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Cardeal Czerny: a esperança de alcançar a paz na Ucrânia

A Gaudium Press conversou com o cardeal especialmente sobre a Ucrânia e a possível visita do Papa. De sua estada neste país em março, ele confirma sua forte impressão com a separação das famílias.

Card. Michael Czerny S.J. at the Vatican

Redação (18/07/2022 16:57, Gaudium Press) O ​​Cardeal Michael Czerny, Prefeito do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, foi muito amável com a Gaudium Press, pois apesar de sentir desconforto na garganta, respondeu gentilmente as perguntas feitas.

Ele recebeu nossa equipe em uma ampla sala da nova sede, inaugurada pelo Conselho Episcopal Latino-Americano em Bogotá.

Gaudium Press: Sabemos que Sua Eminência esteve na Ucrânia em março passado e que, entre muitos aspectos que tocaram seu espírito, a divisão das famílias impressionou-o muito. Que outras coisas o senhor observou na população?

Cardeal Czerny: Isso foi o principal, porque eu estava sozinho na fronteira ocidental, muito longe da guerra como tal. Os efeitos, ou o principal efeito que eu vi, foi essa separação forçada dentro das famílias. Assim, as mães e as crianças fugiram, enquanto os homens tiveram que ficar. Fiquei muito comovido com isso, porque eles tiveram que se despedir, sem saber o que aconteceria na Ucrânia ou fora dela, no sentido do que poderia acontecer com as mulheres e crianças.

Gaudium Press: Em maio passado, o Papa, que sempre manifestou sua vontade de alcançar a paz neste conflito, disse que queria ir a Moscou, mas não recebeu uma resposta das autoridades russas. Agora, na entrevista que deu a Phil Pullela da Reuters, ele mais ou menos marcou uma data para sua possível viagem a Moscou e Ucrânia. Vossa Eminência sabe o que mudou?

Cardeal Czerny: Não sei. Mas eu poderia comentar que a intenção é ir para Moscou e Kyiv. Não para uma capital.

Gaudium Press: Eminência hoje foram publicadas algumas declarações de um Arcebispo ucraniano nos EUA, nas quais manifesta uma grande animosidade para com os russos, e afirma que há muitos católicos do seu país que não compreendem a posição da Santa Sé no conflito. E, por outro lado, alguns afirmam que uma viagem do Santo Padre a Moscou não teria frutos por causa do apoio dos ortodoxos ao conflito. Nesse contexto, qual seria o sentido de uma visita do Papa?

Cardeal Czerny: Suponho que não poderemos responder à pergunta até depois [da visita]. Porque não podemos saber o que está sendo feito para prepará-la. A qualidade do encontro depende da preparação. Então, o que o senhor mencionou é verdade, parecem ser obstáculos muito grandes, mas tem que confiar que as condições para uma iniciativa honesta e frutífera estão sendo trabalhadas.

Gaudium Press: Há analistas que dizem que o próprio presidente Putin está em uma situação difícil, pois embarcou em uma ofensiva militar que não deu os resultados esperados, o que prejudica seu prestígio, mesmo dentro da Rússia. Já se pensou no que seria um possível acordo entre a Rússia e a Ucrânia para acabar com a guerra, dada a forte hostilidade dos ucranianos e as possíveis dificuldades de Putin?

Cardeal Czerny: Certamente os fatores que o senhor menciona são as grandes complicações. Mas suponho também que, em outras situações de guerra, quando finalmente se alcançar uma paz, um acordo, um cessar-fogo etc., os obstáculos que pareciam enormes serão superados. Então eu acho que daqui, e com as informações parciais que temos, não sei se podemos calcular as probabilidades. Se não, continuar, como o Santo Padre nos pede, rezar pela paz. Fazer um autoexame de como estou contribuindo para o fim da violência e, se possível, gestos também de ajuda humanitária.

Gaudium Press: Eminência, uma pergunta sobre seu trabalho no Dicastério que preside. Ouvem-se opiniões no sentido de ‘espiritualite’ ou ‘sociologite’…

Cardeal Czerny: Eu sei, eu sei…

Gaudium Press: Na missão da Igreja, qual é o equilíbrio entre esta ‘espiritualite’ e a dedicação a uma tarefa meramente social?

Cardeal Czerny: O equilíbrio é parar de discutir essas abstrações e se dedicar às coisas concretas que Jesus nos pede. Acho que Ele explicou muito bem no capítulo 25 de Mateus, como responder. Lá em São Mateus, não se encontra essa distinção. [No final do capítulo 25, Jesus exorta a mostrar o amor a Deus com ações concretas, como atender os sedentos, os famintos, os nus e os prisioneiros, nos quais o próprio Cristo está presente].

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