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Cardeal Roche: Leão XIV manterá as restrições à missa tradicional em Latim

O Papa Leão XIV ainda não se pronunciou pessoalmente sobre o futuro de Traditionis Custodes.

Foto: Shalone Cason/ Unsplash

Foto: Shalone Cason/ Unsplash

Redação (31/07/2026 08:37, Gaudium Press) Em entrevista ao semanário britânico The Tablet, o Cardeal Arthur Roche afirmou categoricamente que o Papa Leão XIV não pretende revogar as restrições impostas por Traditionis Custodes nem restaurar o regime estabelecido por Bento XVI em Summorum Pontificum. Trata-se da declaração pública mais clara até o momento sobre o tema, embora tenha partido do prefeito do Dicastério para o Culto Divino e não do próprio Pontífice.

Roche fundamenta sua posição na necessidade de preservar a unidade da Igreja. Para ele, a Eucaristia é o sacramento da comunhão e, quando a liturgia se converte em fator de divisão, perde justamente aquilo que deveria expressar. Na entrevista, o cardeal também rejeita a narrativa de perseguição apresentada por alguns grupos ligados ao rito antigo e recorda que a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II representou um impulso missionário para a Igreja, sem que isso signifique considerar a liturgia anterior inadequada.

O argumento da unidade, porém, merece ser analisado à luz dos acontecimentos recentes. No início de julho, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) realizou novas sagrações episcopais sem mandato pontifício em Ecône, gesto que levou o Dicastério para a Doutrina da Fé a declarar o ato cismático e aplicar as sanções previstas pelo direito da Igreja. Esse episódio alterou profundamente o contexto da discussão litúrgica.

Durante anos, muitos advertiram que a restrição à Missa Tradicional poderia fortalecer justamente os setores mais radicais do tradicionalismo. Não por acaso, vozes importantes, como o Cardeal Gerhard Müller, já haviam afirmado que Traditionis Custodes produziu o efeito contrário ao desejado, reforçando a FSSPX em vez de enfraquecê-la. O próprio Arcebispo Georg Gänswein manifestou publicamente considerar um erro a política adotada contra a liturgia tradicional.

É justamente aqui que reside o “gargalo “da questão litúrgica. Se a preocupação central é preservar a unidade, talvez seja necessário distinguir com maior clareza entre aqueles que romperam efetivamente a comunhão eclesial e aqueles que, permanecendo plenamente unidos a Roma, desejam apenas conservar uma forma litúrgica venerável da tradição latina. Colocar todos sob a mesma sombra corre o risco de alimentar ressentimentos desnecessários e de enfraquecer a confiança de comunidades que nunca desafiaram a autoridade do Papa.

Ao mesmo tempo, seria igualmente um erro ignorar que, em certos ambientes ligados ao rito antigo, surgiram discursos de hostilidade aberta ao Concílio Vaticano II, aos papas recentes e às autoridades eclesiásticas. As palavras de Roche sobre o tom de ódio presente em parte desse debate não podem ser simplesmente descartadas. A caridade e a comunhão continuam sendo critérios indispensáveis para qualquer autêntica renovação litúrgica.

Até o momento, porém, existe um elemento que recomenda prudência. O Papa Leão XIV ainda não se pronunciou pessoalmente sobre o futuro de Traditionis Custodes. A entrevista ao The Tablet revela a convicção do prefeito responsável pela liturgia, mas não possui o peso de um ato magisterial ou disciplinar do próprio Pontífice.

Após o novo cisma provocado pelas sagrações da FSSPX, a questão deixou de ser meramente litúrgica. Tornou-se um desafio eminentemente pastoral: como defender a unidade sem afastar aqueles que permanecem fiéis à Igreja? A resposta exigirá mais do que normas disciplinares. Demandará discernimento para separar quem rompeu a comunhão daqueles que, mesmo celebrando segundo o missal antigo, continuam professando a mesma fé católica e reconhecendo a autoridade do Sucessor de Pedro. Somente assim a verdadeira unidade deixará de ser apenas um princípio jurídico para voltar a ser uma realidade vivida no coração da Igreja.

Por Rafael Ribeiro

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