Cardeal Cristóbal López Romero afasta-se temporariamente enquanto Vaticano investiga denúncias
O cardeal afirmou que nunca cometeu agressão, violência ou assédio sexual. A investigação está sob responsabilidade das instâncias competentes da Santa Sé e seu afastamento tem como objetivo preservar a serenidade do processo e evitar qualquer interferência nas apurações.
Foto: Vatican News
Redação (09/07/2026 09:32, Gaudium Press) O Cardeal Cristóbal López Romero, salesiano, de 74 anos, arcebispo de Rabat, no Marrocos, anunciou que se afastará temporariamente das celebrações públicas e das atividades pastorais enquanto o Vaticano conduz uma investigação preliminar sobre denúncias de supostos comportamentos inadequados envolvendo mulheres adultas. A decisão foi comunicada pelo próprio cardeal, que reafirmou sua inocência e declarou estar colaborando plenamente com as autoridades eclesiásticas responsáveis pelo caso.
A informação ganhou repercussão internacional após uma investigação da agência France-Presse (AFP), reproduzida por diversos veículos, entre eles o portal espanhol Religión Digital. Segundo a reportagem, cinco mulheres apresentaram denúncias relacionadas a fatos que teriam ocorrido entre 2009 e 2024, período em que López Romero exerceu seu ministério em diferentes países. As acusações incluem supostas agressões sexuais, contatos físicos sem consentimento e abuso de autoridade espiritual. Os relatos envolvem episódios que teriam ocorrido no Marrocos e também em outros países onde o cardeal trabalhou anteriormente, como Paraguai e Bolívia. Até o momento, não há denúncia criminal apresentada à Justiça marroquina, e a investigação permanece na esfera canônica do Vaticano.
Em comunicado divulgado pela Arquidiocese de Rabat, o cardeal afirmou que nunca cometeu agressão, violência ou assédio sexual. Segundo ele, a investigação está sob responsabilidade das instâncias competentes da Santa Sé e seu afastamento tem como objetivo preservar a serenidade do processo e evitar qualquer interferência nas apurações.
A repercussão do caso levou a Arquidiocese da Santíssima Assunção, no Paraguai – onde Cristóbal López Romero exerceu parte significativa de seu ministério episcopal –, a divulgar uma nota oficial. No comunicado, a arquidiocese manifestou confiança de que a investigação permitirá o pleno esclarecimento dos fatos e ressaltou a importância de respeitar o devido processo conduzido pela Igreja. Também afirmou acompanhar com oração todas as pessoas envolvidas e pediu que o caso seja tratado com serenidade, verdade, justiça e caridade cristã.
O caso de López Romero ocorre em um contexto em que outros cardeais também enfrentaram investigações ou sanções relacionadas a denúncias de abuso. O cardeal australiano George Pell foi condenado por abuso sexual em primeira instância e chegou a cumprir mais de um ano de prisão, mas teve a condenação anulada por unanimidade pela Suprema Corte da Austrália em 2020, que concluiu haver dúvida razoável quanto à sua culpa. Já o cardeal peruano Juan Luis Cipriani foi alvo de medidas disciplinares impostas pelo Vaticano em 2019, após uma denúncia de abuso sexual de um menor referente à década de 1980. A Santa Sé confirmou publicamente, em 2025, que essas restrições permanecem em vigor. Cipriani nega as acusações e afirma nunca ter cometido os abusos atribuídos a ele.
Enquanto a apuração segue em andamento, Cristóbal López Romero permanece afastado das atividades pastorais públicas e continua sustentando sua inocência. Até o momento, o Vaticano não anunciou medidas adicionais além da investigação preliminar, que deverá determinar os próximos passos do processo canônico.
Por Rafael Ribeiro





Deixe seu comentário