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Carmelita renuncia a cargos após divulgação de fotos íntimas

Frei Evaldo Xavier Gomes era pároco da Igreja do Carmo em Belo Horizonte e Comissário Pontifício no Mosteiro de São Bento em São Paulo. A defesa sustenta que as fotos foram manipuladas.

 

Redação (05/12/2021 09:40, Gaudium Press) Nesta última semana um conjunto de fotos íntimas do Frei Evaldo Xavier Gomes, O. Carm. foram divulgadas por diversos meios telemáticos, como grupos de mensagens (Whatsapp, Telegram etc.) e através da rede mundial de computadores, em particular no site Católica Conect por meio do artigo Comissário Pontifício nomeado por Dom Braz de Aviz é pego em orgias.

Diversas renúncias

Efetivamente, o frade carmelita detinha até o começo desta semana o encargo de comissário pontifício para o Mosteiro de São Bento, na capital paulista. Entretanto, segundo fontes vaticanas colhidas pela reportagem, o frade já pediu renúncia deste cargo nomeado por Dom Braz de Aviz, prefeito para a Congregação de Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Além disso, nesta sexta-feira foi acolhida a sua renúncia para o ofício de pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo na capital mineira. Tal encargo ocorre em acordo entre a Arquidiocese de Belo Horizonte e a Ordem dos Carmelitas.

Frei Evaldo é também assessor jurídico-canônico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Até o fechamento desta reportagem, nada consta no site desta conferência episcopal acerca de uma sua eventual renúncia. Outra função secundária do frade carmelita é a de assistente ao comissário pontifício dos Arautos do Evangelho, cargo para o qual também já pediu a renúncia, segundo nossas fontes.

O frade já ocupou o cargo de prior da Província Carmelitana de Santo Elias. Segundo nossas fontes, consta outrossim que o seu nome teria sido cotado para o episcopado; contudo, a sua nomeação não foi adiante.

Teor das imagens

Entre as imagens divulgadas, o frade aparece despido com rapaz em banheiro, em outras eles aparecem abraçados e se beijando de modo acalorado.

Em outra sequência, o frade aparece deitado e abraçado na cama com outro indivíduo. Chama a atenção, neste último caso, a presença de um menor de idade abraçado a este último em foto distinta, bem como outra foto de Frei Evaldo junto a essa mesma criança. As fotos não evidenciam o crime de pedofilia; no entanto, cabe investigação para apurar a relação entre o frade e essa criança em meio a esse dúbio contexto.

Defesa diz que frade foi vítima

A assessoria jurídica de Frei Evaldo garante que ele “foi vítima de covarde ataque contra a honra por meio de publicação de inverdades e divulgação de imagens, as quais foram submetidas a ilícita e criminosa manipulação”. Segundo informações colhidas pela reportagem, o site Católica Conect foi notificado extrajudicialmente. O advogado de defesa, Guilherme Coelho Colen, alerta ao site que “as imagens foram adquiridas e manipuladas de forma criminosa, razão pela qual sua divulgação ou reprodução, por qualquer meio, notadamente o virtual, acarretará responsabilidade no âmbito cível e criminal”.

Técnicos negam manipulação

A reportagem de Gaudium Press apresentou as imagens a dois diferentes especialistas em crimes cibernéticos. Ambos testemunharam peremptoriamente que as fotos são reais, sem qualquer tipo de manipulação criminosa.

Com efeito, inexistem discrepâncias em matéria de perspectivas, proporções, iluminação, texturas e estruturas, cores e tonalidades, defeitos típicos de imagens forjadas. Ademais, é surpreendente o número de fotos apresentadas pelo suposto denunciante: há mais de 15 fotos comprometedoras. Ora, em geral, um hipotético criminoso não se dá ao trabalho de falsificar tantas fotos.

Ao que tudo indica as fotos foram tiradas na Itália: o chuveiro obedece ao estilo italiano e um aqueduto antigo, tipicamente romano, pode ser notado numa das fotos. Com efeito, o frade fez doutorado na Pontifícia Universidade Lateranense (2007) e pós-doutorado pelo Law Department do European University Institute, Florença, Itália (2009-2010).

As fotos, a se confirmarem reais, também não seriam recentes: Frei Evaldo aparenta relativamente mais jovem. Outro indício é a utilização de máquina fotográfica, o que há tempos caiu em desuso com a popularização dos celulares usados para a captura de imagens.

Fato é que as fotos foram combinadas num mesmo arquivo pdf e, nesse sentido, se pode dizer que foram “manipuladas”. De qualquer maneira, como o advogado do frade alega que as imagens foram adquiridas e manipuladas de forma criminosa, tais imagens originais podem sempre ser apresentadas para dirimir qualquer dúvida acerca da suposta manipulação. Nossa redação estará disposta a publicar eventuais laudos das imagens originais, caso nos sejam enviadas. Seja como for, um dos homens que aparecem com Frei Evaldo, apagou todas as suas fotos das redes sociais durante a última semana.

Culpa in elegendo?

Por fim, nos deparamos com uma intrigante questão. Se de fato o Frei Evaldo não foi elevado à dignidade episcopal, após informações colhidas sobre a sua vida, por que se insistiu em tantas nomeações?

Causam particular surpresa as indicações para comissário pontifício em 30 de março de 2021 para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e de assistente ao comissário pontifício dos Arautos do Evangelho em 22 de junho deste mesmo ano, ambas realizadas pelo Cardeal Dom Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Tertium non datur. Ou Dom Braz de Aviz não consultou a Secretaria de Estado do Vaticano, que certamente tinha razões para impedir a nomeação do frade carmelita como bispo; ou, se consultou, insistiu assim mesmo nas nomeações deste ano. Em ambos os casos, haverá culpa in elegendo, ou seja, culpa pela responsabilidade de escolha, caso se confirme o teor das fotos apresentadas.

Aguardemos os próximos capítulos.

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