, o Cardeal assinalou, em declarações semelhantes as do Cardeal Muller, que vê a Igreja de seu país aberta ao “espírito dos tempos”, bem como ao “vírus teológico” do secularismo que “infecta a Verdade da fé”.

O cardeal Cordes afirmou que Deus “não dita novas mensagens teológicas à Igreja por meio de acontecimentos históricos ou necessidades terrenas”. Qualquer observação dos “sinais dos tempos”, disse ele, deve ser interpretada “à luz da eterna Palavra de Deus”, e não o contrário.

Quando o Register abordou este tema com Cardeal Woelki, ele afirmou estar “muito preocupado com algumas das ideias que estão sendo promovidas no âmbito do chamado Caminho Sinodal que comprometem o ‘vínculo de unidade’ com o Papa e a Igreja universal”.

O purpurado considera que a Igreja da Alemanha ainda está unida a Roma, mas adverte que “quem promove a ordenação de mulheres ou exige um debate ‘aberto’ sobre mulheres sacerdotes ou diáconos, por exemplo, só está aprofundando as divisões entre os católicos na Alemanha, assim como aprofunda as divisões entre nós e os católicos do mundo inteiro ”.

A “opção chilena”

Pentin declara que alguns funcionários do Vaticano têm discutido a possibilidade de estudar a aplicabilidade do que se convencionou chamar de “opção chilena”, para solucionar problemas pela raiz, aludindo ao oferecimento de renúncias em massa dos bispos deste país, após os escândalos de abuso sexual de membros do clero que chocaram a sociedade chilena em 2018.

A sugestão é que os bispos alemães sejam convidados a oferecer uma renúncia em massa ao Papa, enquanto se examina sua conformidade privada e pública com o magistério da Igreja.

Com informações de National Catholic Register

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas