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Cardeal Sarah: A Igreja existe para que haja santos. O resto é secundário

“Procuramos um sacerdote porque buscamos a Deus, não porque queremos salvar o planeta”.

Redação (06/07/2022 17:38, Gaudium Press) O Cardeal Robert Sarah, Prefeito Emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Figaro a respeito de seu novo livro: Catéchisme de la vie spirituelle (Catecismo da Vida Espiritual, publicado em 11 de maio de 2022).

O cardeal africano contou que escreveu o livro “durante o confinamento” devido à Covid e destacou um aspecto da época: “Fiquei impressionado: cuidávamos da vida dos corpos, mas deixamos morrer as almas. A vida espiritual é, no entanto, o que há de mais íntimo em nós, o que temos de mais precioso”. “[…] Esta crise revelou a incrível sede espiritual de que os corações sofrem. As pessoas anseiam por silêncio, por profundidade, por uma vida com Deus”.

E apontou que durante o confinamento, a palavra “oração” estava entre as mais pesquisadas no Google. Com efeito, “a pandemia revelou que a superficialidade, a negação da vida interior são as doenças que causam sofrimento e angústia entre nossos contemporâneos”.

Por isso, “chegou a hora de a Igreja voltar ao que se espera dela: falar de Deus, da alma, do além, da morte e, sobretudo, da vida eterna”. “[…] A Igreja existe para que haja santos. O resto é secundário. A vida de seguir a Cristo abre-nos esta vida com Deus. Ela passa pela cruz. A cruz é a plenitude do amor manifestado. É a vitória da vida sobre a morte e o pecado”.

“A santidade não está reservada a uma pequena elite. Ela é para todos. Ser santo é deixar-se amar por Deus, é seguir a Cristo”.

O cardeal citou o interesse despertado na França por São Carlos de Foucauld ou Santa Teresa de Lisieux. “Eles não conseguiram nada de grande para a sociedade. Mas eles buscaram a Deus. A Igreja existe para ajudar os que buscam a Deus. Este é seu único objetivo”.

Ao ser questionado se os padres e bispos falam o suficiente sobre a vida espiritual, ele respondeu:

“Às vezes, eles são tentados a se tornarem interessantes aos olhos do mundo falando sobre política ou ecologia. Mas acho que assim não interessam a ninguém. Procuramos um sacerdote porque buscamos a Deus, não porque queremos salvar o planeta”.

O Cardeal Sarah lembrou que, em 2013, um dia depois de sua eleição, o Papa Francisco havia dito que “se a Igreja deixar de buscar a Deus através da oração, ela corre o risco de trair”.

O Catecismo da Vida Espiritual

O cardeal africano explicou que seu livro é um catecismo da vida interior que procura indicar os principais meios de entrar na vida espiritual sob uma perspectiva prática e não acadêmica.

Desse modo, o livro está estruturado em torno dos sacramentos. Segundo o purpurado, “infelizmente, os sacramentos foram transformados em cerimônias puramente externas. No entanto, eles são, de fato, os meios sensíveis pelos quais Deus nos toca, nos cura, nos nutre, nos perdoa e nos conforta. Acredito que também na Igreja muitos desconhecem a realidade interior, espiritual e mística dos sacramentos. Só vemos ali os ritos sociais, enquanto no sinal sacramental se revela o mistério, o próprio Deus se doa”.

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