Bomba atômica à vista!?
Há mais de oitenta anos, o planeta terra, consternado, presenciava um fato que marcava profundamente a história: o primeiro ataque nuclear. Mas será esse um evento isolado do passado?
Redação (04/05/2026 15:00, Gaudium Press) “Prodigiosas forças aéreas, terrestres e marítimas estão prestes a desferir o último golpe contra o Japão. A aplicação total de nossa potência militar, sustentada por nossa inquebrantável resolução, significará a destruição completa do território japonês”.[1]
Nesta peremptória mensagem estava contida a clara ameaça da bomba atômica, que seria pela primeira vez utilizada em um conflito. Sem dúvida, tratava-se do terrível prelúdio de uma nova etapa na ocidentalização do Império do Sol Nascente, que traria consequências funestas para o mundo inteiro. Contudo, faz-se necessário voltar rapidamente ao início da década de 1940 para examinar as causas dessa intervenção que marcou para sempre a história da humanidade.
De Pearl Harbor a Hiroshima
Era um domingo, 7 de dezembro de 1941. Enquanto a maioria dos oficiais da marinha americana desfrutava seu dia de descanso, contemplando o esplêndido céu que brilhava em meio ao Pacífico Sul, no arquipélago do Havaí, centenas de bombardeiros e caças japoneses despontaram sem prévio aviso no azul do firmamento, desferindo um tremendo golpe contra a frota norte-americana ancorada na base de Pearl Harbor. Como ato de retaliação, o Pentágono declarou guerra ao Japão, formando fileiras com os Aliados.
Durante os primeiros seis meses, o conflito correu favoravelmente para o Japão, que obteve uma sequência de vitórias. Entretanto, em junho de 1942, deu-se, nas ilhas Midway, um combate que mudou completamente o rumo da guerra. Contando com o fator surpresa, os japoneses visavam dar um magistral golpe na esquadra inimiga: atacariam a ilha com quatro dos seus maiores porta-aviões, enquanto o almirante Yamamoto desembarcaria no arquipélago com seus couraçados. Assim, eles conquistariam a hegemonia do Pacífico meridional, o que serviria de ponte para, posteriormente, atacar a costa californiana.
Porém, um grupo de inteligência do exército americano havia interceptado as mensagens criptografadas que planejavam essa operação Midway, conhecendo com antecedência inclusive o horário em que o bombardeio teria início.
O resultado foi catastrófico para os japoneses: os quatro porta-aviões foram atingidos e terminaram por afundar no oceano. A partir de então, os americanos assumiram a liderança do conflito, conquistando uma sucessão de vitórias que manifestaram o seu pujante poderio bélico.
Contudo, a determinação, a fidelidade e a coragem características dos nipônicos, cobraram um alto preço em vidas e recursos dos Estados Unidos durante os conflitos. Para que o pendão americano ondeasse no alto do monte Suribachi, localizado na estratégica ilha de Iwo Jima, as forças de desembarque tiveram de prolongar a invasão — que inicialmente estava programada para, no máximo, noventa e seis horas — por mais de um mês. O heroico chefe dos defensores, o general Tadamichi Kuribayashi, deixou consignadas suas últimas palavras no seu diário de guerra: “A batalha está chegando ao fim. Ante a coragem dos oficiais e homens sob meu comando, até os deuses chorariam diante de tanta bravura. Lamento ter deixado o inimigo tomar parte do território japonês”.
Já em Okinawa, a morte de 19.000 marines chocou a opinião pública dos Estados Unidos, levando o almirante Nimitz a fazer um esclarecimento jornalístico e radiofônico, afirmando que o alto-comando militar atravessava um momento de grande consternação.
Diante desse cenário, era necessário agir logo e de maneira categórica, pois a tomada das possessões japonesas no Pacífico e em seu próprio território seria uma operação prolongada.
As autoridades decidiram pelo uso das bombas atômicas como uma solução de encerrar a guerra de maneira rápida e decisiva. Assim, no dia 6 de agosto de 1945, Little boy, a primeira bomba atômica utilizada pela humanidade, explodiu sobre a cidade de Hiroshima.
Mesmo assim, o governo japonês recusou-se a capitular. Como resposta, o governo americano ordenou o lançamento de uma segunda bomba. Escolheram como alvo o estratégico município de Kokura, localizado numa pequena faixa de terra que une as principais ilhas japonesas de Hunsho e Kyusho. No entanto, uma espessa cortina de nuvens e fumaça, e a falta de combustível na aeronave forçou o comandante Charles Sweeney a dirigir-se para o objetivo secundário da missão.
Nagasaki, a cidade escolhida por Deus
Já acostumada com os contínuos bombardeios, inclusive noturnos, a população de Nagasaki desprezou o aparecimento, na manhã do dia 9 de agosto de 1945, do seu algoz, o Bock’s car, que sobrevoava, portando seu instrumento de suplício: The Fat Man. Ao atingir o bairro de Urakami, o avião despejou o projétil, reduzindo a escombros a catedral católica de Nagasaki e tudo o que se encontrava em um raio de 800 metros.
Takashi Nagai, sobrevivente do ataque, comenta o fato: “Eu creio que não foi a tripulação, mas sim a Providência Divina quem escolheu Urakami e dirigiu a bomba sobre as nossas casas. Não existe por acaso uma íntima relação entre a aniquilação de Nagasaki e o fim da guerra? Não foi Nagasaki a vítima escolhida que, morta no altar do sacrifício em uma oferenda de fogo, ofereceu um ato de reparação pelos pecados cometidos durante a Segunda Guerra Mundial?” Sem dúvida, a hipótese de Nagai, senão inteiramente ortodoxa, é, ao menos, a mais sobrenatural de todas as levantadas.
Seis dias depois, como afirma Paul Glynn, “chorou uma nação”. O Imperador Hirohito, pela primeira vez, apresentou-se em público, comunicando oficialmente a capitulação do Japão. Naquele momento, a mítica aura de divindade que cercava a figura do monarca desmoronou para os japoneses, pois eles não concebiam a possibilidade de seu governante ter introduzido o país em uma guerra da qual não sairia vencedor. O império oriental que ainda não provara uma derrota, soluçava aos pés do gigante americano. Iniciava-se a era nuclear.
Um fato do passado?
Tendo chegado ao final do artigo, o leitor pode ter a impressão de que a bomba atômica pertence ao passado. Será verdade? A cada dia, as notícias sobre guerras se tornam mais aterradoras e a ameaça de um conflito mundial parece iminente.
O mundo resistirá a outro embate nuclear? Diferentemente de 1945, hoje o armamento nuclear não é exclusividade de um país.
Por José Bareiro
[1] Ultimato endereçado ao Japão, assinado pelos EUA, pela Grã Bretanha e pela China, após a conferência de Potsdam, em 26 de julho de 1945. As informações históricas deste artigo foram conferidas nas seguintes obras: BLOND, Georges. O sobrevivente do Pacífico: a odisseia do porta-aviões “Enterprise” de Pearl Harbor a Okinawa. Rio de Janeiro: Record, 1965; GLYNN, Paul. Réquiem por Nagasaki. Madrid: Palabra, 2013.






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