Catedral de Notre-Dame de Paris: a polêmica sobre vitrais de Viollet-le-Duc ganha novo capítulo
A autorização para a remoção dos vitrais de Viollet-le-Duc e sua substituição pelos de Claire Tabouret foi afixada nos portões da Catedral de Notre-Dame, em 20 de abril.
Redação (27/04/2026 09:45, Gaudium Press) A menos de um ano da próxima eleição presidencial francesa e da saída de Emmanuel Macron, o presidente não abre mão de nenhuma ação que possa marcar — ou, para muitos, prejudicar — o patrimônio histórico da França. Acaba de ser afixado na Catedral de Notre-Dame de Paris o aviso de autorização para a remoção dos vitrais de Eugène Viollet-le-Duc e sua substituição pelos da artista contemporânea Claire Tabouret.

Foto: Screenshot/ Instagram
A afixação desse painel era aguardada exatamente para abrir a possibilidade de recurso judicial. A associação Sites & Monuments anunciou que vai recorrer perante a Justiça nos próximos dias, dentro do prazo legal de dois meses a contar da data da primeira afixação (ocorrida por volta de 17-20 de abril de 2026). A data de início das obras ainda não foi fixada.
Esse é o segundo combate jurídico. Em novembro de 2025, o Tribunal Administrativo de Paris já havia rejeitado, em primeira instância, o recurso da associação que contestava a legitimidade do Estabelecimento Público responsável pela reconstrução de Notre-Dame para ser o mestre de obra dessa operação. Segundo a lei que criou o órgão, sua missão é “conservar” e “restaurar” a catedral — e não substituir elementos patrimoniais históricos que não foram danificados pelo incêndio de 2019.
Os vitrais em questão, localizados nas seis capelas do lado sul da nave, são protegidos como Monumentos Históricos. Eles sobreviveram intactos ao incêndio, foram restaurados ou limpos depois e fazem parte da intervenção de Viollet-le-Duc no século XIX, elemento fundamental da identidade atual da catedral. Substituí-los por criações contemporâneas seria, segundo os opositores, uma violação clara do Código do Patrimônio francês.
A associação Sites & Monuments recorreu da decisão do Tribunal Administrativo de Paris e espera que a Corte Administrativa de Apelação reverta o entendimento. Paralelamente, o novo recurso contra a autorização de obras reforça o argumento: não se trata de restauração, mas de uma modificação profunda e desnecessária.
Mesmo que todos os recursos sejam perdidos e os vitrais sejam efetivamente removidos, o combate não terminará. A associação promete continuar lutando para que a operação — apresentada como “reversível” — seja anulada e que se retorne ao estado original concebido por Viollet-le-Duc.
Essa polêmica mobiliza a opinião pública há anos. O abaixo-assinado “Conservons à Notre-Dame de Paris les vitraux de Viollet-le-Duc”, lançado pela La Tribune de l’Art e apoiada pela Sites & Monuments, já conta com mais de 335 mil assinaturas. Os organizadores reforçam: o abaixo-assinado continua disponível e pode pesar na decisão dos tribunais.
Um debate que vai além da estética

Os defensores argumentam que a arte contemporânea pode conviver com o patrimônio antigo. Os opositores respondem que não se deve “criar” destruindo ou removendo o que já existe e que está em bom estado, especialmente quando há outras locais na catedral que poderiam receber novas criações sem alterar o conjunto histórico.
A catedral de Notre-Dame, símbolo máximo da França e da arte gótica, foi reconstruída com doações do mundo inteiro após o incêndio de 2019. Para muitos, substituir vitrais históricos que escaparam das chamas representa não uma restauração, mas uma escolha ideológica que prioriza o gesto contemporâneo em detrimento da memória e da continuidade.
Com informações La Tribune de l’Art






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