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Chesterton: “o que fazer da solidão?”

“Sei que no mundo deve haver todo tipo de homem; mas não posso evitar algum estremecimento quando os vejo jogar fora as férias – pelas quais suaram – fazendo alguma coisa”.

Foto: Clément Falize/ Unsplash

Foto: Clément Falize/ Unsplash

Redação (04/08/2023 15:13, Gaudium Press) “Existem aqueles que reclamam de um homem por não fazer nada; aqueles, ainda, mais misteriosos e surpreendentes, que reclamam de não ter nada para fazer. Quando diante de algumas horas ou dias sem ocupação, resmungarão de sua desocupação. Quando presenteados com o dom da solidão, que é o dom da liberdade, eles jogarão fora; eles o destruirão deliberadamente com algum terrível jogo de cartas ou com uma pequena bola. Falo apenas por mim mesmo; sei que no mundo deve haver todo tipo de homem; mas não posso evitar algum estremecimento quando os vejo jogar fora as férias – pelas quais suaram – fazendo alguma coisa.

De minha parte nunca tenho nada o suficiente para fazer. Sinto como se nunca tivesse ócio o suficiente para desfazer sequer um décimo da bagagem da minha vida e de meus pensamentos. Não preciso dizer que não há nada de particularmente misantropo em meu desejo de isolamento; muito pelo contrário. Em minha infância, como já disse, às vezes eu ficava, em um sentido bastante terrível, solitário em meio à sociedade. Mas em minha vida adulta nunca me senti mais sociável do que quando em minha solidão”.

 

CHESTERTON, G. K. Autobiografia. São Paulo: Ecclesiae, 2012, p. 249.

 

 

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