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Cardeal Sarah: governantes não podem proibir reabertura de igrejas se as medidas sanitárias forem respeitadas

O purpurado defende que, compete aos Bispos reivindicar com firmeza e sem demora o direito a assembleias, desde que elas se tornem razoavelmente possíveis.

França – Paris (11/05/2020 12:00, Gaudium Press) O Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto divino e a disciplina dos Sacramentos, divulgou sua carta “Sobre o culto católico nestes tempos de prova”, que em língua francesa foi publicada exclusivamente por l’Homme Nouveau. Destacamos alguns trechos deste importante documento.

Necessidade e valor do culto litúrgico

O purpurado expressa que a atual situação que impede muitos fiéis de assistir à missa, juntamente com o sofrimento que ela causa, “é também uma oportunidade que Deus nos dá para entender melhor a necessidade e o valor do culto litúrgico”.

 

O Cardeal africano admite que, ainda que seja provavelmente legítimo “pedir aos cristãos que se abstenham, por um período curto e limitado, de se reunir”, “é inaceitável que as autoridades responsáveis pelo bem político se permitam julgar o caráter urgente ou não urgente do culto religioso e proíbam a reabertura das igrejas, (o que permitiria aos fiéis rezar, se confessar e receber a comunhão), a partir do momento em que as regras sanitárias fossem respeitadas. Como ‘promotores e guardas de toda a vida litúrgica’, compete aos Bispos reivindicar com firmeza e sem demora o direito a assembleias, desde que elas se tornem razoavelmente possíveis”.

E para exemplificar esse direito cita o caso de São Carlos Borromeu, que por ocasião de uma peste em Milão “aplicava nas procissões as estritas medidas sanitárias preconizadas pela autoridade civil de seu tempo”. “Os fiéis cristãos também tem o direito e o dever de defender firmemente e sem compromisso sua liberdade de culto”, que pode se expressar publicamente não por uma concessão do Estado, pois é um “direito objetivo de Deus” e um “direito inalienável de cada pessoa”.

A presença sacramental é insubstituível

Enquanto o Cardeal Sarah elogia os católicos que, neste período de restrições, estão rezando a “liturgia das horas em suas casas” ou se unem espiritualmente à celebração da Santa Missa, afirma que de acordo com “a lógica da encarnação e, portanto, dos sacramentos, não se pode abster-se da presença física. Nenhuma transmissão virtual substituirá a presença sacramental. A longo prazo, ela poderia até prejudicar a saúde espiritual do sacerdote, que, ao invés de dirigir seu olhar para Deus, olha e fala para um ídolo: uma câmera”.

A Santa Missa é, pois, a mais bela expressão externa em honra de Deus, uma vez que é por Ele mesmo oferecido enquanto Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Entretanto, o Cardeal não desconhece, que as transmissões através dos diferentes meios de comunicação “tem permitido que numerosos católicos se unam espiritualmente ao culto público ininterrupto da Igreja”, pelo qual agradece a todos que o tem feito essas transmissões possíveis.

Mau uso dos templos católicos

O purpurado aproveita esta sede que com caráter universal se sente pela Santa Missa, para apresentar algumas transgressões diretamente relacionadas à liturgia ou ao mau uso dos templos, e que merecem reparação. “Muitas vezes menosprezamos a sacralidade de nossas igrejas. Nós as transformamos em salas de concerto, em restaurantes ou dormitórios para os pobres, refugiados ou sem documentos. A Basílica de São Pedro e quase todas as nossas catedrais, expressões vivas da Fé de nossos antepassados, se converteram em grandes museus, pisados e profanados, diante dos nossos olhos, por um lamentável desfile de turistas, muitas vezes não fiéis e desrespeitosos para com os lugares santos e o Templo santo do Deus vivo”.

Diante da atual situação, “Deus nos oferece a graça de sentir o quanto nossas igrejas estão fazendo falta”. É preciso que estas reflexões levem à redescoberta do sentido de sacralidade, e que se proíba manifestações profanas nas igrejas, reservando o acesso ao altar apenas aos ministros de culto, que se vetem os gritos, os aplausos, as conversas mundanas e o frenesi das fotografias.

Não estamos esquecendo o caráter sagrado da Eucaristia?

Em relação à apetência crescente que está sendo manifestada para que se retome a participação nas igrejas, o Cardeal Sarah expressa que “Deus não deixará esse desejo insatisfeito. É preciso recordar também que nenhum sacerdote deve se sentir impedido de confessar e dar comunhão aos fiéis na igreja ou em casas particulares, com as preocupações de saúde necessárias. Mas a situação da fome eucarística pode nos conduzir a uma tomada de consciência saudável. Não estamos esquecendo o caráter sagrado da Eucaristia?”.

O Cardeal comenta que, por estes dias, ouviu falar de graves sacrilégios, como sacerdotes que empacotam hóstias em sacos plásticos ou em papel para levá-las para as casas, ou ainda Padre que distribuem a comunhão com pinças. “Quanto isto está longe de Jesus, que se aproximou dos leprosos e, estendendo as mãos, tocou-os para curá-los, ou do Padre Damião, que dedicou sua vida aos leprosos de Molokai (Havaí). Esta forma de tratar a Jesus como um objeto sem valor é uma profanação da Eucaristia”. É preciso, pelo contrário, “tremer de reconhecimento e cair de joelhos diante da Santa Comunhão” e sua grandeza.

Adoração e piedade pós-confinamento

Sobre os atos de piedade para quando terminarem as medidas restritivas, o Cardeal Sarah propõem aos pastores que ofereçam “ao povo cristão a ocasião de adorar em conjunto e solenemente a majestade divina no Santíssimo Sacramento”. “Será preciso louvar, dar graças por meio de procissões públicas. Isto será ocasião para que o povo inteiro se reúna em um só corpo e experimente que a comunidade cristã nasce do altar do sacrifício eucarístico. Animo, desde o momento em que isso seja possível, as manifestações da piedade popular tais como o culto das relíquias dos santos protetores das cidades. É necessário que o povo de Deus manifeste ritualmente e publicamente sua Fé”. Essas manifestações servirão também de propiciação e reparação pelas ofensas feitas a Deus.

Repetindo a todos sua “profunda compaixão neste tempo de provas”, o Cardeal Sarah “renova seu fraterno apoio aos sacerdotes que se dedicam de corpo e alma e sofrem por não poder fazer mais por seu rebanho”. “Em conjunto, logo, daremos novamente aos olhos de todos, o culto devido a Deus e que faz de nós um povo”, conclui. (EPC)

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