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Batismo de Santo Etelberto e dez mil súditos

Desejando ardentemente converter a Inglaterra, então dominada por pagãos, São Gregório Magno para lá enviou Santo Agostinho, abade de um mosteiro de Roma, que depois se tornou Bispo de Cantuária.  

Redação (08/01/2022 20:41, Gaudium Press) Em princípios do século V, os romanos haviam se retirado da Grã-Bretanha a qual, pouco depois, foi invadida pelos anglo-saxões, provindos da Alemanha, que começaram a massacrar os católicos. Certo número fugiu para a França e eles se estabeleceram num lugar que se chamou Bretanha, às margens do Canal da Mancha.

No final do século VI, a Grã-Bretanha estava dividida em sete reinos, capitaneados por Etelberto, Rei de Kent. E o Papa São Gregório Magno, nos primórdios do ano 596, ordenou a Santo Agostinho, abade de um mosteiro de Roma, que fosse evangelizar aquele país.

Acompanhado de 39 monges, ele encetou sua longa caminhada. Porém, ao chegarem ao Mosteiro de Lérins, Sudeste da França, ouviram narrações sobre as crueldades dos anglo-saxões e perderam o ânimo de continuar a viagem.

Santo Agostinho voltou a Roma e expôs a questão a São Gregório Magno, o qual escreveu cartas ao Rei de Kent e a sua esposa, Berta, que era católica, pedindo-lhes que acolhessem Santo Agostinho. E ordenou a este que viajasse logo à Grã- Bretanha com seus monges.

Ele obedeceu incontinenti. Chegando ao Mosteiro de Lérins, reuniu seus religiosos e todos partiram rumo a Inglaterra, onde chegaram no ano de 597.  O Santo enviou uma mensagem ao Rei Etelberto, pedindo-lhe que os recebesse. O soberano era pagão, mas fora santamente influenciado por sua esposa, filha do Rei de Paris, e quis atendê-los numa entrevista pública.

Profecia de Santo Agostinho de Cantuária

Caminhando em procissão, conduzindo uma cruz de prata e um quadro com a figura de Nosso Senhor, entoando ladainhas implorando a Deus a salvação deles próprios e daquele povo, os monges chegaram ao local indicado.

O rei pediu, então, que se sentassem e eles começaram a lhes anunciar a Doutrina Católica. Etelberto acolheu os ensinamentos com simpatia e declarou que iria pensar sobre eles. Doou aos monges um local para residirem e os meios para subsistirem.

A santidade de Agostinho e os milagres realizados fizeram com que houvesse inúmeras conversões. No dia de Natal de 597, Etelberto, com a maior parte da nobreza e cerca de 10.000 súditos foram batizados.

Esse maravilhoso fato faz-nos lembrar o Batismo do Rei da França, Clóvis, no Natal de 496, quando essa nação se tornou a “Filha primogênita da Igreja”.

Santo Agostinho foi nomeado Bispo de Cantuária, Sudeste da Inglaterra, e Etelberto deu-lhe seu palácio para residir, o qual foi transformado em mosteiro.

Havia em Bangor, atual Irlanda do Norte, uma abadia com muitos monges.  O Bispo de Cantuária propôs-lhes que o ajudassem na evangelização dos pagãos, contudo, eles recusaram.

Assim, Santo Agostinho profetizou que, por terem se negado a levar a vida aos anglo-saxões, estes lhes trariam a morte. Nove anos depois, esses pagãos arrasaram a Abadia de Bangor e mataram 1.200 monges.

Etelberto, durante os vinte anos que viveu, dedicou-se à propagação da Fé, construiu igrejas, fez leis sábias e conseguiu a conversão de dois reis de regiões vizinhas a Kent. Santificou-se e faleceu em 616.

Seu exemplo frutificou de tal modo que a Inglaterra proporcionou à Igreja muitos monarcas elevados à honra dos altares.

Recepção na clareira de uma floresta

Transcrevemos a seguir alguns comentários feitos por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Aparecem-nos aqui duas grandes figuras de impulsionadores da Idade Média. Por essa breve e bela narração, podemos conceber o encontro de um insigne missionário, que é Santo Agostinho da Cantuária, com um extraordinário monarca fundador, Santo Etelberto.

“Refiro-me a ele como fundador porque, da Inglaterra anterior à conversão, pode-se dizer que não passava senão de uma nação ainda em seus primórdios. Não havia uma civilização britânica, nem uma Inglaterra propriamente dita. Existiam apenas os germes da futura Inglaterra que, em contato com Santo Agostinho, floresceram e deram na nação em que ela se tornou posteriormente.

“A solenidade que o historiador nos descreve é, na verdade, maravilhosa. Podemos imaginar aquele rei e seus guerreiros semibárbaros, congregados na clareira de uma floresta e, admirados uns, céticos outros, veem chegando ao longe, entoando cânticos e ladainhas, Santo Agostinho com os seus monges e seguidores. Os enviados do Papa São Gregório Magno se aproximam, cumprimentam-se, são convidados a se sentar e começam as conversas entre apóstolos e futuros convertidos.

Modelo de soberano cristão

“Percebe-se claramente a atitude ao mesmo tempo sábia e simpática do Rei Etelberto. Com efeito, embora se veja o coração dele tocado pela doutrina e exemplos de Santo Agostinho, ele responde com muita liberdade de movimentos e de palavras, dizendo: ‘Tudo o que vós nos dizeis é muito belo, mas não posso mudar de ideia tão depressa, abandonando as crenças que herdei de meus maiores. Desejo estudar melhor essas novidades que nos trazeis.’

“Porém, ele o disse com notória benevolência e inclinação para aceitar o Evangelho, pois, em seguida, agradece a Santo Agostinho e aos que o acompanhavam por terem vindo de tão longe para lhes falar, oferece-lhes um bom abrigo e lhes concede liberdade para pregarem e converterem à Religião deles quantos o quisessem.

“Ou seja, a posição dele em relação a Santo Agostinho revela um primeiro passo de sua alma em direção àquela verdade cujo precônio ele estava ouvindo naquele momento.

“Confirmando essa sua intenção, facilita todas as coisas para a missão apostólica de Santo Agostinho, e este logo dá início à tarefa de evangelizar o povo e instaurar a Religião Católica na Inglaterra.

“Santo Etelberto, depois de examinar devidamente a nova Doutrina, como homem consciencioso que era, abraçou-a de toda a alma. Converteu-se, tornou-se um modelo de soberano cristão, edificou igrejas, trouxe para o Catolicismo outros príncipes ingleses e protegeu os súditos que foram acolhidos no grêmio da Santa Igreja Católica.”

A Revolução gnóstica e igualitária faz com que o mundo de hoje se precipite em horrores piores dos que os praticados pelos bárbaros.

Peçamos aos Santos Agostinho de Cantuária e Etelberto que nos ajudem na luta pelo esmagamento da Revolução e a implantação do Reino de Maria.

Por Paulo Francisco Martos

 

 

 

 

 

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