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Beato Clemens von Galen: o “Leão de Münster”

Este santo prelado é um exemplo de retidão de alma e inflexibilidade perante o mal. Denunciando os erros do nazismo, desmascarava o plano dos maus por fidelidade à Santa Igreja.

Redação (18/08/2021 09:26, Gaudium Press) Clemens August Emanuel Pius Antonius Hubertus Maria Graf von Galen nasceu no dia 16 de março de 1878, no castelo de Dinklage, na pequena cidade de Oldenburger Munsterland (Alemanha). Era o undécimo filho do conde Ferdinand von Galen e da condessa imperial Elisabeth von Spee.

Proveniente de família católica fervorosa, Clemens recebeu, juntamente com o irmão gêmeo Franz, uma formação voltada, sobretudo, à consideração do caráter efêmero desta vida somada à ideia da perenidade das alegrias celestes.

Os irmãos gêmeos entraram no colégio jesuíta Stella Matutina, em Feldkirch (Suíça), foram transferidos no verão de 1894 ao liceu Antonianum, em Vechta e, três anos depois, ingressaram como estudantes de filosofia, literatura e história na Universidade Católica de Freiburg.

Carreira sacerdotal

No dia 4 de maio de 1903, Clemens adentrou no seminário, onde foi ordenado diácono em dezembro do mesmo ano e, após boa preparação, recebeu o ministério sacerdotal em 24 de maio de 1904. Depois de ajudar em vários lugares, assumiu a paróquia de São Matias, em Berlin-Schöneberg. Após a morte do bispo de Münster, Dom Johannes Poggenburg, o padre von Galen foi nomeado bispo dessa cidade (em 5 de setembro de 1933).

 A primavera de 1934 foi o marco inicial de sua luta contra o nazismo, através de um ataque contra a “adoração da raça” promovida por Alfred Rosenberg (escritor do livro “O Mito do Séc. XX”). Assim, o bispo passou a atuar sobre a sua diocese, alertando contra o perigo nazista, fazendo discursos, conquistando o apoio de autoridades civis e, sobretudo, atacando claramente o nazismo nas homilias.

Em 9 de setembro de 1936, em Xanten, von Galen pronunciou-se sobre a hierarquia da obediência: ela deve ser prestada antes a Deus que às autoridades humanas; além disso, mostrava que, como católicos, não poderiam recuar ante a ameaça nazista, mas que seria preferível morrer do que pecar.

A atuação do bispo de Münster era tão divulgada por todas as partes que se diz que, em um dos salões protestantes mais famosos de Berlim, as autoridades aclamavam o prelado. Ademais, o público que assistia às suas pronunciações crescia cada vez mais, chegando a 10.000 ou até 40.000 pessoas.

Pregador antinazista

Entretanto, o ano de 1941 foi, realmente, a hora da bataille mêlée. Foi justamente nele que o prelado fez as 3 pregações famosas contra o nazismo: a primeira delas, em 13 de julho, protestanto contra o confisco dos conventos e expulsão dos religiosos; a segunda, em 20 de julho, que proibindo qualquer comunhão entre católicos e nazistas; e a terceira, em 3 de agosto, bradando contra o assassinato em massa das “vidas improdutivas” (pessoas doentes e débeis). Tais predicações soaram como bombas atômicas. Conta-se até que elas tiveram tal sucesso que eram consideradas como mercadoria e trocadas por outros produtos.

Ora, se é verdade que von Galen se tornava mais conhecido, é bem verdade que também era mais perseguido; o ódio de Hitler se mostrava sempre mais declarado, chegando até a considerar a hipótese de um aprisionamento ou até mesmo de um enforcamento em praça pública. Entretanto, o medo de criar a figura de um herói-mártir não lhe permitia concretizar seus planos.

Ante o crescimento da perseguição, o “Leão de Münster” decide redobrar os ataques ao nazismo: afirma ele que não deve haver acordo algum entre Igreja Católica e a pseudo-religião nazista, que é essencialmente anticatólica. Ademais, o bispo luta contra a ideia hitleriana da indiferença entre as religiões e explica que a Igreja Católica é a base da sociedade e do Estado, não podendo se confundir com as falsas religiões.

Como resposta a todos os ataques, a diocese de Münster viu-se em condições dramáticas: 556 padres e 96 religiosos foram conduzidos aos tribunais, 37 pessoas levadas para os campos de concentração (das quais 12 morreram); os conventos, saqueados, e as religiosas, violentadas. Além disso, em Hamburgo, 3 sacerdotes foram decapitados por fazer eco das pregações do bispo.

O opositor mais hostil ao nazismo

Esta luta renhida se estende até 1946, ano em que Pio XII nomeia cardeal o bispo von Galen (em 8 de fevereiro) – que era reconhecido pelo mundo inteiro como o “opositor mais hostil ao programa anticristão nazista”.

Não obstante, com a saúde muito debilitada por uma peritonite, o recém-nomeado cardeal vai para o hospital no dia 19 de março de 1946 e, 3 dias depois, rende sua alma a Deus.

Em dezembro de 2003, João Paulo II lê o decreto da heroicidade de suas virtudes e, em 9 de outubro de 2005, Bento XVI procede à beatificação do “Leão de Münster”.

Com efeito, pode-se perceber claramente a virtude do cardeal von Galen através do que está escrito em seu testamento, à maneira de um mártir que sente próximo o dia de seu encontro com Deus: “Quero acolher a morte em qualquer momento com disponibilidade, em todo lugar, de qualquer modo, como Deus quiser. Espero e rezo com insistência para morrer como filho fiel da Igreja Católica Romana”.

Por Luiz Eduardo Trevisan


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 FALASCA. Stefania. Un obispo contra Hitler: El beato von Galen y la resistencia al nazismo. Trad. Antonio Esquivias Villalobos. Madrid: Palabra, 2008.

2 WOLF. Hubert. Clemens August Graf von Galen: Gehorsam und Gewissen. Freiburg im Breisgau: Herder, 2006.

 3 REPETTO. José Luis. Todos los santos y beatos del martirologio romano. Madrid: BAC, 2007.

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