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Cardeal Muller: Os EUA agora liderarão sutilmente a campanha de descristianização

Kath.net entrevistou o purpurado alemão sobre o tema da catolicidade de Biden, entre outros.

Redação (27/01/2021 10:01, Gaudium Press) Em entrevista ao Kath.net, o cardeal Gerhard Muller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pronunciou palavras de esclarecimento sobre o candente e atual tema da catolicidade do novo presidente americano Joe Biden. O blog de Marco Tosatti publicou esta entrevista.

Depois de afirmar que um bispo católico que relativizasse a lei moral por suas preferências políticas seria “um falso apóstolo”, e depois de recordar a contínua condenação do Magistério ao aborto, o purpurado alemão afirma que “há bons católicos até mesmo nos mais altos escalões do Vaticano que, em um cego efeito anti-Trump, suportam ou minimizam tudo o que agora é desencadeado contra cristãos e todas as pessoas de boa vontade nos Estados Unidos”. O purpurado se refere às políticas da nova administração americana contra a vida e a família – especialmente em matéria de aborto, do chamado casamento homossexual e de danos à liberdade religiosa.

“Agora, os EUA com seu poder político, midiático e econômico concentrado, está na vanguarda da campanha mais brutal para descristianizar a cultura ocidental em 100 anos”, afirma o purpurado.

O Cardeal Muller ressalta que a nova administração coloca milhões de vidas de crianças em risco nos Estados Unidos e em todo o mundo. Mas afirma que há aqueles que acham que isso é menos mal do que se Trump tivesse continuado no poder.

No entanto, o Cardeal expressa: “estou convencido de que a ética individual e social tem precedência sobre a política. O limite é superado quando a fé e a moralidade contradizem o cálculo político. Não posso apoiar uma política abortista porque ela constrói casas populares, e pelo bem relativo deveria aceitar o mal absoluto.”

O que o Cardeal Muller pensa a respeito das diferentes posições do episcopado americano em relação a Biden?

O jornalista da Kath.net demonstra ao Cardeal que há bispos nos Estados Unidos que afirmam que deve ser negada a comunhão a Biden, como o ex-arcebispo da Filadélfia, Mons. Chaput, enquanto outros, como o Cardeal Gregory, arcebispo de Washington, dizem que continuariam dando a comunhão a ele, e pede ao Cardeal Muller uma avaliação sobre isso.

“Infiltrou-se a opinião absurda, mesmo entre os católicos, de que a fé é um assunto privado e que se pode permitir, aprovar ou promover algo intrinsecamente mal na vida pública”, afirmou o cardeal Muller.

“Em ação concreta”, prosseguiu, os “cristãos em um parlamento ou governo nem sempre são capazes de fazer respeitar a lei moral natural em todos os pontos. Mas nunca devem participar ativamente ou passivamente do mal. No mínimo, devem protestar contra ele – e na medida do possível – resistir, mesmo que sejam discriminados por isso.”

Questionado sobre o que pensar e o que fazer frente aos apelos de Biden à “unidade”, o purpurado alemão respondeu que “uma divisão ideológica da sociedade não pode ser superada, marginalizando, criminalizando e destruindo o outro lado, de modo que, no final, todas as instituições, da mídia às corporações internacionais, estejam dominadas apenas por representantes da corrente capital-socialista.”

 “Nos Estados Unidos, como agora na Espanha, escolas católicas, hospitais e outras instituições sem fins lucrativos subsidiadas pelo dinheiro público certamente serão forçadas a se comportar imoralmente ou fechadas se violarem as novas disposições governamentais.”

“Nesta altura, até os mais ingênuos percebem se o discurso de reconciliação na sociedade foi tomado a sério ou se era apenas uma estratégia de marketing. (…) O lema “Se você não quer ser meu irmão, eu vou quebrar sua cara” não é o caminho certo para a reconciliação e respeito mútuo.”

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