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Bispo de Oslo organiza sínodo em estrita conformidade com a doutrina da Igreja, e não de forma “democrática”

Dom Hansen organiza um sínodo para melhor compreender a realidade da diocese e como organizá-la com uma visão comum, mas sempre dentro da doutrina da Igreja e não como uma reunião democrática.

No centro Dom Hansen – Foto: St Mary’s Seminary and University

No centro Dom Hansen – Foto: St Mary’s Seminary and University

Redação (11/08/2026 10:07, Gaudium Press) O bispo de Oslo, Dom Fredrik Hansen, que se converteu do luteranismo e está à frente da diocese norueguesa há pouco mais de um ano, já se destaca pelo zelo pastoral. Em pouco tempo, reativou a Marcha pela Vida após cerca de quatro décadas de interrupção, inaugurou um espaço permanente de oração pelos cristãos perseguidos dedicado à Virgem Maria, convidou os fiéis a escreverem-lhe diretamente em caso de dificuldades para se confessar e facilitou a celebração da liturgia tradicional para quem desejasse assisti-la.

Agora, ele anuncia a realização de um sínodo diocesano. A palavra “sínodo” gera desconfiança em muitos fiéis, após a experiência do longo Sínodo sobre a Sinodalidade, visto por parte dos católicos como um processo que, em alguns lugares, abriu espaço para debates que questionavam a doutrina da Igreja. O sínodo de Oslo, no entanto, apresenta contornos bem diferentes.

Segundo o próprio Dom Hansen, em entrevista ao portal katolsk.no, o sínodo diocesano será, antes de tudo, “uma forma de reunir informações e dados que nos permitam conhecer a realidade”. Não basta observar o que ocorre em Oslo e arredores: é preciso ouvir os fiéis de toda a diocese. Como todas as circunscrições, a de Oslo também apresentará uma avaliação do Sínodo sobre a Sinodalidade promovido pelo Papa Francisco, o que exige escuta dos clérigos e leigos.

A grande diferença em relação a processos mais questionados, como o caminho sinodal alemão, está na clareza do prelado: “Um sínodo diocesano não é uma reunião democrática”, em referência indireta ao processo sinodal alemão, que acabou se tornando uma assembleia revolucionária, onde nada é sagrado e tudo pode ser mudado com um número suficiente de votos.

Dom Hansen afirma categoricamente ter a obrigação de excluir do sínodo tudo o que se oponha à doutrina da Igreja ou a coloque em dúvida. “Não nos cabe decidir sobre fé e moral”.

O bispo inspira-se nos sínodos convocados por São Carlos Borromeu em Milão, seguindo as orientações do Concílio de Trento. O objetivo é chegar a “uma visão comum e bem definida para a vida da Igreja local: o que buscamos, para onde queremos ir”. A construção da Igreja na Noruega e na diocese, lembra ele, “não é algo que terminou com Santo Olavo”.

Os dois eixos principais serão a catequese e a atenção pastoral em diferentes idiomas. A razão é prática e estrutural: o luteranismo permanece a religião tradicional do país, e grande parte dos católicos da diocese é composta por imigrantes. Isso exige missas e formação em várias línguas além do norueguês. A catedral de Santo Olavo, por exemplo, já celebra missas dominicais em cerca de onze idiomas, refletindo a diversidade de poloneses, lituanos, filipinos, vietnamitas, africanos e latino-americanos.

Um pastor com trajetória singular

Nascido em 13 de junho de 1979, em Drammen, em família evangélico-luterana, Fredrik Hansen converteu-se ao catolicismo em 1999, aos 20 anos. Ordenado sacerdote em 2007 por Dom Bernt Ivar Eidsvig na Catedral de Santo Olavo, doutorou-se em direito canônico na Universidade Gregoriana de Roma. Serviu no serviço diplomático da Santa Sé em Honduras, Viena e Nova York, foi nomeado Capelão Papal e, mais tarde, integrou a Companhia de São Sulpício, lecionando e atuando como deão no Seminário de Santa Maria, em Baltimore (EUA).

Nomeado bispo coadjutor em novembro de 2024 pelo Papa Francisco, foi consagrado em janeiro de 2025 pelo cardeal Pietro Parolin. Em 16 de julho de 2025, com a aceitação da renúncia de Dom Eidsvig pelo Papa Leão XIV, sucedeu-o como bispo de Oslo. Seu lema episcopal é Lex Tua veritas (Tua lei é a verdade).

Entre as iniciativas recentes, destacam-se a retomada da Marcha pela Vida em junho de 2026, que reuniu cerca de mil pessoas em Oslo sob chuva e vento, e a inauguração, no mesmo mês, de um santuário de oração pelos cristãos perseguidos na Igreja de São João, dedicado a Maria, Mãe dos Perseguidos — o oitavo desse tipo no mundo e o segundo na Escandinávia. Dom Hansen também sinalizou disposição de ampliar as celebrações segundo o Missal de 1962, já realizadas aos domingos na Igreja de São José, sempre dentro da plena comunhão com a Igreja.

O sínodo diocesano, anunciado durante a missa de Olsok (festa de Santo Olavo), deve começar com ampla consulta e concluir-se em 29 de julho de 2029, antes do jubileu de Santo Olavo em 2030. Em um país secularizado, onde os católicos formam minoria crescente e multicultural (a diocese reúne mais de 145 mil fiéis), a proposta de Dom Hansen busca fortalecer a catequese, a pastoral multilingue e a unidade na fé, sem abrir mão da doutrina. É um caminho de escuta concreta da realidade local, e não de redefinição da doutrina.

 Com informações Infocatólica

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