Britânica de 56 anos viaja à Suíça para morrer por suicídio assistido após perda do filho único
Wendy Duffy, de 56 anos, uma mulher em boa saúde, decidiu acabar com sua vida na clínica Pegasos, em Basileia, Suíça, após ter enfrentado dificuldades para lidar com a morte de seu filho, de 23 anos.
Redação (25/04/2026 08:46, Gaudium Press) Wendy Duffy, uma mãe britânica de 56 anos, viajou para a Suíça para encerrar a própria vida por meio de suicídio assistido na clínica Pegasos, após quatro anos de luto pela morte do seu único filho, Marcus.
Marcus morreu aos 23 anos, engasgado com um tomate que ficou preso na traqueia enquanto dormia. Nove meses depois da tragédia, Wendy tentou o suicídio por overdose e precisou ficar duas semanas em ventilação mecânica. Desde então, ela afirmou que nenhuma medicação ou terapia conseguiu aliviar sua dor.
Em entrevistas ao Daily Mail e ao New York Post, Wendy declarou que o suicídio assistido era a única forma de libertar seu “espírito”. “Nenhuma quantidade de remédios ou terapia vai me tornar inteira novamente. Eu não consigo mais esperar para morrer”, disse ela. A mulher explicou que preferia morrer de forma organizada na Suíça para não deixar um trauma para quem a encontrasse caso pulasse de uma ponte ou prédio.
Ela pagou cerca de US$ 13.500 (aproximadamente R$ 75 mil) à clínica Pegasos, uma organização sem fins lucrativos sediada na Suíça. A clínica defende que é um direito humano de todo adulto racional, independentemente do estado de saúde, escolher o momento e a forma de sua morte.
Wendy planejou detalhes pessoais da sua morte: escolheu a roupa que vestiria, pediu que a música “Die With A Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars, tocasse durante o procedimento e determinou que seus pertences fossem doados depois. Antes de morrer, ela pretendia ligar para as quatro irmãs e dois irmãos para se despedir. “Vai ser uma ligação difícil, em que vou agradecer e dizer adeus. Mas eles entendem. Eles sabem que eu não estou feliz e que não quero mais estar aqui”, afirmou.
O suicídio assistido é legal na Suíça mesmo para pessoas saudáveis fisicamente, desde que o indivíduo tenha capacidade mental para decidir.
Contexto e debates recentes
O caso de Wendy Duffy ganhou também repercussão, pois ocorre logo após a morte por eutanásia, em 26 de março passado, da jovem espanhola Noelia Castillo, de 25 anos. Noelia, que ficou paraplégica após uma tentativa de suicídio, lutou judicialmente por quase dois anos contra a vontade do pai para ter o direito à morte assistida. O caso provocou intenso debate na Espanha, onde a eutanásia é legal desde 2021. A Igreja Católica espanhola classificou a morte de Noelia como “uma derrota da sociedade”.
Enquanto isso, no Reino Unido, um projeto de lei que permitiria o fim da vida assistida para adultos com doença terminal (Terminally Ill Adults – End of Life – Bill) esgotou o tempo parlamentar e não foi aprovado na Câmara dos Lordes em 24 de abril. O arcebispo de Liverpool, John Sherrington, comemorou a derrota do texto, defendendo que os cuidados no fim da vida devem ser baseados na compaixão e no respeito à vida natural.
Posição da Igreja Católica
A Igreja Católica condena tanto o suicídio quanto a eutanásia e o suicídio assistido considerados gravemente imorais. O Papa Francisco já chamou a eutanásia de “uma falha do amor” e “falsa compaixão”. Em mensagem de 2024 sobre cuidados paliativos, ele afirmou que a verdadeira compaixão significa “sofrer com” o outro, compartilhando seus fardos, e não encerrar intencionalmente uma vida.
São João Paulo II, em documentos como a encíclica Evangelium Vitae (1995), descreveu o suicídio como rejeição ao amor a si mesmo e à soberania de Deus sobre a vida e a morte. Ele também classificou a eutanásia como “uma grave violação da lei de Deus” e “uma falsa misericórdia”, que perverte o sentido de compaixão.
A Igreja distingue claramente a eutanásia dos cuidados paliativos. Segundo o Papa Francisco, os cuidados paliativos representam uma forma genuína de compaixão, ao aliviar o sofrimento físico, emocional, psicológico e espiritual, respeitando a dignidade inviolável da pessoa até o fim natural da vida.
O caso de Wendy Duffy reacende o debate global sobre o direito de morrer, os limites da autonomia individual e o papel da sociedade e da medicina no acolhimento de quem sofre profundamente. O sofrimento não é apenas inevitável em um ser contingente e racional, mas também necessário. Uma pessoa sem sofrimento experimentaria um tormento maior do que o próprio sofrimento. A resposta deve estar no apoio integral à vida, especialmente em seu lado espiritual, nos momentos de maior dor.
A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular realizado por Cristo, Juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo Juízo Final.






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