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Bispos franceses não respeitarão limite de 30 pessoas por Missa

Ao contrário do que Macron ofereceu aos Bispos, foi mantido o limite máximo de 30 pessoas por Missa.

Redação (27/11/2020 13:00, Gaudium Press) O que está passando na França com a reabertura das igrejas ao culto com fiéis é uma tragicomédia. Comédia por parte de um governo mentiroso. Trágico, pelo que tem de desconhecimento dos direitos dos cidadãos católicos no país da Gália. Vejamos.

Após a pressão exercida pelas numerosas manifestações públicas em toda França, o presidente Macron anunciava que se poderiam realizar ofícios com um máximo de 30 pessoas como assistentes. Mas, após as críticas recebidas por esse limite que muitos consideraram absurdo e desrespeitoso, em 24 de novembro Macron expressava ao presidente da Conferência Episcopal Francesa que revisaria dito teto de 30, e que as novas regras seriam comunicadas ontem, 26 de novembro.

Pois bem, chegou o dia 26 e o Ministro do Interior confirmou o limite máximo de 30 pessoas por ofício, o que é um disparate, pois 30 pessoas em uma grande catedral é muito pouco, e em uma pequena capela muito, como disse dias atrás o Bispo de Nanterre.

Mas também é esdrúxula, pois deixar para fora o fiel número 31 em uma grande catedral é uma clara discriminação.

Resistência civil dos Bispos?

Por isso já há alguns prelados franceses que dizem abertamente que não acataram o limite dos 30, como Dom Norbert Turini, Bispo de Perpignan: Este deu a ordem aos seus sacerdotes de “não erigir-se como ‘contadores’ de suas assembleias dominicais e não rejeitar, se tal é o caso, a 31ª pessoa e as seguintes que se apresentassem. Eu assumo a inteira responsabilidade -disse o prelado-, e se for necessário eu responderei pessoalmente diante dos poderes públicos” por esta instrução. O Bispo também pede aos seus presbíteros ter todas as precauções sanitárias, “que nós temos sempre respeitado escrupulosamente”.

Nesse mesmo sentido se expressou Dom Robert Le Gall, Arcebispo de Toulouse, que disse aos seus sacerdotes que simplesmente “com responsabilidade, mantenham da melhor maneira as regras sanitárias nesse quadro inaplicável” do limite de 30 pessoas.

Algo parecido ordenou o Bispo de Versalhes, Dom Éric Aumonier, que pediu aos pais manter a “responsabilidade sanitária”, e “não ultrapassar o terço da capacidade” de cada igreja durante as missas.

O que fará então o governo ou a polícia com os Bispos de três das principais cidade do mundo? Irá processá-los? Irá impedi-los?

Ou como irá impedir o governo que a gigantesca catedral de Santo Estevão de Toulouse, com um coro descomunal e uma nave grandíssima, entrem mais de 30 pessoas? Colocará um policial em cada porta com um contador e depois fechará a igreja?

Os Bispos dizem que não existe verdadeiro diálogo do governo com a Igreja

Cada vez que quer estabelecer restrições ao culto, o governo francês anuncia com grande alarde diálogo com os dirigentes das diversas religiões. Diálogo de surdos, nas palavras de Dom Luc Ravel, Arcebispo de Estrasburgo, que afirmou que nas alardeadas consultas governamentais com as religiões existe “o hábito governamental” de “nunca levar em conta as propostas emanadas do episcopado francês”.

Em suma, diante desta situação, o episcopado se encontra “totalmente em cólera”, disse Vincent Neymon, secretário-geral adjunto da Conferência Episcopal da França.

Vários bispos anunciaram que, diante das medidas governamentais, recorrerão ao Conselho de Estado, e talvez à própria Conferência Episcopal. A partida segue interessantíssima.

Com informações de Le Figaro.

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