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Batismo do Senhor: festa da manifestação da Divindade

Querendo orientar as almas para o Salvador, João anunciava o verdadeiro sentido do seu batismo.  

Redação (10/01/2021 09:20, Gaudium Press) Nos primeiros tempos do Cristianismo, até o século IV, a Igreja contemplava três manifestações da divindade de Nosso Senhor, unidas na Solenidade da Epifania: a adoração dos Reis Magos, o Batismo no Jordão e a conversão da água em vinho nas Bodas de Caná, seu primeiro milagre público.

Era essa solenidade considerada a revelação de Jesus à gentilidade, enquanto o Natal era tido como uma festa mais apropriada aos judeus. Se estes últimos aguardavam a vinda de um Messias Homem e assim O receberam no presépio de Belém, os gentios — tal como nos mostra a adoração dos Magos — estavam à espera de um Deus Salvador.

Esta mesma divindade que se revelara aos Reis do Oriente tornar-se-á muito mais notória no episódio do Batismo de Cristo, embora já se houvesse dado a conhecer antes, por um pedido de Nossa Senhora, em Caná.

A comemoração dos três fatos em uma só ocasião era muito solene, e até os dias presentes conservamos na Liturgia alguns resquícios destas grandes celebrações.

Tal é a Festa do Batismo do Senhor, que hoje recordamos no Evangelho escolhido para encerrar o Tempo de Natal.

São João Batista

Esse acontecimento está intimamente ligado à pessoa do Precursor, São João Batista, pois fora ele chamado a preparar as almas para a vinda do Messias, o qual, ao receber o Batismo, iniciava sua vida pública.

O Precursor irrompeu nos acontecimentos, para surpresa de todos, trajando-se de modo diferente dos padrões da época: uma pele de camelo e um cinto rústico. Seu alimento reduzia-se a gafanhotos e mel silvestre, o que indica ter sido um homem dedicado à penitência.

Centenas de anos se haviam passado sem que aparecesse em Israel profeta algum capaz de sacudir o povo. “João falava somente a respeito dos Céus, do reino dos Céus e dos castigos do inferno”.

Com esta singular forma de pregação ele movia as consciências, contrastando de forma vigorosa com o quadro de apatia e indiferença dos judeus antes de seu surgimento e desagradando ao Sinédrio, fautor de tal situação.

O povo, impressionado com a autoridade moral de São João, logo começou a se perguntar se não seria ele o próprio Messias, tão ansiado pelas almas retas. A resposta negativa do Precursor, meticuloso restituidor em relação a Nosso Senhor Jesus Cristo, foi imediata.

João pregava a penitência a par de seu batismo, a fim de incitar os homens à virtude. Querendo orientar as almas para o Salvador, João logo anunciou o verdadeiro sentido do seu batismo e a dádiva incomparavelmente maior que haveria de trazer o Sacramento a ser instituído por Jesus, algum tempo depois.

De fato, pregava ele um batismo que, segundo São Tomás, era um meio caminho entre o que era realizado pelos judeus e o Batismo sacramental.

Saibamos ser gratos a Deus!

A Festa do Batismo do Senhor deve inundar-nos de esperança e de santa alegria, por nos mostrar a força regeneradora do perdão e da misericórdia divina, na qual devemos confiar em qualquer circunstância de nossa vida.

Por pior que possa vir a ser nossa situação, se soubermos ter fé e nos mantivermos íntegros no cumprimento dos santos Mandamentos, nunca deixará de haver para tudo uma solução, pois “para Deus nada é impossível!” (Lc 1, 37).

Sejamos gratos a Nosso Senhor por tudo quanto realizou por nós. Com o Batismo Jesus dá início à sua vida pública, assim como com esta celebração a Liturgia marca a entrada no Tempo Comum, o qual considerará toda a missão do Divino Mestre, acompanhando-O em suas pregações e manifestações durante as diversas leituras litúrgicas do ano.

Peçamos a Nosso Senhor graças em profusão, capazes de nos fazer cruzar — no fim de nossa peregrinação terrena — as portas do Céu que Ele nos franqueou neste dia “Batismo de Jesus”.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.133, janeiro 2013

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